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Paraíso,

 

uma estranha maneira de pensar no fim, num final de vida. Uma forma harmoniosa de observar o pôr-do-sol de uma existência inteira.

Para quem encontra consolo nesta noção, será de louvar que ainda persista em encontrar alegria em respirar mais um dia. E outro. E mais outro. Sempre com a aparente certeza de que a cova que se aproxima não será mais do que um patamar para algo muito mais grandioso. Um voltar as costas ao sofrimento e à desilusão dos dias que correm.

Dizem-me muitas vezes ( tantas que já nem sequer me dou ao trabalho de  as contar ) que acreditar neste lugar de utopia serve de consolo para muitos males. Uma droga com efeito placebo para aliviar o tormento da morte. Do nada absoluto.

Um paraíso de luz onde escorre o leite e o mel. Um renascer para outras vidas. Eternidade, mesmo que em estado vegetativo. Se possivel fosse, por muito real que pudesse ser um conceito assim, imagine-se um eternidade em extâse e sensualidade. Um tempo sem fim, onde não houvesse dores nem fraquezas. Porque no paraíso tudo seria belo e harmonioso. Ninguém sentiria ódio ou rancor. Apenas amor e ternura, incapazes de reconhecer o lado salgado e amargo da existência.

Já imagino, uma eternidade em estado de felicidade absoluta. Almas em torpor absurdo, sem nada para temer ou contra o qual combater.

 

Com todo o tempo do mundo para ficar louco ...

 

Inferno,

 

um mundo criado à volta de reis e raínhas que nos deixam cegos. Sem sonhos.

Idiotas acotovelando-se uns aos outros, em busca de um raio de felicidade que não existe. Aqui existe  o conforto da escuridão, da sabedoria adquirida pela vontade da morte. De morrer e terminar, abraçando o nada absoluto. Já não interessa atravessar os portões dourados, banhar-se nas cascatas preciosas, apenas colocar um fim nesta existência.

Mas o inferno é também feito de vontades. Onde é que descarrilam o ódio e o pranto? A fúria das emoções? A ânsia de sobreviver? Porque razão tentamos encontrar a resposta nos exterior, num qualquer lugar de fogo e enxôfre, deixa-me perplexo. O inferno é nosso. Está dentro de nós, a arreganhar os dentes no escuro.

 

Mas, contrariamente à invalidez do paraíso, eu posso, com apenas um golpe, terminar com uma existência de inferno ...

 

 

 

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Já fazia sentido visitar lugares e pessoas que há muito não via. Por incrível que pareça, sigo sempre com um nó na garganta. A anticipação do que poderei encontrar, a falta de qualquer noção sobre aquele local ou pessoa que há muito nada sei, deixa-me sempre aturdido.

Quando chego ao local que pretendo recordar tento abrir os sentidos, cheirar algo familiar, ver qualquer coisa que me desperte a recordação. No fundo, tentar ver a luz no escuro. Se tal não acontece, tento não naufragar em divagações. Quero redescobrir o que há muito deixei para trás. Na maior parte das vezes não consigo. Permanecem as recordações, desilusão perante a realidade que encontro.

 

Se visito uma pessoa que deixei de ver por tempo suficiente para que as suas feições, actos ou atitudes se tenham tornado geladas na minha consciência, o sentimento é ainda mais profundo. Não faço planos, nem sequer tento imaginar como será ou estará. Tento limpar as noções e recomeçar de novo. Como se fosse pela primeira vez. Nunca deixo de me surpreender, tão certo como estar vivo. São muitas as vezes que certas pessoas se revelam plácidamente na mesma. Não são diferentes do que eram. Continuam a julgar-se infinitamente melhores do que são. Permanecem no mesmo estado vegetativo de incapacidade moral. Acho-as em estado de natureza morta. Em decomposição.

Outras adquiriram um fulgor, um brilho escondido. Há algo perturbantemente salutar no seu olhar. Cada palavra, gesto ou trejeito é genuíno. Até no café que oferecem!

É nestas alturas que eu me sinto verdadeiramente em casa. Cúmplice e completo.

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Testemunho vital de vida é o sangue. Não pretendo explicar porque me fixo no sangue. Porque me fascina essa cor púrpura. É vida, dizem. Uma redundância, para mim. É muito mais do que isso. Não seria por acaso que os antigos guerreiros bebiam o sangue fervido dos seus inimigos. Talvez venha daí  o desejo vampiro. Talvez seja isso. Beber  sangue, ter vida.

 

Para mim é diferente. O sangue é a mais pura e verdadeira aproximação à vida e à morte. Um mero fio deste líquido pastoso, que escorra por tempo em demasia, condena a uma morte lenta e dolorosa. Ou então, um fio desta nata viva entrando no corpo, pode salvar uma existência.

