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Jamais deixará de me espantar como reagem as pessoas perante a rejeição. Como reagem perante a indiferença e como se esforçam para serem notadas. Mesmo que eu despreze nunca sou esquecido. E sei que estou bem aconchegado em certos corações de reputada virtude. Porque existem venenos que não se dispensam; por mais mal que causem.

 

*  Pequeno laivo, parafuso essencial na rasteira e rudimentar estrutura mental alheia, sempre necessário ao evoluir sereno:

 

- Embora, no campo estritamente biológico, o conceito de "raças" se esteja a tornar obsoleto e disto já eu sabia, o uso do respectivo conceito acima é plenamente justificado como realidade SOCIAL E POLÍTICA, usando assim o termo "raças" como elemento de construção sociológica e categoria social  que em tantas e tantas vezes desta ingrata vida, permite empregar denominações a todas as criaturas e pior, justificar exclusões ( racismo, xenofobia, homofobia ... etc!); precisamente o que o Fleuma pretendia afirmar.

 

Erro meu assumido, pois deveria ter sido mais especifico e não esquecer as  limitações alheias.

 

Canso-me.

 

 

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* Blefaroespasmo ... *

 

 

Fala-me dos rios onde molhou os pés; foram tantos que deixou as memórias afogadas. Apenas tem a necessidade de contar sobre as correntes frias ou amenas. Despertar pelas ondas desfeitas contra as pernas cansadas em frente ao mar; enquanto escuta o gelo a respingar e a rachar.

 

A mente não é pequena. É um abismo imenso. Uma constelação onde se agrupam os livros lidos por uma eternidade desarrumada e suja pelos sorrisos e instantes onde a relva era mais verde, as luzes mais brilhantes. Mesmo as noites eram menos serenas mas mais maravilhosas em pontos brilhantes a descobrir.

 

O mundo parou. Sombras sem pele ou rosto. Quando o passeio era feito de mãos dadas, quentes em afago, contra o frio das tardes. A realidade era transparente, moldada nos rostos conhecidos.

 

O mundo avançou. Peço uma descrição dela. Não do mar ou rios que conheceu.

 

" Foi quando a vi pela primeira vez que realmente entendi a palavra paixão. Antes pensava saber o que era amar."

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 "Por que não deveria eu odiar os meus inimigos, se os "amasse" teria eu a sua piedade ?", Anton LaVey

 

Não consigo entender porque razão se queixam as pessoas da sociedade em que vivemos. A sério! Nem consigo conceber porque acto de maligna contrição as criaturas pensantes deste planeta se arrogam o direito soberano de criticar este nosso modo de viver!

 

Porque vivemos numa sociedade, plano de existência tão criativo, que no mínimo transborda de requintes hilariantes. Razão mais do que suficiente para sorrir e abrir os braços ao mundo que nos rodeia. Tanto e tanto que existe por explorar e conhecer; enquanto vamos desbravando os novos caminhos da justiça social, do falso mito do privilégio branco ou do feminismo imbecil disfarçando as pedradas ao macho com as sequelas do assédio e da misoginia ( Cristo em pulgas! Como adoro estas teorias tão sólidas...).

 

A alegria deveria ser a rodos neste nosso lugar de vida. Agora então, que o cristianismo está morto, podemos assim espancar o moribundo das convicções sem qualquer receio. É mister, no entanto, que o islamismo não seja sequer olhado! Aqui é um caso diferente, que esta é uma religião de paz e para mal dos nossos pecados, atentados não chegam para defender o contrário!

 

Amo desmedidamente este nosso antro de imundice e covardia, sinceramente. O nosso papaguear de igualdade para todos; a superprotecção que transforma as crianças em adultos caprichosos, preguiçosos e cretinos até à medula; a critica sistemática ao modo de vida ocidental por medrosos que não dispõem da coragem necessária para se mudarem, deixando o seu conforto e liberdade de expressão para trás. Como seriam dias esclarecedores para a mente tão preocupada com a injustiça e o racismo desfrutar de uma sharia sempre tão presente! Um apedrejar aqui, por um rosto destapado ou um olhar para outro lado; um atirar de ácido acolá, entre uns belos açoites, ficaria sempre bem a quem cresceu no vil ocidente e o nojo que são os seus homens.

 

Não importam as raças. Importam os dogmas e a imposição forçada com base em religiões. Este doce mundo degenera o cristianismo em agonia. Mas treme de medo porque tem memória colectiva e muito ancestral! Sabe que nada mudou. Quem agora mata em nome de deus tem apenas outro nome. Porque o modo de pensar e agir é o mesmo da idade média; quando se queimavam mulheres pelo mero acto de existir e se decapitavam os descrentes.

