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Existem nesta desgraçada raça que se diz humana, dois tipos de pessoas. Aqueles seres, normalmente considerados "anormais". São os que se atrevem, contra tudo e contra todos, a sonhar alto. Pecam porque se revelam inadaptados. Fazem da sua existência uma tentativa de escapar à mediocridade. Preferem estar realmente sós, a mal acompanhados. Preferem o frio e o dourado do outono, quando a maioria prefere o tórrido calor ou a massa de gente que grita, chora, pragueja.

Estes "anormais" nada planeiam e são estranos animais de instintos aguçados. Sentem que são únicos, porque de verdade o  são. Rejeitam e são rejeitados. Sentem como ninguém, mas prevalecem. Agem, mesmo que estejam errados. E continuam a sonhar. Tentar chegar. Questionam e suportam a ralé.

E do outro lado, quais feras raivosas, estão os que nada fazem para mudar a sua triste condição. Estranham quem tenta, porque são ocos e sem uma centelha de vida criativa. Assumem a normalidade e são vulgarmente banais. Jogam com a sua mísera existência, pensando que amanhã será melhor. Mas o amanhã só traz mais e mais do mesmo. Um peso imenso de ignorância confrangedora, que tentam combater com um porte altivo de arrogância mesquinha.

São aqueles que na matilha ficam atrás, circulando e rosnando, esperando que os outros ataquem a presa e a deixem quase indefesa, para depois cravar os dentes cobardes e imundos, no seu  calcanhar, para que esta caía  e possam finalmente sentir-se gigantes na sua pequenez.

Para esta raça "normal" vai o meu ódio mais profundo e sem perdão. Pela sua simples existência se revela onde falhamos como sociedade. Tolerar  esta "normalidade" confonta-nos cara-a-cara com as nossas próprias fraquezas. Com os nossos dilemas.

Mas, verdade se diga, espelha também o colossal fosso entre seres que habitam um mesmo espaço. E a soberba necessidade de realmente ser diferente da ralé. Mesmo onde houver mesquinhez surda e hipócrita, porque incompetente. Ou então, morrer tentando ...

 

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No fundo é isso, não é?

Acordar para algo que não queremos, doce engano

Resvalar onde outros seguiram,

Sorrir onde outros oraram.

 

Desmerecida que está a minha sorte,

Vagueio entre ciprestes feitos mortalhas, da minha alma

E se de novo te avistar, descansa

Não falarei. Olharei ...

 

Fágil está a minha condição,

Em dias amenos de amor, padeço de estranha figura

Ás tuas vestes me agarrei, para te despir

Engano me deste, pois abandonado fiquei.

 

Da minha janela, avistei o mundo

Vi que perguntas ficaram por responder,

Eternas dúvidas, fonte da alma

Esclarecida a sede, mas não o desejo.

 

Desta janela, avisto manchas

Onde deveriam estar rostos,

Nas mãos estranhos sinos

Tocando o meu funeral.

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Noto sempre a surpresa e choque das pessoas que ao sentirem que estão sós, se deixam levar por sentimentos depressivos. Algo insalúbre toma conta das suas vidas. Acham que chegaram a um qualquer beco sem saída. A escuridão assusta. Deixa-as mirradas.

Sinto alguma compreensão por este estado. Acho que em muitos casos, sózinhos, muitos não sabem o que  fazer das suas vidas. Que rumo e que futuro deverão abraçar. Mas porque deveria espantar-me? Nunca procuramos dar um sentido à nossa existência pessoal. Estamos sempre dependentes de outros para algo. Quer para comer, quer para respirar!

Tenho testemunhado, que até para termos auto estima, respeitar o que na realidade somos, estamos dependentes de outros. Passamos anos a ignorar o que queremos. O que somos, realmente.

E eis-nos sós! O que fazer? Muitos escolhem nem sequer fazer essa pergunta. Correm, de imediato, para uma companhia qualquer. Não pretendem conhercer-se. Recusam reconhecer o que realmente são. Mas o que me deixa realmente petrificado, é a necessidade soberana, quando chega esta solidão, de companhia. Mesmo que para isso, tenham de entrar em metamorfose, transformando-se noutra pessoa qualquer.

Ficam, portanto, horrorizados com a percepção de que aquele reflexo, aquela imagem tantas vezes ridícula e anónima, é a sua triste condição. A sua verdadeira imagem.

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Atravessada que está a porta do meu destino, perdi-me nas luzes

Demasiado claras, pois aqui não pertenço

E não posso aqui ficar, repouso teu

De sons e cascatas de sombra, onde não tens sede de mim

 

Se pudesse aqui permanecia, mesmo que culpado pelo que sou

Uma lágrima de amor pediria, em troca da essência que me alimenta,

Debaixo do teu olhar em extâse,

Dormiria, padecer, antes de morrer,

 

Mas onde fico eu, em que posso eu vislumbrar as portas douradas?

Aqui me coloco, sem culpas pelo que sou

Portento daquilo em que me tornei,

Desnorte de uma alma, outrora ressequida, agora apaziguada.

 

O cadeado que te encanta, num novo dia se torna

Em breves palavras, abriste a minha jaula

E sorriste! Livre de me ouvires o uivo

Feliz por já não ser a razão de tua mágoa.

