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Pensamentos ao acaso ...

 


Felicidade, deveria ser possivel medi-la; seria importante, já agora, torna-la maleável ao meu desejo. Talvez nem seja algo minímamente racional, mas eu ficaria imensamente agradecido por essa vantagem. Medir a felicidade.

Provávelmente seria um suícidio, seria incauta, tamanha capacidade.

Afinal, conhecendo-me como conheço, tentaria compensar. Sei que iria esticar o seu cumprimento, alongar a sua duração e tentar prolongar o sentimento de paz e felicidade. Muito acima do desespero e ódio que tantas vezes assola a minha existência.

Sei que não conseguiria medi-la. Puta  de vida! Nem sequer conseguiria controlar-me! Iria devorá-la e distendê-la de tal maneira que se rasgaria em frangalhos.

 

Umbra, é uma doença minha. Esta têndencia e dependência da mais absoluta escuridão para respirar e pensar. Umbra é a porção mais escura e interior de uma sombra e se calhar é por isso que se revelam tantas coisas. Estou cego e desprotegido. Por isso agarrado à minha própria vontade.

Irónico, que haja criaturas que encontram uma real libertação no eclipse total da luz. Enquanto outros tremem ao mínimo pensamento e  falta de luminosidade.

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"Suponho que para a maior parte das pessoas, lamentar representa um acto de entrega. Uma forma de pedir desculpa após uma qualquer atitude que pensam ter sido errada. Suponho que lamentar é realmente a incapacidade de sermos nós mesmos, a nú e sem barreiras. Em atenção ao espelho bem à nossa frente. Um reflexo que não mente.

Então lamentar é não aceitar. Lamentos significam incapacidade de envelhecer e aceitar. Lamentamos a juventude alheia e a gargalhada que muitas vezes não compreendemos. O que gostariam de aceitar com o "lamento mas ..." é o que não podem realmente. O que são. Não o que gostariam de ser.

 

Pois que fiquem com o lamento!

Eu prefiro lamentar-me depois de o ter feito. Nunca uso o acto para justificar algo que não fiz. Porque razão seria mais feliz lamentando algo que não fiz? Se o que fiz/faço/farei for justificativo para lamentar é o que farei. Mas acima de tudo, para que o faça, preciso de uma razão."

 

 

 

 

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...

Sei que isto sucederia, acabarias por vir a  este local. Lamento não te ter disponibilizado este blog mais cedo, mas sei que entendes.

É apenas irónico que o  descubras agora, uma vez que me apetece encerra-lo.

 

E para veres que não me esqueci de ti ( alguma vez o faço, miúda?...) esta é só para ti. Creio que a tua preferida ...

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Desde cedo que percebi a noção de perda. Não uma perda relativa a objectos. Isso acontece todos os dias e eu deixei de me importar. Refiro-me claramente, a perder alguém. Refiro-me a escolhas e decisões que nos afastam dos outros.

A noção de perda, a real impressão de que o mundo caí debaixo dos nossos pés, é uma das mais intensas viagens ao inferno que alguma vez fiz. E já tenho algumas dessas viagens cravadas em mim.

Mais é quando perco que mais vivo me consigo sentir. Porque tudo clareia. Subitamente, tudo se torna lúcido. E aí vejo que que realmente perdi e o que de facto, quero. Para o dia de amanhã.

 

Desde cedo entendi que para sabermos o que são realmente as coisas, as pessoas e o que nos rodeia, temos de perder. Temos de exprimentar esse vazio e  essa agonia. A partir daí torna-se fácil. Ou antes, arranjamos imunidade. Não a cura. Imunidade.

Só percebo se amei, se tiver perdido. Só entendo como amadureço se me arrastar para fora do poço. É como só conseguir ter uma fiel noção do que é a luz  após conhecer a  escuridão. Quando o ódio surge advem da noção de respeito. Desejar o silêncio e a penumbra da casa após o turbilhão da estrada.

Quem deseja o frio do inverno tem de, necessáriamente, já ter saboreado o calor do verão.

Não existe outra forma. Perder para ganhar.

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Parece que, afinal, tudo correu bem. Nada apontava para o facto. Tudo previa desastre. Não por nós, diga-se. Antes pelos outros. Sempre os outros, não é?

Com o convite feito, em cima da hora e mesmo com todas as minhas dúvidas e previsões, não te foi possivel recusar. Tínhamos de aparecer, mesmo não estando preparados.

Mas, afinal, tudo correu bem. Mesmo sentindo como estavamos diferentes e distantes de  tudo o que nos rodeava. E de facto, seria impossivel passarmos despercebidos no  meio dos copos e do brilho das luzes. Entre o "vestir bem" e o perfume francês, senti os olhos cravados em mim. Como não? Barba de quatro dias, cabelo rapado e a pele já escurecida pelo sol que pouco deixo tocar-me. Os olhos viajaram pela minha camisola preta e sem desenhos, pelos meus calções de bolsos e principalmente, porque as pessoas tendem a não saber aceita-lo, pelas tatuagens nas minhas pernas... tudo entre sorrisos embaraçados e pouco tolerantes.

 

Tu, cabelo apanhado atrás da cabeça de forma descuidada e natural, envolveste o teu braço no meu. O rosto que aprendi a conhecer, firme. Os olhos maliciosos, seguros. O queixo levantado e o caminhar sereno. Pouco te importou que olhassem as tuas botas pretas ou o teus calções curtos. Perante o teu riso, senti que poderia absorver tudo, mas tudo, nesta merda de mundo. Só pela tua mão sairia da escuridão para entrar num mundo que nunca será meu. Porque não o quero e porque me mataria mais rápido.

Não precisava de mais provas, claro. Mas tu assim o fizeste. Onde outros teriam abandonado o incoveniente, tu acompanhaste. Seria bem mais fácil negar o convite, afinal tinha chegado em cima da hora. Mas eu não esperava outra coisa de ti. Nunca foste mulher de gostar de coisas ou pessoas fáceis.

 

Correu bem. Mesmo bem. Nem que seja pelas tuas gargalhadas de prazer incontido.

Mais uma bofetada tua num mundo de ovelhas.

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"Que existe uma estranha forma de magia no toque dos teus lábios ...

No entanto faz-me sofrer. Deveria consolar-me, tal é a forma como esse beijo sonda a minha alma. Mas apenas estilhaça em mil partículas o que deveria permanecer quente e afectuoso.

Quando os teus dedos viajam pela minha face, muito para além de um sereno arrepio, fica a saudade. Fica a falta de algo. O vazio que ecoa. E a vontade de tomar de assalto a tua beleza.

Não chega. Preciso de muito mais.

E por suprema e maquiavélica ironia, só tu podes concedê-lo."

 

"Hoje, a noite foi de esquecimento. Talvez pelo turbilhão do teu corpo. Se calhar pelo sussurro da tua voz. Perdi-me. E a ponto de não querer voltar a encontrar-me.

Quis que assim fosse. Banhado pela radiância da tua estranha mistura. Afinal, também tenho o direito a sonhar.

O brilho dos teus olhos na escuridão tosca? Umas das minhas verdades absolutas! Por muito náufrago que me sinta: uma das minhas verdades absolutas."

 

"Por cada rasgão e por cada pinga de sangue que me pertencem, de ti recebo o profano bálsamo de sôfrega cura. Se a minha voz se propaga segura e orgulhosa é apenas porque tu há muito construíste as escarpas por onde ecoa.

Por mim, o inverno seria eterno e o céu estaria para sempre coberto de esuridão, apenas porque tu me relembras todos os dias como é vital o calor e a luz do sol."

 

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