 

 

 

 

 

 

 

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foto: Leff Jeffries

 

 

Se repararmos bem, existe quem viva para desafiar impossíveis. Quem transporte na expressão a falta de paz perante impossibilidades. Existem os que ouvem o segredar de impossibilidades de vida, tangências e silêncios forçados na expressão. Muitas são as vezes que, no agitar dos dias, se tornam diferentes; como barcos ancorados no seu próprio oceano. Mar dentro de sal e areia.

 

E não é possível esconder este desafio ao impossível. Não existe um rosto de olhares igual ao de quem sabe o que é uma impossibilidade e ainda assim mesmo, luta. Porque são sombras e também luz fina. Não apenas escuridão que oprime, mas recortes de luz ténue e silêncios de uma tirania distante. Tão longínqua como as lágrimas que não vertem.

 

Creio firmemente nas palavras dos rostos impossíveis, porque se dissolvem nas terras e nas casas. E camas. E rezas silenciosas. Quem mergulha profundamente na separação e esquecimento, mesmo assim afirmando "nunca esquecerei". 

 

E se repararmos bem, com olhos finos de atenção, poderemos ver claro como na luz do dia que o mundo, perante os que lutam contra o impossível, apenas continua a imitar os seus movimentos. Os seus gestos e eclipses são a fonte deste mundo. Por baixo de tudo, mesmo sem palavras que o justifiquem, seria insuportável para mim viver sem esta ideia de luta contra impossibilidades. De conseguir misturar-me com eles, nem que seja em pensamentos. 

 

Eu tenho essa certeza.

 

 

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O bode expiatório é muito semelhante a uma certa farinha administrada aos infantes de tenra idade que geração após geração os tornava encorpados sempre a raiar picos insensatos de insulina, que por sua vez muitas e em bastas ocasiões os deixava preguiçosos e a vislumbrar assim, de ventas ao vento, um futuro nada risonho, aguardando o toque final do peido-mestre na campainha da vida.

 

Este bode é uma lenda de séculos mas não o famigerado bode anjo-caído que esse de caprino nada tem; reza a dita lenda que serve para expiar culpas e delitos de outros. No fundo, bem acamado, serve de bombo de festa e sempre vai vestindo uma burqa de purificação pessoal tentando que outros sejam bodes para expiação dos seus males; estes bem mais reais e vulneráveis .

 

O bode expiatório é um artesão supremo que decidiu cozer em si as maleitas deste mundo. Precisamente quando a necessidade de culpa cresce, o dito bode saltita esbaforido pronto a acatar a peste. Todos os caminhos vão dar ao seu lagar de culpa e desvelo depressivo. A senha de acesso ao seu coração cordial implica sempre as palavras "porquê eu?" ou então, "injustiça".

 

E tudo parece ser sua culpa: se não brilha a lua, agitam-se as peles assumindo o dano. Porque razão é a sua vida um mar de incompreensão? Se conseguisse rosnar em vez de balir, o dito bode que expia seria o berro dos oprimidos; os alvos de tanta voracidade e criaturas abjectas.

 

O bode expiatório desanima perante os tabefes da porca vida; a sua aura vai cedendo ante as biqueiradas da injustiça alheia. Ele não escolheu ser o fruto pecaminoso da virulência das hostes bárbaras! Vai expiando culpas mas é santo e incorruptível, sabe que este é o caminho a seguir para pastos mais verdejantes.

 

Tal como reza a lenda, este manso filho da natureza tem apenas vontade de harmonia. Não existe pois um pingo de justiça nas rasteiras traiçoeiras da realidade. Na sistemática predação de criaturas cujo lugar é o submundo.

 

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** O martírio ... é a única maneira de ganhar fama sem ter competência. **, Bernard Shaw

 

 

 

O fascínio que sinto na observação da inoperância humana, só consegue mesmo ser ultrapassada pela leitura das suas manobras para fugir de uma fatalidade. Creio que a mera presunção de muita gente na ideia que a vida lhes deve algo, que em algum espaço desta existência haverá direito a uma compensação que console, no mínimo, uma desilusão por anos de decisões erradas, leva ao desespero de tentarem vestir uma pele de lobo. Esforço em vão. Porque os lobos não se vestem. São.

 

Como quem mendiga na vida a sua sorte maldita e sempre ignorando que esta não existe, porque não é parte da causa e efeito. Os erros de uma vida inteira a cometer banalidades pessoais são inevitavelmente pagos por um fim de existência medíocre e em  desespero; enquanto se tentam truques de luz para encher aquele poço de nulidade tão carinhosamente escavado durante anos, sempre com a mesma triste noção de necessidade e amor ao próximo.

