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Aversão por um amontoado de gente? Culpado.

Pequenos prazeres como a solidão da escolha, de escolher quem eu quero que me acompanhe e a quem eu pretendo dar a minha paixão? Eu. Culpado.

Que não oiça a música que outros cantam, que não lastime o desejo de me afastar desta rotina que mata lentamente, volta a fazer de mim, apenas eu, culpado.

Pequenos prazeres. Culpado.

Como o fixar do olhar no grosso fio de cabelo que teima, teima sempre, em  escorrer pelo meio da tua testa. E tu, despreocupada mas sistemática, voltas a pô-lo para trás.

Culpado.

Como sussurras ao meu ouvido, convincente. E porque és sensual , porque não o fazes de propósito, apenas nasceste assim, enrolas a tua perna na minha. Depressa trepas por mim, suspensa. Agarrada ao meu pescoço. Vencido, vergo, o mundo torna-se num lugar quase desejado.

Culpado. Eu. E tu.

 

A culpa. A minha. Vivo com ela. Há anos.

Mas não a carrego só. Isso foi antes. Não agora.

O fardo da culpa tornou-se díspar. Mesmo que me parta as costas, não me rasga a consciência. Mesmo que assome à superfície, vinda da catacumba a que a condenei, depressa afogo a culpa. E pelos teus olhos, consigo guiar-me. Mesmo estando escuro. Breu aterrador. Brilhas.

 

Culpado, eu.

Perdi a fé em quase tudo. Consigo afirma-lo sem hesitação. Consigo ter esta certeza.

Mas não em ti. Não em mim, receio. Continuo a viver, não é?

Dizem ser um milagre, ter sobrevivido. Tolice. Foi antes pela tua mão que me ergui. Foi pela força que em mim depositaste. Tão grande!

Que em mim ainda se alimente este monstro desalentado e desalinhado com a vida, também morro de vontades. E quase te consumo vorazmente. Mas retenho-me, penso. Se o fizer, não mais será necessário respirar. Porque tu não estarias aqui.

Não...

 

A minha lei, escrita por mim em plena consciência e vontade dita: primeiro eu. Eu devo desaparecer primeiro. O contrário é uma abominação.

Abominação onde não entras. Não te deixo entrar. Nunca. Se calhar poderias trazer a tua luz e dar sentido a esta abominação.

Nunca. Primeiro devo desaparecer eu.

 

Culpado. Assumo. Eu.

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Nada me fascina mais do que uma personalidade transversal. Personagens com apenas um sentido e dimensão, tornam a vida num inferno.

A capacidade de surpreender é uma caracteristica única. E estas raras pessoas são um benção. Nada do que fazem ou dizem é predicado para antecipar gestos ou discursos. Tentar prever o que seja é um tarefa morosa e trabalhosa. Por isso mais saborosa.

Movimentam-se com serpentes e não se arrependem de discordar. São fáceis de reconhecer, porque são raras e valiosas. Reconhecem-se pela paixão com se debatem e acreditam. Expõem as suas próprias fraquezas e forças de igual forma. Não temem a crítica, porque não existem criaturas perfeitas. Apenas piores ou melhores.

 

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É mais fácil falar de escuridão no conforto do lar. Escrever primores sobre a paixão pelo frio e chuva, no conforto de uma cama. Dentro de casa tudo se torna possivel.

Mais díficil se torna conviver com isso. Mais incapacitante se torna, quando nada do que parece realmente é.

A existência deveria ser um quadro em branco. Ser possivel apagar memórias, factos e desilusões. Poder começar de novo. Pouco adianta que digam o contrário. Não é possivel recomeçar nada do zero.

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" Entra, a eternidade espera-te,"

Disseste-me, num sussurro respirado. Sozinho, segui-te. Mesmo antecipando a minha derrota. Nas tuas palavras.

Descansar. Preciso de dormir. Descansar e morrer. Apagando a única falha que nunca consegui ultrapassar. A minha própria voz.

 

Um beijo teu, frio consolo. Mas respiro, porque respiro ainda?

Seguir em escuridão. Porque os dias dexaram de ser brilhantes e a noite chama. Graciosa. Mendigando a minha companhia.

Não vejo. Eternidade é isto? Solidão invernal? Desespero sem morte?

 

Já me calei.

É quase meia-noite. Ou não? Quero que me digas. Pela tua voz. Por tuas palavras.

Não é próprio que chore. Não. Não, quando quero dormir.

Dá-me asas. É só. Mesmo que de insecto sejam. Não me envergonhes, solta-me.

Mata-me.

 

Porque me encantas com essa canção? Diz.

Porque me inventas de novo? Fala.

Eis porque me abomino. Da prisão onde estou só resta isto.

Abominação. Numa concha de lembranças.

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Para mim existe um oceano de diferenças entre amor e paixão. Tanta gente  associa os dois sentimentos, como  sendo partes de um mesmo todo. Pura mentira.

 

Amor é um beijo suave, morno e  depressa esquecido. Paixão é morder o lábio, rasgar a pele e sentir sabor.

Amor é deixar os lábios entreabertos, em lassidão. Paixão é passar a ponta da língua pelos lábios, em extâse.

Por amor suspiram os poetas e as poetisas deste mundo, enquanto pela paixão se conquista a vontade e o desejo de superar. Talvez amar seja moderar e aceitar. Apaixonar será tomar ou morrer tentando.

Dizem-me que após a paixão vem o amor. Eu digo que mentem. Eu sou um homem  de paixões. Tenho poucas, mas as que tenho estão comigo desde sempre. E todos os dias crescem e todos os dias ardem mais. Amores? Não sei onde estão!

