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Alegram-me, estas presenças em ambas as mãos. Duas armas. Duas facas agudas. Afiadas. Brilhantes. Mas nada temas, não te matarei. Servem para me cravar na realidade.

Porque sei que ponderas eternidade, num qualquer quarto recôndito da tua mente, fechado a cadeado, revelo-me a ti. Através destas armas, revelo-me carne e osso. Mortal. Com um fim marcado.

Se lamento? Não. De facto, por estes dias, nada lamento. Por estes dias, corro atrás de mim mesmo. Absurdo, dizes. Bem sei, mas porque hei-de lamentar? Vivo sem deuses. O meu esoterismo não se revela num catecismo de esperanças divinas, nunca alcançadas. Nada. Apenas começa com uma pergunta e termina sem respostas. Em abrasiva ignorância.

É esta a condição de respirar mais um dia. Cego por uma noite, onde me possa esconder. Porque me apetece, é só.

Homem de vontades. Criatura de caprichos. Abjecto inconsciente. Morrendo à sede por conhecer.

 

Mas que a eternidade não te esconda de mim. Que quero o teu corpo. Esticar-me em ti. Pela tua pele. Até me esgotar. Até que, de novo, em mim deposites a tua condição. E já agora, se não fosse pedir-te muito, deposita ainda e cada vez mais a tua esperança em mim.

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