Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Por vezes, em raras ocasiões que se manifestam como aparições desfocadas, o sofrimento é como uma canção em estado puro. Não consigo pensar em algo escrito por um punho firme ou trémulo. Antes algo que se descreve a si mesmo. E esse sofrimento é algo visceral, nada mais somos do que seus menssageiros.

O "verdadeiro" sofrimento nem sequer é romântico e aos meus olhos é um mistério absoluto. Escrever sobre ele tem tanto de inútil como impossivel é ver aquela luz ao fundo do túnel.

Habituei-me, como veterano de mil guerras, a acrescentar o sofrimento de outros ao meu. Por mais que pareçam improváveis e deslocados da minha própria realidade, habituei-me a juntar pequenos farrapos de sofrimento de alguns aos meus pedaços de escuridão. Normalmente, a conclusão e sabor que ficam é como  olhar o demónio de frente. Um demónio que ganha sempre. Sempre.

A mim, esgota-me. Abana toda a minha estrutura mental e física. Principalmente, dói como tudo. Assenta e retalha e por isso raramente volto a rir. Torna-se algo tão trágico como levar o próprio cão para um piedoso abate e vê-lo a abanar a cauda enquanto se dirige para o destino.

Tudo, mas tudo estala e se corrompe.

Autoria e outros dados (tags, etc)







topo | Blogs

Layout - Gaffe