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Nota, mesmo através do fumo do cigarro recentemente aceso e que queima os lábios e arde sem proveito. Escorre as mangas da camisa amarrotada sobre os braços magros e onde moram cicatrizes conhecedoras da lâmina que sossega.

Por entre os círculos de fumo branco, os olhos estão mais tristes mas estranhamente lúcidos. A cidade parece-lhe prata e nem sequer incomoda a escuridão e até sucede um ligeiro travo a sorriso. Soa-me a paraíso! Como se estivesse à procura de um pote de prata e afinal,  tivesse em mãos ouro.

Mas talvez a real dimensão da tristeza seja apenas isto: uma morada pessoal e onde habitam sombras tão nossas! Tão pessoais. Por isso, troça do amor dos homens e rende-se ao sabor cruel da desilusão e da penitência imerecida.

Estou seco de lágrimas por ti. Incapaz de algo superior a afagar-te o rosto. Incapaz.

Cada dia de vida uma pequena estrela de esperança e que apesar de tudo não te sirvo de guia. Não, não quando tocas nas minhas cicatrizes que são a minha margem entre a realidade e tudo o que resta. Ou seja: Nada.

 

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Para mim, o sexo é muito mais do que um mero ritual para o prazer. Com toda a minha necessidade de afastamento, histórias para contar e procura de algo que nunca está no seu devido lugar, creio que nada mais na minha vida se assemelha à proximidade como neste acto. Só assim consigo sentir-me perto de alguém, tão ligado e acima de qualquer outra emoção, confortável com tamanha intensidade que se torna irreal. Caminho em território desconhecido e quase me sinto parte integrante de outra pessoa.

 

Assustador.

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Diz-me que não é o ódio que faz girar este mundo, que a maior parte das gentes teme aquilo que realmente deseja e que as fará menos tristes.

Explica-me porque razão estarei errado e o amor não é uma náusea que se agarra à alma destruindo-a lentamente. Em sórdida conspiração.

Já são muitas as vezes que tentaste discordar comigo. Sem sucesso. Talvez  porque os meus olhos sejam demasiado honestos?

Mas na verdade, todos continuamos a funcionar mesmo como ruínas vivas. Decrépitas e opacas. E eu? Por acaso serei melhor? Revelo-me todos os dias, em pensamentos obscuros. Esfaqueio quem passa por mim na rua. A mente é uma maravilhosa máquina e se pudesse arrancaria a pele aos que se cruzam comigo na rua.

De qualquer forma, agradeço a tua pacata timidez e compreenção. Se calhar mereço-a, porque me tenho esforçado imenso para esticar o meu limite de tolerância à dôr. E também acho que existem algumas coisas que devem permanecer na escuridão, partidas e com os estilhaços espalhados.

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Por vezes, tudo me deixa consumido. Quando chego a esse estado, em que apenas me importa ver pouco mais do que o fundo de uma chávena de café, vejo como se torna fácil abandonar tudo.

Por vezes, também surgem dias melhores onde me consome o egoísmo e a presunção de uma possibilidade que venham para ficar, aquecer-me a esperança. Não preciso que as outras pessoas se importem comigo. Eu faço o mesmo: não perturbo com as minhas palavras ou desolação. Sei que os outros farão o mesmo. Isto ajuda-me a ficar vivo e todos ficam satisfeitos, porque mesmo sabendo que estou a nadar em merda acham que aguento e sigo a  direito. A maioria das criaturas, supostamente racionais, nunca tenta aliviar-me de nada. Mas, e aqui habita realmente a doce ironia, depressa correm para mim à vista do mínimo fulgor,  por mais fugaz que seja, de alegria feliz.

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"A verdade é que eu fui muito um grande amante no tratamento com as prostitutas. As de antigamente, na minha juventude pelo menos, tinham uma espécie de sabedoria, uma experiência da vida que não encontrei em nenhuma outra parte. Eu frequentava-as muito na Romênia, e aprendi muito, porque me agradava falar com elas. Bem, não só falar, é claro! Na minha breve temporada como professor de instituto falava aos meus alunos que não queria vê-los pelos bordéis a partir das nove da noite: nesta hora começava o turno dos professores… Certa noite, uma disse-me que o seu marido acabara de morrer. Era jovem, bonita. Disse-me que quando fazia amor com alguém via o cadáver do marido na cama, a seu lado. Deve-se ir aos bordéis para escutar coisas tão profundas! Por mais duvidoso que seja esse romantismo, sempre se aprende algo." EMIL M. CIORAN



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Por vezes, em raras ocasiões que se manifestam como aparições desfocadas, o sofrimento é como uma canção em estado puro. Não consigo pensar em algo escrito por um punho firme ou trémulo. Antes algo que se descreve a si mesmo. E esse sofrimento é algo visceral, nada mais somos do que seus menssageiros.

O "verdadeiro" sofrimento nem sequer é romântico e aos meus olhos é um mistério absoluto. Escrever sobre ele tem tanto de inútil como impossivel é ver aquela luz ao fundo do túnel.

Habituei-me, como veterano de mil guerras, a acrescentar o sofrimento de outros ao meu. Por mais que pareçam improváveis e deslocados da minha própria realidade, habituei-me a juntar pequenos farrapos de sofrimento de alguns aos meus pedaços de escuridão. Normalmente, a conclusão e sabor que ficam é como  olhar o demónio de frente. Um demónio que ganha sempre. Sempre.

A mim, esgota-me. Abana toda a minha estrutura mental e física. Principalmente, dói como tudo. Assenta e retalha e por isso raramente volto a rir. Torna-se algo tão trágico como levar o próprio cão para um piedoso abate e vê-lo a abanar a cauda enquanto se dirige para o destino.

Tudo, mas tudo estala e se corrompe.

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Pessoalmente, se não fosse um degenerado descrente, se acreditasse num inferno , após a minha morte gostaria de ser recebido à entrada por Ronnie James Dio. Tudo teria valido a pena.


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