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Chega a ser absurda a necessidade de preencher os dias de solidão com coisas e pessoas. Em vez de aceitarem estar sós como uma suprema necessidade que, em vez de significar rejeição ao mundo, seja antes uma forma de abstracção como qualquer outra, deixam que se instale o pânico na consciência. E como tremem de medo! Perante a solidão, a falta dos outros.

Eu não sei como explicar esta minha capacidade, sinceramente. Esta propriedade que tenho para limitar os horizontes a quem me rodeia. E ainda assim, deixar que poucos entrem no meu mundo. Os poucos? Os verdadeiros amigos; criaturas como eu.

Para os outros, trata-se de um defeito. De uma "disfunção social", como tão a gosto gostam de designar. Mas sei melhor, muito melhor. Aprendo constantemente e cada dia que passa se torna mais óbvio: não sirvo para prácticamente nada para o qual me designaram. Por isso necessito de fazer o meu próprio caminho.

 

Aqui se encerra um acto de amor pessoal. Por muito que trema perante o mero olhar a este pensamento, eu tenho necessidade de amar-me como sou. Ter a noção do quanto sou destoado com a maioria das necessidades dos outros, incapaz de justificar a ânsia que me percorre quando procuro solidão e não encontro, implica que sinta amor. Afinal, se não começar por mim próprio, como posso amar outros?

No entanto, parece que é sempre preciso que justifique e demonstre o meu amor por outras pessoas. Vejo como ficam espantados quando descobrem que vejo qualidades e beleza nelas. Será que não reparam que somos todos iguais? Todos!

 

E acabo por me cansar. Fico exausto de pensar sequer em justificar amor. De tentar explicar porque acho que amar é egoísmo e fraqueza. Mas também grandeza de sonhos e força de espírito.

A solidão, a vontade de isolamento, pode ser partilhada como se num acto de amor. Não tenho necessidade gritar aos sete ventos o meu amor.

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Portanto,

Agradeço a deus o facto de não estar Morto?

Já agora,

Posso agradecer a deus por não estar consciente de quase nada do que se considera importante?

Não,

Agradeço a deus por não querer saber. Por me estar a borrifar!!

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Tenho, por vezes, aquele sentimento. Aquele sentimento sobre o qual não falo, não gosto de falar. O que pretendo, finjo, não ter. Não sentir.

Há quem lhe chame pecado, mau agoiro, espirito maldito. No fundo, apenas modos e palavras para evitar a conclusão mais óbvia: sou humano.

 

E portanto, tenho desses momentos, sabem? Quando certos pensamentos e desejos cruzam a minha mente. Minutos de rasgos mentais que não fazem sentido. Violentos e malignos. Mas assegura-me apenas, a minha própria humanidade.

É assim. Estranho. Conseguir respirar através de uma cortina de desejos. Desejos ...

 

Por ti, pela sedução dos teus dentes brancos. Pelo sangue nos meus lábios.

Mas recuso deixar-te em paz. Abraço-te, esmago-te. Desde os momentos em que te vejo. E considero-te culpada por este estado e sentimento!

Chamo-te Mal. Porque me fazes pecar contra tudo. E de cada vez  que bates no meu coração, eu não consigo evitar. Deixo-te entrar.

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Na obscuridade dos nossos pensamentos é onde encontramos a vontade e o poder de matar. Em revelações de livros de conduta e adoração, matamos os nossos filhos, escorraçamos os inimigos e consolamos o festim e o desejo de obedecer e submissão.

E não vemos ou ouvimos nada mais. Tudo o que nos rodeia é secundário e perfeitamente alcançável pela mão de quem prega as palavras e postula os nossos gestos criminosos como necessários. Como um mal necessário.

Porque razão sou forçado a aceitar isto revela-se numa triste conclusão: sou peça de engrenagem. Mesmo lutando e recusando-me todos os dias, desde o momento em que abro os olhos até ao sono, temo não ser diferente. Temo não conseguir produzir resultados.

 

Lembro-me das nossas conversas, sempre tão vastas e regadas com aquele álcool que aquece e alimenta o brilho das noções. As horas debaixo do fumo de cigarros e a música de Bach - que ambos amamos desalmadamente. As palavras tentam exemplificar como somos diferentes e tão aparentados, tanto na loucura das ideias como na postura de exímios palhaços que riem - de si e dos outros.

Por vezes revelamos os nossos ódios e as nossas vontades de aniquilar. Os seres humanos são criaturas mesquinhas e cruéis. Todos padecemos de inglória de desejar matar e não poder. Todos somos atraídos pela escuridão que resvala na alma.

Nunca chegamos a qualquer conclusão válida, pelo menos que nós realmente sintamos como aceitável. Dois ateus confessos, duas moléculas num mundo de crenças fúteis, de palavras escritas que não se transformam em carne humana. Antes se tornam velhas e caducas, para dois vagabundos como nós.

 

Respeito.

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