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" ... Rastejou do local onde, nos últimos dez anos, dormira. Debaixo da cama. Ouvindo os roucos e os acessos súbitos. Os movimentos agitados nos lençois. O gemidos sonhadores ...

De dia, arrastava-se pelos cantos da casa. Escravo das sombras e do medo. À noite, arrastado por uma corrente de aço que lhe envolvia o pescoço decadente, era atirado para baixo da cama. Ao pontapé. Ali ficava. A tremer e a soluçar. Em silêncio. No cheiro imundo de fezes e urina. Braços e pernas envolvidos. A escuridão como companhia. Enlouquecendo.

Mas hoje, finalmente livre do colar de ferro, rastejou silencioso e sábio. O corpo esquálido, fantasma pálido num crepúsculo louco, deslizou até à parede, junto à porta de saída do quarto. Que estava sempre aberta.

Deslizou pela parede acima. Até ficar erecto. Realmente de pé. Sem se curvar. Antes de sair do quarto, virou-se para a cama. Ouvindo o ressonar e sorriu. Nos lábios surgiram sulcos fundos. Sangue em liberdade. Fios finos, vermelhos. Misturados com saliva imunda.

 

Vinte minutos depois, sentou-se na cadeira da  sala. À sua frente, em cima da mesa, uma folha branca. Sentia o cheiro do  sabonete no corpo. A água do chuveiro ainda escorria pelos cabelos.

Pegou na caneta e, estranhamente sereno, escreveu. Com um traço de letra surpreendentemente direito e floreado, pormenorizado e bonito

 

Quando a polícia arrombou a porta da entrada de casa, a primeira coisa que viu foi a folha escrita. Com a caneta, colocada de forma perfeitamente reta e  de ponta para baixo, ao lado. Escrevera :

 

"- Ela comeu o meu cérebro. Matei-a. Mas usei primeiro o martelo, para que não sentisse a faca"

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2 comentários

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De anonimo a 14.01.2012 às 18:41

Desafio aceite, presumo ... ?
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De Fleuma a 14.01.2012 às 18:44

Vamos ver ... Vai ser complicado.

Mas, já agora, é a tua vez, minha cara!

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