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Exprimentar a sensação de plena solidão em dias como estes é um previlégio. Poder pensar apenas em si mesmo, longe dos que nos rodeiam é uma preciosidade que tento manter a todo o custo.

Nunca compreendi a necessidade que certas pessoas têm de se manter em constante companhia. Em permanente movimento de um lado para o outro. De acenderem as luzes em cada divisão da casa por onde circulam. É como um medo irracional de ficarem sós. Um terror antigo, porque ficar só implica muitas vezes o pensamento livre. E nem sempre são pensamentos lindos. São também sonhos feios. De corrompida frustração. Ou fantasia ...

 

Satisfação de fantasias? Interessa-me. Quem disser o contrário, mente. Ou então, nem quando está só as admite. Satisfação de sonhos negros? Talvez usem a inocência como desculpa. Ou qualquer outra virtude aberrante. Creio que se não violentarmos a consciência alheia, nada será realmente improvável. Creio que se conseguirmos destinguir o que é realmente nosso e não dos outros, nada será realmente obsceno. Acredito que nada é verdadeiramente obsceno. Depende apenas da visão pessoal. A obscenidade é arte. E como todas as formas de arte, gostamos ou não. Atrai ou simplesmente deixa indiferença. Um monumento para uns, um aborto para outros. Um insulto para alguns, um cumprimento para outros.

 

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Se fosse humanamente possivel, era assim que resolveria a vida. Uma dose monstra de razão. Morreria de overdose, mas satisfeito. Conheceria e compreenderia. Mesmo que tal soro me matasse. Ou pior, ficasse louco com tal ópio! Seria preferível a viver em constante incerteza.

E seria algum choque eu mesmo enrolar o garrote à volta do meu próprio braço? Nunca! Porque enquanto o fizesse riria de extâse. Antecipando o fim. A satisfação de compreender. Ódios. Amores. Amizades. Amigos. Solidão. Tudo!

Com todo o prazer bateria com a ponta do dedo junto ás veias, para as dilatar. Trauteando música. Feliz.

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Certas recordações matam, decididamente. E certas presenças são  um avivar de lembranças. É profundamente frustrante e ingrato, passar anos a tentar esmagar e enterrar parcelas da nossa memória e num instante, por uma simples presença, tudo desaba. Nada que me envergonhe, admito. Creio que ter vergonha por certas coisas passadas é meramente desperdício. Mas, por vezes lembrar é venenoso. Extremamente amargo. Por certo, retornar a lugares e situações profundamente nefastas.

Mas esta tua presença, mais do que acender memórias é um corte profundo na minha consciência. Dizem-me certos "artistas" de vão de escada, que me devo estar a borrifar para pesos de consciência. Sim, é um facto que  certos pesos de consciência são uma perfeita merda. Pouco importam porque pouco me estimulam. Porém, queres que te peça desculpa? Ou se calhar que admita erros? Quanto à desculpa, esquece. Nunca menti e sobrevivi fazendo-me passar pelo que não sou. Sei que lês o que aqui escrevo há já algum tempo. Como tiveste conhecimento, desconheço. Mas escrevo porque já não consigo falar contigo. Estamos em mundos diferentes.

Pedir desculpa por decisões que tomei e não me arrependo seria patético. Mesmo que fosse só para te fazer sentir bem. Não, terei que viver assim e tu terás de fazer o mesmo.

Quanto a erros, cometi alguns. Aliás, orgulho-me de ainda os cometer hoje em dia. Sempre. Assumi esta falha. Sim,  estou pejado delas. Mas tu regressaste igual. Portanto, também falhas e falhaste. Miserávelmente, se queres a minha opinião.

Não me interessa morrer a recordar passados idos. Foi doloroso e ingrato. Mas não penso que agora importe. Ao contrário de ti, assim parece.

 

Quanto ao facto de ter "endurecido" ainda mais do que era, segundo dizes, prova apenas que nunca me conheceste, de facto. Contráriamente a quem clama sistemáticamente que aprende todos os dias, mentindo com todos os  dentes que tem, eu sou um exemplo disso. Nunca escondi o meu desprezo, o meu amor ou o meu ódio a ninguém. Tu é que estiveste ausente tempo de mais. Infelizmente.