Vejo-o muitas vezes como dôr. Bem-vinda. Um pouco à imagem de uma tatuagem. Já vou na quarta marcação física, acabadinha de terminar. Por entre o véu de transpiração e dôr, fascina-me o tom tinto do meu sangue. E depois de limpo com um pano húmido, a revelação da obra esculpida na minha carne transforma-me no que realmente quero ser.

 

Cada marca é uma recordação, para mim. Não se trata de uma moda ou mera tolice infantil. É parte de mim. Sou assim. Eu. Não brutalizo a minha carne apenas por que quero parecer cool. O sangue que escorreu durante esta obra de arte vai ficar como recordação de algo mais profundo e marcante. Ainda mais nítido do que as marcas que sulcam os meu braços.

 

E, coisa estranha e quase transcendental, ao ver-me completamente nú ao espelho, quando me virei de costas e abri os braços para me ver, sem remorsos ou obstáculos, senti que sou capaz de conquistar o mundo! Que afinal não sou tão grotesco como penso.

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Shameless intercourse with brutality





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 Delírios da sanidade ...

 

Stigmata, tantas dores para quê? Apresso-me a pensar que as feridas de certos profetas apenas serviram - ou servem, se quiserem - para prolongar a nossa triste situação. Não servem a sua causa última e realmente verdadeira, a demonstração cabal de humanidade. De que os profetas são também feitos de carne e osso.

Ou se calhar, não. As feridas, dores e sangue, os próprios pregos espetados, foram a revelação da mais profunda insurreição contra algo supostamente acima da humanidade.  Que nos condenasse à imperfeição, à mácula da alma é algo que nem sequer deveríamos temer. Afinal, sempre fomos forçados a tudo. Sempre tivemos a necessidade de engendrar a nossa própria derrota. A nossa própria dependência. Não somos perfeitos, claro que não. Por isso criámos um deus. E na nossa frustração, na nossa incapacidade de aceitar o que realmente somos, carregamos este fardo feito de feridas que nunca  saram.

 

Desejo  que, morras! Sinceramente, é impossivel que eu não me acomode a esta manifestação de despudor e ódio. Este desejo ferrado na mente. Naquela parte escura, na nossa escuridão. Mas se calhar, bem cá no fundo, desejo de morte é libertação. Quem sabe? Se o caminho está pejado de ofertas  recusadas, então morra quem se recusa a aceitar como inevitável que mais tarde ou cedo iremos desejar que alguém desapareça da nossa frente.

Creio que estou mais aliviado e sábio, não? Porque o que é que realmente preenche a nossa existência? Duas pedras no sapato. Duas ofensas que não vencemos: 1) lutar com todas as forças contra o facto-verdade-realidade algures de que alguém deseja(ou) a nossa morte, plenamente convencida(o) de que estamos a mais nesta merda  de planeta; 2) não aprendemos a aceitar o facto-verdade-realidade de que a morte traz descanso. Porque nos custa tanto a aceitá-lo? Ultrapassa-me.

 

Venerar, um anjo que fume. Que pura e simplesmente se tenha cansado de procurar respostas e finalmente encontre deleite numa garrafa de vinho. Bêbado, daria apenas para voar em círculos. Um anjo envergonhado com a sua própria condição superior.

Venerá-lo por que se acharia louco. Tolo e incapaz de responder. Na aproximação do fiel que reza de joelhos, o extâse do anjo seria substituido por um imenso vómito. No vomitar a dor e o desapontamento, afinal também se vomita do céu.

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Redenção, deixem que vos fale sobre ela. A minha redenção.

Acontece todos os dias, desde que me lembro. Muitas vezes tem de ser cuspida. Tem de ser expulsa do interior. Numa estranha forma. Na forma  de uma canção de emancipação. Pelo menos para mim e não temo escrever-vos, que é muitas vezes o que tenho de realmente meu.

 

Redimir-me  significa matar todos os meus profetas. Crenças, medos e impaciências. Porque muitas vezes custa, ficar apenas a ver. Sem nada poder fazer. Tal é o preço da redenção. Matar para encaixar. Muitas vezes deixar de sentir, em nome de uma redenção que tarda.

É impiedoso chegar à conclusão de que tudo o que nos ensinaram na escola é mentira. Não somos livres. Nunca somos realmente livres de senhores. Mesmo quando a nossa mão não treme e achamos ser senhores dos nossos actos.

 

E se alguém afirmou que para a redenção total temos de cumprir os designios do Livro, então onde fico eu? Sem profetas ou deuses?

 

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Já quis ser muita coisa. Já pensei ser muita coisa. Mas nunca o que era esperado por outros. Eis um perfeito mar de desilusões para os que tanto esperavam ver em mim! Aqui, nesta desilusão, a melhor estrada para os que depositaram esperanças ou sonhos em mim. O melhor caminho para que se retirassem. De costas voltadas.

