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Já deixei de tentar entender. Não tento sequer ser solidário com isso. Pura e simplesmente, não se afigura como uma tarefa racional. Mas a verdade é que existem pessoas neste mundo que conseguem percorrer uma existência inteira, anos a fio de respiração e espaço ocupado, sem terem nada que seja realmente seu. Nada que possam reclamar como autênticamente seu, genuínamente pessoal. Próprio.

Para mim, este é o estado mais degradante da uma vida. Um limbo emocional que é preenchido por outras emoções. Sensações roubadas e aprisionadas como pertença pessoal. Mesmo nunca o sendo.

O descanso e a paz interior é conseguida por efeito placebo: sentindo o que os outros sentem. Ansiando por emoções que não são próprias e nunca o serão.

 

Mas ainda mais desgraçadamente miserável, é que estas criaturas se tornam dependentes dos outros de uma forma obssessiva. Parasítica. O vazio das  suas vidas artificiais cria o drama, a paranónia e a obstinação. Justificam uma vivência amorfa com argumentações sobre factos que não existem. Conspirações e cabalas contra si, que só existem nas suas mentes deslocadas e pequenas. Porque veja-se, a sua solidão brota não de uma exigência pessoal, de uma acção de amor próprio e orgulho, mas de um estado forçado pelas suas atitudes. Estão sós não porque o queiram, mas porque padecem da  ruína mental própria dos idiotas estafados.

 

Nada é seu, realmente.

Não o são os filhos, que crescem e não voltam a olhar para um rosto que envelhece sem o brilho da inteligência de quem obteve algo realmente único. Uma vida de pequenas vitórias pessoais, que se vão transformando num tornado de força. Não, ficou apenas o mero acto  de procriar. Colocar a continuação dos seus genes. Sem qualquer outro desígnio que não seja esse. Mais gente.

Não o são os companheiros. Porque a estas criaturas só lhes estão reservados cinco minutos de atenção. De preferência que fique ele por cima, pois parece que os verdadeiros machos é assim que se comportam: por cima, durante alguns minutos. Fizeram a sua obrigação. Fica o vazio e a  desilusão  de uma vida próxima do fim. Inútil e sem paixão.

 

A irracionalidade desta vida fascina-me. Afinal, sendo eu um devasso fascinado pela dôr e pelo sangue, orgulhoso ( por muito que custe ás pessoas ...) e arrogante, não tenho qualquer problema em deixar que a minha companheira fique por cima! De facto, até me dobro até ao chão por ela... será porque é tão incrivelmente bela? Será pelos cabelos longos e negros? Pelo riso? De onde sobressaem dentes tão brancos que fariam corar de inveja a maior parte das criaturas deste mundo? Ou então, pela sensualidade de um corpo por onde a idade parece não passar; por uma tez de pele e uma grossura de lábios que por  incontáveis vezes já me retiraram do mais espesso dos desesperos... Também pode ser pela sua potente inteligência, já que podemos dissertar Nietszche, Camus ou Sartre com a mesma fluência com que dissertamos sobre orgulho e auto estima. Beleza associada a inteligência. Esta conbinação é o suficiente para que me vergue apaixonado.

No entanto, o caro Fleuma não parece ser muito macho, não. Gosta de ver a companheira no estertor do orgasmo - impensável para certos machos! Tem de ser executado em  cinco minutos e sempre por cima: só tem graça assim. Aborrecido e monótono.

No fundo, pergunto-me: será que alguma destas supostas criaturas que nunca tiveram nada realmente seu,  saberá sequer o que é um orgasmo?

 

Uma vida, existindo. Respirando ilusões sem nunca tentar a mudança. Restando um vazio, nada tendo realmente seu. Apenas paredes e a arrogância de um traste usado. Ainda acreditam que para sonhar não é preciso movimento. Basta ficar estática, em  estado sólido. Criando dramas e conspirações. Amargando por uma época de glória que nunca tiveram.

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1 comentário

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De Ocupadíssima a 01.03.2013 às 13:13

Será? Será Fleuma?
Tenho a solidão, é genuinamente minha. As ilusões e sonhos tambem o são. Mas sim, resta um vazio, um vazio de mim que me rasga e faz-me ser diferente e por isso distante. No entando posso ser absurdamente alegre ou estupidamente triste. Mas serei sempre e absolutamente mal entendida por isso. No entanto ñ gostaria de ser diferente, nada tenho de meu a ñ ser o que sou e disso ñ abdico. Ñ sou antisocial mas comporto-me como tal. Ñ sei socializar, a proximidade do outro é-me estranha pois ñ sei colocar limites.
"No fundo, pergunto-me: será que alguma ... que nunca tive nada realmente meu, saberei sequer o que é um orgasmo? Realmente a resposta estará no futuro...

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