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Qual é a graça de continuarmos a negar as evidências? Porque razão culpamos sempre os outros pela nossa incapacidade de reagir? Queremos estar cómodos. Somos jovens, estudamos e temos tudo em casa. Não fazemos mais nada a não ser isso, note-se. Culpamos os pais porque nos exigem boas notas! São uns monstros! Que pagam e não têm o direito de exigir nada. A nós! Jovens que só queremos curtir! Temos a vida toda há frente, enquanto a corja de cotas, retrógada e desactualizada, só pensa no estudo. Não nos importa se permanecemos ignorantes. Nem sequer se morremos de ataque cardíaco a "pastilhar". Se chegamos a casa pedrados e a roer os lábios da "pastilha", parecendo hienas imbecis ás voltas. Nada disso interessa. Apenas que paguem as propinas e nos dêem dinheiro. O resto fazemos nós.

Se passamos os vinte, os trinta e até os quarenta, vivendo à conta dos velhos, arrastando o corpo miserável pelos bares e camas de namoradas ou namorados, outros tantos idiotas, entrando em casa depois da hora e assumindo que isso é indepêndencia, apenas temos de culpar os progenitores. Pela nossa incapacidade de reconhecimento. De que somos um pedaço inútil de massa humana! Não passaremos daquilo. Achamos radical, no entanto. Quando entre dentes, os velhos nos odeiam e nos desejam mortos. Com razão, diga-se. Somos um mísero fardo. Um verbo de encher.

 

Negar esta evidência, leva a que se confunda juventude audaz e progressiva com parasitismo. A partir do momento que um parente exige resultados no estudo ou em qualquer outra actividade, desperta logo uma onda de indignação do jovem aspirante ao futuro. Não há direito! É obrigação parental, deixar que o referido ser permaneça um cretino sanguessuga. Preso ao conceito de liberdade gananciosa. Se tal não acontecer, recorro desde já, ao físico, e parto-lhes os dentes! Velhos de merda! Porque razão não deixam que viva a minha vida? E se ficar um esterco "carocho" e agarrado aos copos? É vossa obrigação gastarem até ao último euro para me reabilitarem.

Bem sei que deveria era dar um tiro na merda da cabeça, em vez de ser o torpe pedaço de inutilidade que sou.

Ou então, mesmo dando mais trabalho, tentar ter a minha vida própria. Não deixar de ser jovem radical ou lá que se queira, mas ter orgulho do que consigo. Orgulho! Não falsa noção  de poder. Sem sacríficios não se chega a lado algum. Fala a experiência.

 

Depois temos uma certa estirpe de pais. Supremos artesãos de negação de evidências.

Não exergam o crescimento do rebento. Não acham ser possivel conjugar as hormonas e a vontade de sexo com os estudos. Esquecem-se do seu passado. São vinho de outra cepa, dizem. Agora já não há jovens como antes. Referem-se a si, com certeza. Porque são frustrados e medíocres. Fazem tábua rasa da noção de liberdade. Perseguem e hostilizam todos os pensamentos dos filhos, frustrando-lhes as ideias e as convicções. Transformam a vida destes num inferno ditador de exigências que apenas visam manter o pé asqueroso no pescoço do rebento, que não sabe cuidar-se! Quanto mais tempo estiveram debaixo da alçada mais próximos ficam de se tornar iguais: um absurdo exemplo de raça humana. São assim, incapazes de "dar asas" a quem mais necessita. Os seus rebentos.

 

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