Algures na consciência alheia, alguém achou que me converteria. Achando, agiu. Fracassou. Um dos grandes golpes que dei e recebi. Total falhanço.

Não vi luz alguma. Escuridão, tão só.

Aos que me apontavam caminhos, tão certos e sempre em linha reta, revoltei-me. Convencido que existem outros percursos. Errei, ainda o faço. Mas ainda assim, mais um duro golpe. Mais desilusão e amargura. Poder para a alma. Anarquia.

 

O que resta? Hoje e sempre? Amigos! Sim! Mentira!!

 Longe disso. Ninguém é realmente amigo sem concessões. É a natureza, até aqui nada de realmente novo.

Mas que não se pense que me arrasto pelas paredes da angústia. Que não se pode encontrar conforto na solidão e na escolha de um pequeno número de pessoas em quem realmente confiamos. Tudo o resto é apenas acrescentar peso desnecessário.

 

Anarquia, tem sido algo muito presente desde muito cedo. Desde a incompreenção dos que me rodeavam, aos que juravam amor fiel, intolerável. Não se podem medir as pessoas. Muito menos quando estão habituadas a destruir e reconstruir de forma metódica. Veja-se, quando nos esbofeteiam e afirmam: Não tens futuro! Apenas três palavras, um mar de destruição sem piedade.

Mas com estas palavras cresce a fúria. O ódio cego. Contra nós e contra os outros. E num espasmo de tempo ( anos, meses ...), estudamos até á morte. Trabalhamos e crescemos. Como crescemos! E por cada vitória, por pequena que seja, queremos mais. É um pouco como depois de recebermos um soco na boca; eu já recebi alguns e também já retribuí  com todo o prazer! A boca sangra, escorre para a roupa e o  sabor "metálico" do meu próprio sangue aumenta a adrenalina de tal forma, que eu só descanso quando quem o fez já não se levante. Ou então seja eu, que não me levante.

É um pouco isto, o que me transforma, o que me alimenta a falta de futuro. Sou um destruidor e construtor metódico. Apenas isso.

Uma ferramente afiada.

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Pensamentos ao acaso ...


 

 

Sobriedade, seja evitar parir  esta maldita vontade de queimar tudo o que não domino. Ou aceito. Já não chega recorrer ao fulgor de uma palavra. Não pode ser apenas  isso! Tem de haver mais qualquer coisa.

Permanecer sóbrio determina recorrer ao sorriso? Gozar o mundo significa olhar-me como não sou. Mas, onde está então, o factor surpresa?

É precisamente aqui que reside a sobriedade da coisa. Ficar sóbrio é aceitar as coisas como são. Uma merda!

 

Alegria matinal, na viagem de comboio que fiz naquele dia. Maldito dia!

À minha frente, o senhor felicidade matinal  estampada no rosto e na existência; porque este mundo é para ser vivido e gozado! Falava e murmurava, para uma senhora também ela recheada de alegria matinal. Sorriam e espalhavam amor. Tudo se irá compôr. O mundo é lindo e ... que belo ar se respira por aqui! Quase pareciam dançar. E os seus joelhos sempre a baterem nos meus ...

Mas eis que o senhor alegre olha para mim. Mesmo através dos óculos escuros pressente como me irrita e maça. Algo que não pensava ser possivel. Afinal, a alegria é contagiante, não?

Assume uma expressão de bebé chorão. Faz um  estranho lábio e toda a sua cara mostra a  desilusão.

Então, como é possivel que eu não esteja feliz numa manhã como esta? Porque raio existem sempre pessoas que não se deixam contagiar? Ele ali tão feliz, tão disponível e eu com cara de poucos amigos. E ainda para mais, mal educado, sem tirar os óculos de sol!

Não é justo! Assim não vale! O mundo fica melhor com um sorriso e muito amor, raios!

E eu: ...

 

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Delírios de um alucinado ...

 

 

Arrasto os pés nas areias de um sul solarengo

Mas tenho a cabeça presa ás montanhas do norte

         

Botas arrastando-se pelo pó do sul

Enquanto a cabeça dorme nas  montanhas do norte

 

Os teus olhos aprisionam

Creio que preciso de ajuda, sinto-me tonto

 

E continuo a pensar na tua noite, imaginando o paraiso

Permaneço artefacto, teu poiso para voar na escuridão

 

Ontem à noite vi-te nua

Pairando por cima de mim

 

Estavas nua e ouvi que murmuravas um encantamento a um lobo

Que uivava para uma lua manchada de negro

 

Onde está a minha cabeça?

Onde!? ...

 

 

( Fucked up drowsiness ...)

 

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