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Por fim lembrei-me de como devo rir! Continuar a rir sobre as coisas passadas. Rir-me de tudo.

Assim foi, de facto. Lembrei-me do círculo de fumo que te ornamenta a cabeça, quando nadas na tua beleza. Quando, aborrecida, esfregas as mãos e falas de frio.

Sou assim, então. Rude e grotesco ao paladar. Mas o riso é algo que me soa tão raro! Como o oscilar das cortinas do quarto, na brisa da noite. Traz  luz , onde habita o desconhecimento. A felicidade.

Não me rio para a cidade. Nem se pudesse. Odeio quem me pergunta o que não sei. Criaturas mimadas. Risos à força.

 

No espelho, vejo-te. Tão alegre. Tão bela. Tão longe da minha figura. Distorcida e impiedosa com a sua sombra.

Mas obrigas-me a rir. Não, recordas-me o que é rir! Como um doente  saido de coma induzido. Caminhando após anos de inesxistência.

Recordas-me o riso... Mas que  sorriso é este? Que atormenta a minha face distorcida? Inexplicavelmente impróprio de um monstro.

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Transfiguração.

Ajoelhado por uma estranha vontade. Por uma parede sólida de angústia.

Obsessão.

Pela discórdia de sonhar durante o dia, com noites que levam a esta vacilante condição.Não me leva a lado algum.

Hesito.

Banhando-me nas noites de verão. Nas luzes das noites mais escuras, que imagino.

Velho.

Sinto-me tão velho! Encurralado e destroçado. Enforcado, onde outros permanecem. Pendurados.

Cortada.

A minha noção de sanidade. Esperando, ao frio. Onde antes podíamos sussurrar e esconder o rosto.

Avançar.

Não posso mexer-me. Nem sequer avançar. Não consigo carregar com o meu próprio peso!

Passado.

Não existe. Nem presente. Ou futuro. Apenas existo. E nunca mais me vou embora. Nunca mais abandono.

Ódio.

Sinto ódio de mim próprio.

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A que devo tamanha bondade, vossa senhoria? Neste desterro mal amado. Num ninho dourado, por sangue de momentos interrompidos.

Sim, vossa senhoria, tamanha bondade? Porque me sinto inchado por vossa imagem mística! Ao lado da minha angústia blasfema. Por vossa imagem fantasmagórica. Voadora. Pensamentos fantasmas. A meu lado, senhoria. Ao pé de mim.

 

Desconheço esse buraco, senhoria. É estranho, para mim. Pois dá calor e virtude. Ao meu deboche venenoso e desfigurado.

Perdoará, mas prefiro que a minha alma vá por entre as brechas corrompidas. É melhor que se cubra de musgo, pois não vá infecta-la, nobre senhoria. Iria vacilar, com certeza. Não lhe assentaria bem, sabe? Pois seja assim; pela sua ignorante bondade. A minha insanidade, vagabundas orações por um nascer de sol, sem esperanças. Seja assim, senhoria.

 

E veja a catedral que habito: não tem deuses! É apenas para a passagem rápida do tempo, que me odeia.

É como um furacão de morte. Um rio de  sangue que me insulta. E corrói. Afogando a minha vida de tudo o que é realmente bom.

Acha que ainda mereço tamanha bondade, vossa senhoria?

 

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Porquê? O que é que me fizeram? Quem é o culpado que me obriga a isto? A percorrer mais um ano? Forçado a mais um ano!

E porque razão tantos já foram e outros aqui ficam? Sentados num círculo de nuvens!

Baixo a cabeça. Fecho os olhos, ansiosos. Deslocado. Só. Recusando as memórias. Essas pragas!

Reduzo-me a mera substância que respira. Esperando que me enterrem numa quaqluer baía de abandono e excesso.

Nem sequer me tentem com palavras! Porque estou cansado. Exausto de  saltar. De colecionar caixões. Navegar, já morto.

Em estado puro, sou uma maldição. Para mim mesmo! Feito. Forçado a olhar a luz. Desatento, como uma criança.

