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Temos esta estranha capacidade para sofrer. Em qualquer acto nosso de criação é possivel ver esta nossa "vocação para o sofrimento". Caminhamos em duas pernas, orgulhosos do facto e da certeza de sermos superiores, quando nada mais fizemos do que nos tornarmos frágeis. Sem apoio. Todos os dias me é possivel testemunhar as minhas falhas, que são minhas e no entanto iguais às dos outros. A fraqueza de espirito, a anemia dos conceitos que me foi passada por outras gerações, provém da culpa e da incapacidade de quem me criou. Quem me fez nascer e crescer num  mundo descartável. Para mim, reles criatura que ainda consegue respirar, este foi um património que não pedi. E contra o qual não consigo lutar - mesmo que este ódio cresça todos os dias. Mesmo que saiba que outros também carregam esta peste. Não quero saber. Não me interessam as canções do mundo nem o seu amor destoado. Nunca quis este fardo. E porque é que não termino, desde logo, com a minha existência? Porque me sei perfeitamente capaz de o fazer. E porque me falta esse último passo.

 

Não consigo encontrar, nesta nova realidade, um modelo a seguir. Um único ser humano com quem possa sentir a total proximidade. Mesmo os que se acham mais longe e melhores, rastejam. São como eu: vermes pálidos com medo da escuridão.

Tudo, mas tudo o que desejo é descabido e sem aceitação por parte dos outros. E afinal, são da mesma estirpe! Ainda que se proclamem diferentes. Ainda que se achem acima.

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