 

Se pudesse, aqui ficaria

Em contemplação profana, mão no teu ventre

Beijo no teu cabelo, onde as túlipas crescem

E nesse cheiro, podia fechar os olhos,

... E sonhar-te, minha...

 

 

 

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Então? Porque esperas? Esta noite é tua! Limpa o rosto do desgosto. Sorve o ar resquício da minha dúvida. Um castigo me aguarda por ser teimoso. Por não temer consequências.

Já não preciso de mais. Tu convidaste-me e eu aqui estou. Besta nocturna,  de sonhos cintilantes. Pego-te na mão. Mostrar-te-ei o que é o Inverno.

Derretidas que estão, todas as esperanças, por um estranho sol malicioso.

Penso em dezembro. Sonho com o brilho da minha estrela. Fria e trocista, assiste-me ainda. Sonâmbulo e em febre. Passeio por ti, triste coração de porcelana. Serás minha, ainda? Na minha palavra, promessas de paz. Aquieta-te por segundos e sorri. De respiração contida, um beijo te atiro. Ninguem por mim passará sem a ti se vergar. Reconhece-me na tua aura. Caminha neste campo de sonho. Nos cardos deste lado, o sangue jorra por ti.

Sou a tua evidência. Solidão por ti ansiada, em horas tardias consumada. E eis-te minha alma gémea!

Tu brilhas, irradias estranho arco de luz. Eu, assomo-te em doce pranto cinzento. Perdoa onde peco. Enches o vazio a que me proponho. Se de frio te falo, doce alma, é porque sei que encontro calor. Dou-te as correntes e o meu pescoço. Pois és senhora do meu andar. Sou tão forte quanto queiras. Dispensa-me e eu retornarei, vestido  de brisa ao teu quarto. Até ao fim do meus dias...

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É necessário que esta loucura venha lentamente. Sei que fraquejo muitas vezes. Dúvido de mim próprio. Se não porque é que só fico calado quando perco as esperanças?

Não deveria, é certo. Mas tenho vindo a odiar progressivamente, esta minha  têndencia para rumar ao Nada. Ódio nem sequer é uma palavra muito forte. Para este misto de emoções, até é um porto seguro.

Estou longe de ser mártir. Não tenho esse rídiculo pretensiosismo! Mas por uma vez na vida, apenas uma vez, gostaria de trocar as voltas a esta vida de merda e arrecadar o fardo existencial de outra pessoa! Não sou samaritano. Mas sei que poderia tornar certas coisas mais brilhantes.

Um sentimento que me tem assombrado repetidamente nos últimos dias tem a ver com o desistir de algo. Acabo sempre com a mesma questão. Que me corrói imenso. Se tivesse de desistir de algo, de que seria? Estranhamente, uma paz assoma na resposta. Desistiria de mim.

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Para ti, neste momento cruel e injusto , sei que gostaria de carregar esse fardo por ti.

Não te abandonarei!

Por agora e porque só vejo tristeza em ti, dedico-te esta canção de uma banda que  tu sabes como venero.

 

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... Por ti aspirei a uma chama que ardeu em gelo

Sem saber, perdi-me no teu passado ...

... Por te desejar, perdi-te

E agora estou a caminho. Procuro a minha luz

 

... Este é o meu mundo, esvaindo-se em branco escarlate

Onde morre tudo o que encontro, sem ti desisti ...

... Sem te ver, já me perdi

Para me confrontar, matei a culpa ...

... E não vi solução, para além da morte!

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Como é fria esta chama, que em  velhas noites  desejei

Por ti, cortei as minha asas, verguei submisso

E vi sempre este fogo frio,

E fiquei para trás, longe

 

Na escuridão queria confrontar a minha culpa,

Não vás!

Ainda aí não cheguei,

 

Vejo-te nesse anel de luz, na escuridão

Através de um vidro, longe de mim

Não notas a minha presença

Nesse local só teu

 

Deixa que chegue a ti, em aparição negada

Os meus lábios estão cerrados, mas chamo por ti

E quando me tocas,

Eu aprendo palavras que antes não sabia,

 

Sou gelo,

transparente,

Que o teu mundo gele,

Meu eterno encantamento,

 

Sinto tanto frio!

Nesta escuridão que me recompensa, em cinzas

Sentir o teu toque,

Desejar conhecer esse amor, que é teu.

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Foi a minha vez de te perguntar  por que caminho segues? Porque não vais por onde eu vou? Apenas vacilaste um segundo. Trémula e sem perdão, seguiste por outras passagens.

Era noite densa, quando decidi seguir-te. Mas na ponta dos meus dedos senti frio. Os meus olhos, sem ver, assustados, chamavam-te. Para nada. Só conseguia ouvir o teu sorrir. Sentir o teu cheiro, nocturno e doce.

Gritei. Chamei-te em fogo. Sempre mais longe de mim.

Onde estás agora? Flor selvagem banhada por estrelas? O teu voo ainda me atrai. Sigo por onde quiseres. Mesmo que isso me leve a nenhum lugar. Sei que este tormento me libertará. Sigo-te ainda ...

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