Mas, tremendo, gemendo, estou em casa. Eu estou em casa.

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Existem canções e cantigas.

Esta  é uma das canções da minha vida. Uma vez mais ...

 

" Chaos rampant,
An age of distrust.
Confrontations.
Impulsive habitat.

On and on, south of heaven"

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Não compreendo nada. Como é possivel tamanha melancolia numa lágrima? É como um desejo imenso de morte. Um rolar traiçoeiro do espírito. Uma corrente à volta do peito, que arrasta para o abismo. Tão próximo. Tão atraente!

Nada posso fazer, sei. Que nesse brotar de angústia eu me revejo. Nesse sal de sofreguidão não se gargalha. Apenas se desprende mais vida. Mais existência mundana. Mais amor cadavérico. Sangue ... tanto despedício.

Se calhar não deveria olhar. Melhor me sentiria. Menos idiota. Inútil. Mas essa lágrima pertence-me. É minha. Mesmo não a compreendendo. Nunca a entendendo.

 

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Louco.

Encadeado por caminhos sem regresso. Nas vozes que avivam a rapidez com que constato. É para sempre que vaguearei.

Não pensando em regressar. Nunca sonhando com a solene suavidade do teu beijo. Apenas os teus braços me animam. Me interessam.

O caminho feito de mãos no pó. Na horizontalidade macaca. Quis erguer-me, para poder sonhar-te alto. Arrancaste-me ao solo. Em garras que sangram, marcando-me como teu. Ouviste a minha voz. O meu chorar rasgou-te a alma. A minha loucura fez-te tão imensa! Tão montanhosa!

 

Estranhas que me afaste deste mundo?

Quando só tu me vês. Só tu danças nua, em volta da fogueira que ateei. E quando apenas tu me cobres as feridas sangrentas, com as lágrimas da tua incerteza.

Posso ir buscar uma noite, trocando-a pelo teu ardor. Posso sentir na tua pele a redenção que há tanto tempo procuro. E chega-me. Nada mais quero. Nada mais me atrevo a pedir-te. Apenas o teu olhar e luz na minha escuridão.

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" Pela paciência e porque me prendes ao chão ... sempre "

 

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Tentar compreender o que me rodeia é pura perda de tempo. Um estranho processo, que nada traz de realmente vantajoso. Assim como tentar compreender por que raio sinto aversão ao que a maior parte das pessoas aceita como benigno. Como algo indipensável ás suas existências.

Antes seria melhor mentir. Dizer que me importo. Que amo tudo e todos. Abraçar quem se julga meu amigo. Quando, no fundo, nada me atrai para essas pessoas.

A impaciência é uma falha. Aceito. Mas não tenho capacidade para certas superficialidades. Para quem respira falsa confiança. E uma suprema falta de respeito por si e pelos outros. Ah! Toco na ferida! Verme depravado! Abjecto indivíduo! Continuo a bater na mesma estaca! Irra!!

Se pudesse, seria eu o primeiro a calar-me. Seria o primeiro a evitar a poluição auditiva. Já agora, primeiro seria eu, a pôr fim a certas sujidades transformistas. Mascaradas em verbos escritos.

E, diga-se com toda a sinceridade, porque se desfazem as pessoas em pedaços, por amor? Corro o risco de me sentirem insencível. Quando é exactamente o contrário. Não seria melhor levantar a cabeça e prosseguir caminho? Em vez de penar pelos cantos?

Talvez eu seja mesmo cruel. Porque não vejo nada de realmente benigno, no amor que se dá a outra pessoa. Muitas vezes em detrimento de nós próprios. Uma entrega cega. Uma ferida sistemáticamente a sangrar. Para depois, muito simplesmente ser riscado do mapa.

E pensava eu ser masoquista! Se calhar sou, mas ao menos sou um masoquista de olhos abertos.

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" (Chorus) Most regular people would say it's hard
And any streetwise son of a bitch knows
Don't fuck with this "

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