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Retratos do caminho ...


 

Hoje é mais difícil ser indiferente. A faculdade de ser alegre há muito tempo que deixou de ser um luxo pessoal. Mas o pior de tudo é que deixei de me importar com isso. Percebo que não chegue rigorosamente a lado algum. Percebo  a visão de quem deixou de argumentar a favor de manter as aparências. Mas deixou de fazer sentido olhar outros como exemplos. E não sei o que fazer.

 

Por vezes a visão de uma coisa tão banal como um sussurro amigo permite-me sonhar. Deixar de lado, por alguns segundos, toda a distração que me afasta do caminho. Mas depois, alguém se afasta de mim. E volto ao meu estado mais normal.

Não me interessa a sensação de desprimor constante. Irrita-me a minha incapacidade de lidar com várias coisas ao mesmo tempo. Passar de um lado para outro. Olhar para tudo sem uma atenção constante. Faz-me sentir perdido. Que deixo algo para trás. Algo genuínamente importante.

 

O caminho é mais fácil, apesar de tudo: quando consigo memorizar certos gestos de complacente amizade. Memorizar? Mais do que isso, guardar dentro de mim a chama de tamanha preciosidade. Rara e sem preço.

Ou então, um beijo. Eu tenho muita dificuldade em beijar ao de leve. Em beijar de forma breve e despegada. Prefiro não o fazer. Se calhar é por isso que beijo pouco. Mas há uma beijo que me é dado em alturas mais negras da minha vida. Um beijo que me relembra que existem outros caminhos e outros atalhos. Quando os seus lábios se unem aos meus é muito doce a sensação que deixa no meu corpo. Creio que se trata de uma suspiro de vida. Nunca é breve, este beijo. Nunca é suave ou maquinal. É tão profundamente sábio e humano que equivale a toda a medicina desta merda de mundo. E não raras vezes, quando os lábios se descolam, existem neles pequenas gotas de sangue. Não há dor. Apenas sentimento de vida.

 

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