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O sentimento que persiste em mim é saber porque razão insisto em fugir. Não apenas de tudo e de todos, mas pior, muito pior, fujo muitas vezes de mim próprio. E com o tempo a passar, cada vez mais me sinto refém da ânsia de fugir. Gosto de estar só. Cada vez mais. A minha própria companhia alegra-me. Dá-me paciência.

Creio que existem coisas bem piores do que ter por companhia, apenas um pequeno número de pessoas passiveis de admirar aquela escuridão que atraí. Também levei anos a perceber porque me sinto melhor estando só do que acompanhado. Anos!

 

Simplesmente porque a vida é, na sua imensa totalidade e tirando os momentos de um abraço, um beijo intenso apaixonado, uma merda. Não sei como colocar a expressão de nojo que quase sempre povoa os  dias. Tão só como isso. A vida fode-nos a seu bel-prazer. Sou obrigado a viver rodeado de merda extremamente infecta. Dia após dia.

Não me considero uma pessoa particularmente interessante. Só quero o meu espaço, mesmo que se trate de um buraco obscuro e escuro. Não me sinto chama reluzente que possa conduzir a nada.

Mas o que mais me irrita é a minha incapacidade de encontrar grandeza na maior parte das pessoas. Tirando aquele pequeno círculo de criaturas que por muitas vezes demonstraram porque lhes devo prostração.

 

Só posso justifica-lo como uma partida cruel e sem graça da vida. Uma reles piada de uma cabra abjecta. De cada vez que penso que nada pode assemelhar-se a outras façanhas do passado, quando penso que os porcos deveriam ter um percurso de vida curto e útil, a vida volta a bater no fundo do poço. Como se a inteligência fosse rara. E a estupidez é tão grande! Pesa toneladas!!

Então, o que fica? O que permanece e que posso testemunhar  todos os meus dias? Porcos e porcas.

Incapazes de olhar para o céu e viverem uma vida diferente.

 

Porcos e porcas coxos, arrastando-se por corredores da mais mesquinha incapacidade de verem para além do chão por onde arrastam os pés. Respiram por um coração podre e cansado, que ainda assim perde tempo em parar de bater.

Mas talvez seja mesmo isso. Talvez esteja à espera de mais do que deveria. Se calhar a vida até tem a sua piada na forma como nos viola. Senão, como se justificaria tanta merda a respirar?

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