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Os sinais estão lá, claros e precisos. Esta é uma necessidade sem precedentes. Uma vontade de rasgar e cortar. Deixar de ser racional e voltar a as costas ao que assumo ser meu. Substituir esta permanente desconfiança e desapego ao comum das coisas. Por um momento apenas, abrir o peito e aceitar. Confiando. Mas seria insustentável. Abriria brechas, demoliria a muralha e rápidamente seria mais um dano colateral.

 

Esta é minha condição, portanto. Numa dimensão de luzes humanas  e arquétipos de ascensão e salvação, consigo guiar-me melhor na escuridão. Bizarro, de facto. Que seja  mais uma merecida chicotada ...

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São prolíficas, as  palavras: que escreve e escreve em amor ao próximo. Gosta de matraquear expressões e criações irreais. Tem talento, adora

brincar com elas - as palavras. Mas precisa de adulação e veneração, que de facto, um pequeno número de seguidores e seguidoras lhe concede.

Escreve e escreve. Ocorrem de imediato. Sorvendo banalidades e intromissões.

Mas é nas cantigas de cordel que esfrega o ego. Em sílabas e lamentos, recorda como são injustas e torpes ...  certas espécies. Cultiva arrogância e pressunção, disfarçando-se por trás de altares de nobreza altruísta. Não aceita nos outros o que lhe está cozido na alma. Pedantismo escondido. Odiosa máscara.

 

O artista sabe de certas minorias. Dos que não suportam o que escreve. Daquele número reduzido de chacais que lhe fareja a mentira e a dissimulação. Eles têm lepra na alma. Estão podres de inveja do seu talento. Porque tem talento, não? Senão, porque lhe alimentariam os seus amigos a chama egocêntrica e vaidosa?

O artista não acredita nessa minoria de chacais. Não se assume pelo que é. Idiota e cego. E tantas vezes rídiculo!

E portanto, muitas são as suas companhias de palavra. Moldando-se uns com outros. Tornando-se iguais. Vinho da mesma cepa. Pedaço da mesma arte abstracta.

Assim derrama estranhos portentos verbais. Inventando escuridão e universos onde nunca penetrou. Apenas pode sonhar. Escreve solto e audaz, mas perdido como um cão sarnento. Cego e ás advinhas. Apalpando, ignorante e sem pinga de originalidade, o artista imita.

 

Ah, o artista tem sempre companhia nos desamparos! Elogios melodramáticos e mãos para coçar a  sarna da sua criatividade! Que uma reles corja de descrentes duvide, é lá com eles. São uma abominação ás suas ilusões. Ele é que sabe. É o grande criador de arte absurda.

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Algum dia voltarei para lá. Para onde posso permanecer absorto e em escuridão. Sei que posso  descansar. A tragédia é que não consigo esconder-me de traições e mentiras. Tenho presente que nada possa substituir estes momentos. Creio que se trata de uma mal necessário. Para que continue a saber soletrar o meu nome e afastar-me do abismo. E odeio, tanto! Que nada disto sirva para me consolar.

 

Estou armado. E não posso negar que estou pronto, para deixar escorrer por estas veias este doce torpor de afirmação e profunda certeza. Sei como me chamo e porque anseio sentir esta escuridão.

 

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Não morro de amores,

 

por quem julga tudo saber, mesmo do que não lhes diz respeito.

 

Não morro de amores,

 

pelos que caminham lado a lado,  de mãos dadas, tremendo na escuridão da noite.

 

Não morro de amores,

 

pelos que se orgulham de uma vida vivida em mediocridade, assumindo que isso é modéstia e simplicidade.

 

Não morro de amores,

 

por conselhos dados por iniciados na arte da falsa  compaixão.

 

Não morro de amores,

 

por quem sussurra quando deveria gritar.

 

Não morro de amores,

 

por quem acha que a humilhação é o melhor caminho para a libertação.

 

Mas acima de tudo, nunca morrerei de amores

 

por quem tem a memória curta, ignora evidências e possuí uma piedosa quantidade de vazio na consciência.

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Sou egoísta por opção. Não por nascimento. Escolhi ser egoísta, por oposição à habitual tralha dramática e socialmente aceite do pomposamente chamado altruísmo.