 

Existem danças que eu não compreendo. Nem sequer pretendo que assim seja. Quem se deseja dançarino nesta vida porque anseia sentir os ventos e o perfume glorioso de um caminho que nunca será o seu causa-me riso. Como se pode dançar na constância maquinal e acanhada de uma vida em martírio, onde todas as opções decididas conduziram a um beco de absoluto nada, intriga-me. 

 

Resta-me uma pequena reserva de riso sábio no final de certos dias, quando tantas vezes se desligam máquinas e teclas, quando se esfregam olhos cansados; principalmente quando se giram os olhos em volta de si mesmos e assenta a realidade pura de nada se haver construido: tudo permanece no mesmo nada. 

 

Não existe realmente êxtase neste sonhar com o que nunca será seu.

 

 

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* No 2 fks given ... *

 

 

Não é certo que eu algum dia consiga entender a incapacidade humana para aceitar a transformação; o mero facto de quem acha que devemos permanecer iguais ao que era igual em meses anteriores. Que uma cabeça rapada se torne sinónimo de estranheza quando o preferido eram os cabelos longos.  

 

O simples afecto por uma aparência física mais magra e franzina, sem dúvida menos intimidativo, prefere ignorar quem se esforça por crescer fisicamente; sempre desvalorizando o "monstro" como um cepo macaco e bruto. Torna-se clarividente o olhar perante as alterações, consumado no assomar de uma previsão de futuro negro para o portador de tal porte. 

 

Como em tudo a ignorância é uma ferramenta com um uso muito específico. Existem os que ignoram porque esta é a sua melhor defesa. Os ignorantes porque são incapazes de aceitar a diferença merecem um ódio especifico e muito mais primordial.

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* Sintomas do Universo ...*

 

 

Eu vi cães transformados em guerreiros. Condecorados com medalhas brilhantes por bravura e companheirismo. Vi-os ao lado de soldados humanos e olhados como iguais em coragem e cerimónia com honras de estado reservada apenas para a elite forjada em laços de amizade, muito além das forjas da guerra.

 

Eu vi soldados feitos homens por força da batalha ajoelharem e chorarem a morte do cão companheiro, abraçando o seu corpo enrolado na bandeira do país porque não era apenas "mais um cão": era um soldado!

 

Vi também cães e humanos ajoelhados de cabeça baixa em homenagem a outros companheiros mortos em combate; nem uma hesitação perante as salvas de entrada no paraíso.

 

Vi que a devoção, companheirismo e amizade não tem limites entre estes guerreiros. E pela primeira vez em anos e anos ajoelhei tal como todos os outros. E pela primeira vez em anos não consegui reter o choro e homenagem.

 

Mas deixo-me descansar: prefiro que a minha paz e liberdade esteja na posse destes guerreiros.

 

O que o resto do mundo pensa não me interessa.

 

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* Sintomas do Universo ...*

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  Foto:  Stastie

 

 

* Sintomas do Universo ... *

 

 

Soube da morte do velho merceeiro há poucos dias. Estranhei a ausência dos seus passos indolentes durante as últimas manhãs, habituado a ver a sua passagem durante o meu ritual matinal antes de adormecer. Também estranhei ver a velha mercearia enfiada entre dois prédios altos  de entradas circulares onde o velho merceeiro assentara arrais desde que a eternidade se lembra, fechada.

 

Sei que se apagou para os lados da baixa lisboeta e de uma maneira rápida e eficiente; como se a morte tivesse sentido de dever e a hora do velho largar amarras chegara. Caiu fulminado e sem um gemido, dizem.

 

Há uma displicente perda na sua ausência e passar de manhã bem cedo em direcção à mercearia. Uma brisa de conversa que mantínhamos entre os biscoitos de canela com geleia da terra oferecidos e nos cafés em chávena a escaldar que eu transportava para dentro da loja. Uma ligação que não passa por palavras óbvias enquanto percorria os labirintos entre taças de plástico, garrafas de vinho e uma arca de frio que sempre tinha para mim os congelados mais bizarros. Deixar que os odores do tempo dos morangos e das maçãs verdes se misturasse com as laranjas pequenas de sabor cristalino.

 

Ouvir o que contava a sua consciência entre palavras de quem avançou sem muitas letras lidas e mesmo assim rebaixando muitos que sabem ler sem ver a imbecis, só era superada pela claridade que entrava a jorrar pela mercearia mesmo em dias de escuridão chuvosa.

 

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