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" - Preferia viver com um animal!"

 

Estas palavras, proferidas na minha face, olhos com olhos, foram como um epitáfio. Um rasgo em tudo o que acreditava. Ou pensava acreditar.

Duas conclusões vieram ao cimo. Duras e tão perfurantes, que se tornaram um todo, na minha existência.

Nada é permanente. O carinho. A candura ou a confiança. São meros grãos de todos os dias. Nunca seremos completamente íntegros, para quem quer que seja! Nada do que façamos, por mais que tentemos ser o que querem que sejamos,  resultará. Haverá sempre mais e mais exigências.

Desiludi. Não sendo o que queria que fosse. E quando mais precisava, a minha condição ficou abaixo do animal.

A verdade dói. Aprendi, sem contemplações. A verdade é o que deveria ser: dor e prazer. Alegria e, acima de tudo, desilusão. Desilusão tão pura e tão cristalina, que marca como ferro em brasa.

 

Nietzsche escrevia, "Aquilo que não me destrói fortalece-me", e eu sou um exemplo disso. Quando o fundo do poço é um destino certo, quando nada é o que parece, voltar a viver e respirar, é toda uma aprendizagem.

Mas, o que aprendi? Que posso eu ter absorvido destas palavras? A odiar. Foi uma das maiores marcas que ficou. E nunca morreu ou se desvaneceu. Deixei de ser hipócrita e tranformei o ódio, por vezes cego e surdo, em força. E como se pode tornar uma droga,  esta emoção! Como se torna díficil controlar a raiva...

Também ficou a sede de verdade e ser verdadeiro. Quando se ouvem palavras como estas, numa encruzilhada de desespero e solidão, resta-nos sobreviver. Muitas vezes dizendo a verdade a nós próprios. Que é o acto mais duro da nossa míseravel existência. A capacidade de sermos verdadeiros. O nosso próprio espelho.

 

Quem me "esmagou" com estas palvras, teve o seu desejo concretizado. Vive, de facto, rodeada de animais. E, coisa estranha, quando por mim passa, baixa a cabeça. Como que proferindo uma oração silenciosa...

Em mim, porque pela dor se limpa tantas e tantas vezes a alma, existem três tatuagens. Uma que cobre a parte de trás do meu pescoço. Outra, a parte superior do peito e uma última, na parte externa da minha perna esquerda. São testemunhos. Marcas que recordam. Quando pressinto que estou a desviar-me do"meu caminho", basta olhar para qualquer uma delas. Saberei o caminho de volta.

Se for preciso,  continuarei a sentir a dor e a marcar o meu corpo. Para me recordar....

 

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