Vivo numa sociedade que se alimenta e bebe de influências passadas. Com séculos de maquinação e imposição de preceitos dogmáticos. Fui habituado, desde que nasci, a ver o egoísmo como negativo. Ser egoísta é apenas pensar em mim próprio. É não ser solidário e desejar apenas o que me interessa. Forçaram-me a agir de acordo com um facto: devo passar a minha vida a preocupar-me primeiro com os outros e apenas depois, comigo próprio. Ou seja, pelo resto do colectivo, devo deixar que a minha integridade e individualidade seja desprezada e lançada no caixote do lixo.

 

Mudei. Tenho vindo a esforçar-me para mudar. Apenas quando comecei a pensar realmente em mim, é que deixei de ser escravo do que me rodeia. E para essa efeito, escravo até das minhas obsessões.

Ser egoísta é apenas e não só pensar em mim. Mais importante, é dar primazia ao que amo. Ao que dou importância. Assim, serei criticado, mas eu dou relevo e importância a um determinado numero de pessoas e suas respectivas acções. Em detrimento do global.

O altruísmo implicaria que em nome de um rebanho inteiro eu deixasse uma ou duas criaturas ao abandono. Afinal, de que servem individúos isolados em relação ao grupo? Não comigo, lamento. Se eu tivesse hipótese de salvar apenas um lado, a pessoa(as) que amo ou um outro, uma comunidade inteira de criaturas que desconheço e que nunca me trouxeram qualquer paz de espírito, não hesitaria. Seria egoísta e colocaria quem amo em salvação. Não sou altruísta. Não acredito nesse conceito.

Egoísmo não é apenas querer ter mais e muito mais. Este é um conceito difundido por religiões e governos, para manter uma cultura. Ser egoísta e pensar por mim. É dar valor ao que eu acho importante. Assim respeito os outros e a mim próprio.

 

Sou egoísta por convicção. Dou valor ao que acredito. Sou leal e íntegro com as minhas ideias. Quero proteger quem é importante na minha vida. Se puder ajudar quem tem um valor inestimável para mim, assim farei. Mesmo que me seja pedido o contrário. Se tiver de escolher entre salvar um ou doar dinheiro para salvar muitos, escolherei salvar quem amo.

Sou egoísta, de facto. Porque vivo por convicções realistas. Não por sonhos de altruísmo mentiroso e irreal.

Depois, note-se, eu não me sacrifico se salvar quem amo. Antes pelo contrário, sinto-me feliz e realizado. E deixo outra pessoa feliz. Este desejo de salvar alguém que se ama e que é importante para nós é profundamente egoísta. Mas será errado?

Por ordem do altruísmo, o meu primeiro pensamento quendo me ergo será como irei eu ser útil à sociedade? O que fazer para servir a comunidade? Acima de mim, estão os outros. Se calhar, até no cão da vizinha tenho de pensar primeiro!

Pelo meu egoísmo, ao erguer-me, asseguro-me que quem me ama e o demonstra todos os dias, se encontra bem. Protegida e forte de espírito. Procuro a sua companhia e dou tudo o que tenho. Dou importância ao meu e ao seu bem estar pessoal. Quem não conheço ou nunca fez nada por mim, não importa.

O meu trabalho e as minhas convicções, pode pensar-se são para servir a sociedade. Não. Servem um outro princípio. O meu. Só meu.

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A fábrica da vida criou-nos por pura e fria crueldade. Subverter e adiar a verdadeira essência do que somos: escuridão. Como criaturas sonhadoras que somos, tentamos estabelecer regras de aceitação. Impôr um lado aceitável pelo resto. Por psiquiatras e por médicos diversos, tentamos estabelecer fronteiras a um primado que nunca se alterou. Nunca podemos dizer que conhecemos o outro. Se nem sequer a nós mesmos concedemos esse luxo. Já desisti de justificar porque preferia viver entre ratos a subsistir entre ovelhas. Porque prefiro o trilho do chacal ao alegre saltarico da gazela feliz e despreocupada. Se fosse possivel, viveria uma vida em apenas um dia. Tal me parece o infortúnio dos que se julgam videntes só porque acreditam na religião humana.

 

Se quiseres carrego-te ás costas. Se isso servir para que me vejas como sou.

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