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Por momentos, tudo parece funcionar. Quase se torna palpável um leve sabor a verdadeira existência. Mas, como sempre acontece, muda.

Creio que as conversas denunciam o estado das coisas. Uma sórdida procissão que investe em rotinas e fingimentos. Pequenos artefactos que disfarçam o desespero. Esse desespero que arde e queima, que deixa exausto e vazio.

Talvez eu é que seja realmente louco. Bem posso merecer esse desígnio, mas quando se trocam pedaços da alma por ilusões que desde logo sabemos serem falsas se calhar faz de mim algo um pouco mais, creio eu.

 

Que se possa chamar preenchida a uma vida de anos de companhia podre e atraiçoada por desilusão atrás de desilusões, onde os filhos surgem como uma miserável tentativa de encher um vazio abissal, deixa-me perplexo e ainda assim admiro tamanha capacidade de viver em hipócrisia e em nome de uma suposta e hipotecada felicidade.

Não consigo entender como é possivel viver adiando os sonhos, não sabendo o que realmente significa liberdade pessoal. Nem sequer creio que liberdade pessoal seja uma fuga. Ou sequer resido na ideia de que signifique fazer o que bem entendo. Mas como se pode ser livre vivendo em conformidade com os outros, proferindo as mesmas expressões, ouvindo as mesmas frases e recitando os mesmos gestos todos os dias é pura e simplesmente inálcançavel para mim.

 

Como é possivel sorrir perante tamanha aceitação? Como!!?

Tanta rotina, tanta distorção sensorial e mesmo assim tanto vazio interior

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