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Para mim existe um oceano de diferenças entre amor e paixão. Tanta gente  associa os dois sentimentos, como  sendo partes de um mesmo todo. Pura mentira.

 

Amor é um beijo suave, morno e  depressa esquecido. Paixão é morder o lábio, rasgar a pele e sentir sabor.

Amor é deixar os lábios entreabertos, em lassidão. Paixão é passar a ponta da língua pelos lábios, em extâse.

Por amor suspiram os poetas e as poetisas deste mundo, enquanto pela paixão se conquista a vontade e o desejo de superar. Talvez amar seja moderar e aceitar. Apaixonar será tomar ou morrer tentando.

Dizem-me que após a paixão vem o amor. Eu digo que mentem. Eu sou um homem  de paixões. Tenho poucas, mas as que tenho estão comigo desde sempre. E todos os dias crescem e todos os dias ardem mais. Amores? Não sei onde estão!

 

Amar é o suave inspirar do artista. A paixão é o arfar do animal. Ao meloso inalar do amor, o apaixonado pragueja e sorve.

A paixão devora e consome. Onde o amor se satisfaz com o toque que arrepia, a paixão possuí e comanda. Talvez seja melhor ficar sob a sombra de um sorriso melâncolico, cabeça para um lado, olhos vagos e pele pálida. Este amar não é paixão.

Os olhos são um espelho  da paixão. A certeza, a fúria e o ódio são frutos doces e tenebrosos de quem se apaixona. Um corte, um fio de sangue... São virtudes de um apaixonado, para sentir a vida. Para sentir que respira. Dominado por amores, apenas se verte uma lágrima, num aberrante torpor. Desejo sem realização.

 

Ama quem olha o companheiro como continuação. Como um continuar da sua monotonia. Amar é preencher o espaço vazio com uma cara e um corpo que se vê todos os dias. Que se deita ao nosso lado e nada mais.

A paixão encontra, todos os  dias, a sensualidade e o desejo no mesmo companheiro. Nada é igual. Nada se parece com o dia antes. Nem que seja num gemido profundo. Num suave roçar de seios. Num apertar de braços em volta do pescoço. Pequenas chamas que incendeiam a minha paixão.

 

Os mártires morrem por amor a uma causa. Os heróis apaixonam-se por causas.

Extremismo é paixão. Mesmo que leve à loucura. Mas, porque quero ser racionalmente amoroso? Não sou um exemplo.

Sentimos amor por objectos. Amamos receitas de cozinha e a última moda em destaque. O amor é o desejo murmurado.

Sentimos paixão ao voltar as costas ao que acham ser o melhor para nós. É o desejo expresso por palavras e actos.

O amor é ódio? Não. A paixão desperta ódios. E se podemos dizer que amar  algo se torna indiferente, não o podemos dizer da paixão. A forma como um apaixonado se consome não deixa duvidas.

 

Ame-se, pois. Em suave estertores de poesia . Porque a paixão é a droga dos que abominam a monotonia.

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