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Pelos dias em que olho o espelho e sinto que algo me escapou por entre brechas que sempre me parecem fechadas ...

 

Os olhos tornam-se assentes e duros e deixo que os traços se cravem na minha face, mesmo que seja cedo para surgirem e mesmo que ainda não tenha chegado a idade das marcas de sabedoria. Mas não serve de consolo, porque sempre achei ter mais idade do que a que realmente disponho por estes dias. É coisa de ser precoce mental, mas sinto-me próximo dos 100 anos, tal é a deslocação em relação ao que me rodeia. Por alguma razão que desconheço nunca temi a velhice e sempre afirmei ser muito mais velho do que realmente sou. E sempre preferi os verdadeiramente velhos aos próximos da minha idade. Um fruto duro e velho numa casca serenamente fresca, pensamentos de veterano num corpo que não acompanha.

O cigarro aceso não ajuda nada. E a promessa de uma garrafa de Jack Daniels não serve de conforto perante a falta de riso. Por isso agarro-te pela mão e saio para a rua, vestido do mais negro que possa e usando as botas mais escuras e pesadas que tenha.

Acontece, quando me sinto quase demente, deixar que o vento da estrada me acorde desta velhice prematura. E não raras as vezes, acompanho-te naquele estalar de dedos e suave murmurar musical. Sempre com um cigarro aceso nos lábios e a soltar fumo branco.

 

Nos dias em que sinto que algo me escapou, onde pressinto que não deveria pertencer a estes tempos e a mente se transforma numa velha relíquia, gosto de termirar a minha caminhada naquele bar. Ficar sentado em frente a ti e escutar o piano e a voz rouca do pianista de serviço - um velho e cansado grisalho que entoa o velho Frank Sinatra. Talvez um dia, seja possivel pedir desculpa ao meu corpo pela velhice da mente ...

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1 comentário

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De Eva a 14.11.2013 às 20:23

mudei de cantinho, este é o novo. Mariella

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