 

Amar é o suave inspirar do artista. A paixão é o arfar do animal. Ao meloso inalar do amor, o apaixonado pragueja e sorve.

A paixão devora e consome. Onde o amor se satisfaz com o toque que arrepia, a paixão possuí e comanda. Talvez seja melhor ficar sob a sombra de um sorriso melâncolico, cabeça para um lado, olhos vagos e pele pálida. Este amar não é paixão.

Os olhos são um espelho  da paixão. A certeza, a fúria e o ódio são frutos doces e tenebrosos de quem se apaixona. Um corte, um fio de sangue... São virtudes de um apaixonado, para sentir a vida. Para sentir que respira. Dominado por amores, apenas se verte uma lágrima, num aberrante torpor. Desejo sem realização.

 

Ama quem olha o companheiro como continuação. Como um continuar da sua monotonia. Amar é preencher o espaço vazio com uma cara e um corpo que se vê todos os dias. Que se deita ao nosso lado e nada mais.

A paixão encontra, todos os  dias, a sensualidade e o desejo no mesmo companheiro. Nada é igual. Nada se parece com o dia antes. Nem que seja num gemido profundo. Num suave roçar de seios. Num apertar de braços em volta do pescoço. Pequenas chamas que incendeiam a minha paixão.

 

Os mártires morrem por amor a uma causa. Os heróis apaixonam-se por causas.

Extremismo é paixão. Mesmo que leve à loucura. Mas, porque quero ser racionalmente amoroso? Não sou um exemplo.

Sentimos amor por objectos. Amamos receitas de cozinha e a última moda em destaque. O amor é o desejo murmurado.

Sentimos paixão ao voltar as costas ao que acham ser o melhor para nós. É o desejo expresso por palavras e actos.

O amor é ódio? Não. A paixão desperta ódios. E se podemos dizer que amar  algo se torna indiferente, não o podemos dizer da paixão. A forma como um apaixonado se consome não deixa duvidas.

 

Ame-se, pois. Em suave estertores de poesia . Porque a paixão é a droga dos que abominam a monotonia.

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A maior e mais profunda manifestação de carinho e reconhecimento que recebi nos últimos meses veio de uma pessoa, que após partilhar uma experiência única, esticou a sua mão para minha. Apertou os seus dedos nos meus e inclinando-se, beijou-me a testa.

 

Não foram precisas quaisquer palavras.

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Essa estranha vontade de em tudo acreditar. Esse estranho fardo que é, penar por outros. Rezas e peregrinações. Afastar maus sentimentos à força de comungar abstractos.

Será pouco elegante dize-lo, mas encaro certas criaturas como prostitutas morais. Por um preço certo, normalmente a perca de livre arbítrio, vendem-se alegremente. E como quaisquer boas prostitutas tudo aguentam. Pancada e  maus tratos até ficarem de joelhos. Assim se arrastam em sofrimento. Assim se satisfazem a si e a outros.

E é possivel cheirar a podridão nelas. Tresandam a corrupção e humilhação. O cheiro da depêndencia é tão pungente! Basta caminhar no meio do rebanho para inalar a fragância ...

 

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Esperança.

 

Parece fútil que me repita. Que esta esperança, tão pequena luz, dependa de ti. Que em ti encontre quem me dá esperança. E como consegues? Desprendes esperança em cada carícia. Em cada gesto, por suave que seja. Mas, enfrentando tantas vezes a minha razão, esperança em palavras.

 

"Amo-te como és. Estou ao teu lado e sou maior do qualquer dôr que sofras."

 

Repito até não poder mais. Não te mereço!

Não por incapacidade de encher o meu corpo e mente contigo, mas porque sei que tens razão: és maior do que qualquer razão que eu possa ter para morrer. Ou viver.

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Tantas são as vezes que se professam ideias e crenças, que viver em oposição é praticamente impossivel. Não deveria haver qualquer necessidade de explicar como se dá mais valor à existência individual quando passamos por períodos de privação. Aceitar certos agentes de tormento parece ser estigma. Ou antes, estranha inclinação humana. O sofrimento é mais depressa recordado do que os dias felizes o são. Mesmo que se discorde. Os dias felizes fazem certas pessoas sorrir. Sim, aquela doce sensação de candura. Os dias de sofrimento marcam. Deixam espaços negros e ficam permanentemente fundidos na alma. Pelo menos comigo.

 

Comparo muitas das situações vividas e que frequentemente ainda vivo, com olhos extremamente atentos. E nos dias de sofrimento - chamem-lhe aberrante dom - é muito fácil sentir como a vida é: um ferrolho que quando aberto se revela implacável. Eis pois certos  dias. Há quem os compare a um fogo que arde sem se ver. Pois queima e rasga. Também existe quem se  deixe levar, por uma noção de impossibilidade de lidar com isso. Eu? Em certos dias, quando nem em escuridão consigo pensar, sinto-me como que em união. Um unir a uma lâmina. Conheço quem me diga que pelo gume afiado se liberta a dôr. Creio que sim. Que o sufoco se  torna mais suave, quando rasgo certas convicções.

 

A dôr é vida. Após um pico de dôr, olhamos para o mundo de outra forma.

Talvez os dias de feclicidade sejam o que todos ambicionamos. O problema é que mesmo quando exprimentamos a felicidade de um sorriso sincero ou de um acto generoso, há uma escuridão interior em nós. Que professa a necessidade de estarmos atentos. A felicidade é uma migalha. Coma-se. Consuma-se rápidamente! Esteja-se preparado, pois a dôr está à espera.

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