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Disse-te ... não, afirmei-te com toda a sinceridade, que estaria ao pé de ti. Sempre. Fosse pelo que fosse. Tivesses razão ( e muitas foram as vezes que não a tiveste) ou não. Lembro-me dos teus primeiros passos, pela solidão. As vezes que te ajudei a erguer do chão. Engraçado! Um mendigo tentando ajudar outro ...

Merda, até me lembro da nossa primeira bebedeira! Tão borrascas que estávamos! Nunca mais voltei a rir como nesse dia.

Quando coloquei a gaze em volta do pulso que golpeaste, desejei bater-te. Pelo desperdício humano. Porque tantos merdas respiram e tu querias seguir por outro caminho.

No teu choro, estive lá. Juntos, a um canto. Disse-te que comigo, não morrerias. E tu sorrias e repetias, sempre, que pelo menos só nunca estarias. Por onde eu ia, tantas vezes seguias ao meu lado. Os olhos abertos, uma vontade imensa de aprender. Reconheço, sentia-me menos só. Menos inútil. Até desapareceres ... E, estranhamente, fiquei alegre por ver que finalmente tinhas asas para voar. Afinal, criaturas como nós, nascem para isso, para fugir a uma falsa segurança.

 

Ver-te de novo não estava nos meus horizontes, já o sabes. Sou pouco amigo de esperar certas coisas. Mas que tenhas sequer pensado em ver-me, deixa-me intrigado. Segundo oiço, não sou a melhor companhia. Mas voltámos a estar cara a cara. Anos depois. Vi as marcas no teu corpo. O sorriso no rosto e a solidão nos olhos. Olha a porra da consternação! Há coisas que nunca mudam, não é? E o que fazer, quando me dizes que sabes o que é realmente solidão, desde o teu desaparecimento. E que tens tido os teus dias mais solitários, desde que me largaste a mão e começaste a viver rodeada de muita gente.

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