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Quanto mais observo e escuto o que se passa à minha volta, mais me convenço ser verdade algo que há poucas semanas me foi dito cara a cara, olhos nos olhos - tu se calhar, estás mais próximo da verdadeira liberdade do que qualquer outra pessoa que conheça.

Sempre pensei exactamente o contrário. Sempre achei que era muito mais prisioneiro de paixões e sonhos do que própriamente em liberdade para o que fosse. Nada se consegue comparar quando nos colocam na posição de secundário em relação a animais de estimação, porque somos incapazes de, mesmo que por segundos, agir ou reagir como pretendem que assim seja.

 

Mas, se calhar em alguma volta mais escarpada, perdi a noção dessa liberdade. E para isso, se calhar alguém será necessário para me alertar  deste facto. Talvez eu seja realmente livre; não totalmente, porque essa canção de absoluta libertação só pela morte chega. Mas o mais livre possivel. E porque não? Se desde muito cedo deixei de acreditar em profetas ou em livros de profecias. Pode ser que a libertação seja o meu ardor por ganhar dinheiro e gasta-lo em expêriências, como nadar junto aos golfinhos, olhar o lobo mais negro que possa imaginar nos olhos e sentir-lhe o arfar quente no rosto.

Creio que a liberdade pessoal é algo bem mais precisoso do que muitos imaginam. Dói e faz sofrer, tanto fisica como mentalmente. Raramente é aceite e muito menos compreendido pelos que me rodeiam. Vive-se com uma extrema intensidade. Essa intensidade assusta os que não aceitam, mas para mim é viciante. É poder dizer que eu não sou apenas uma parte do todo. Que é verdade, só eu próprio me posso libertar.

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Tool,

 

Em espera por 2014 ...

 

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Não chega ser meramente humano. Não chega respirar e ver, apenas. Não. É preciso sentir-me vivo. E por vezes, nem sequer isso é o suficiente. Há uma necessidade urgente de destruir, matar anjos e ilusões. Por fim, descobrir numa espécie de parábola confrangedora o que sempre ali esteve. Objectivamente, em 99% das vezes, a vida roda à volta de um mesmo sentido. Inútil e urgentemente tirano.

 

Gostaria de recomeçar do princípio, quando era inocentemente imbecil e francamente desprovido de cinismo cego. Bem mais fácil se tornava voltar a acreditar em perdão e talvez seguir outros caminhos para encontrar o centro de certas almas.

Mas então, tudo se trata de condição humana. Para os crentes em promessas de fidelidade e resoluto companheirismo, talvez fosse melhor procurar consolo nas estranhas preces da fortuna, porque nada é permanente. Apenas a morte justifica essa eternidade do que é permanente. E é isso que nos deixa num estado de anormais de feira, aberrações de circo. Pela estranha e bizarra vontade de não admitir a sobriedade da solidão. Quantas vezes será necessária a viagem que acaba sempre na mesma paragem? Nascemos sózinhos e morremos sós.

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Não teria a mínima importância verter uma lágrima que fosse pelos que se sujeitam à crença de que ainda é possivel viver neste mundo rodeado de magia astral. Se nem sequer existe magia pessoal onde já nem sequer é possivel observar as estrelas durante a noite porque o céu está permanentemente coberto de fumo.

Não acredito em redenção ou que perdoar possa reparar o que seja. Acredito que somos verdadeiros quando é necessário e porque nos convém. Mais depressa acredito no olhar arrogante e distante do gato do que nas lamúrias de quem pensa já ter visto tudo e não passa de um pobre de espirito.

Por isso não consigo perceber porque razão tanta gente tem necessidade de encontrar um anjo em cada esquina e com ele alguma magia, por mais podre que seja. Eu não vejo magia apenas o dano que causei. E que me foi causado.

 

Se conseguir permanecer vivo e mentalmente sóbrio com o passar das horas e dos dias, será o que mais se aproxima do odor da magia.

Ainda assim, podre.

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Aprender a viver entre outras pessoas, agir de acordo com as normas essênciais da sociedade. Isto é ensinado e impresso na mente desde cedo - muitas vezes dentro do próprio útero materno. Não é díficil simular que estamos de acordo com isto, por vezes basta acenar e sorrir ao que para tantos parece ser uma certeza.

O que me parece punitivo e por vezes quase impossivel é viver como um fantasma para quem nos rodeia. É aqui que tudo se esbate e é por isto que o dia-a-dia se torna uma batalha. Porque se continua a achar que se torna necessária a companhia dos outros? Que a caridade alheia é tão importante como respirar?

Sei, porque muitas vezes me é afirmado e repetido, que não tenho qualquer necessidade de pensar assim, que viver em permanente negação não leva a boas colheitas e que existem muitas mais pessoas que me amam do que as que penso. Mas preciso desta noção estranha de sanidade pessoal: esforçar-me para passar adiante e despercebido. Invísivel e se possivel, sem muita dôr.

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Pelos dias em que olho o espelho e sinto que algo me escapou por entre brechas que sempre me parecem fechadas ...

 

Os olhos tornam-se assentes e duros e deixo que os traços se cravem na minha face, mesmo que seja cedo para surgirem e mesmo que ainda não tenha chegado a idade das marcas de sabedoria. Mas não serve de consolo, porque sempre achei ter mais idade do que a que realmente disponho por estes dias. É coisa de ser precoce mental, mas sinto-me próximo dos 100 anos, tal é a deslocação em relação ao que me rodeia. Por alguma razão que desconheço nunca temi a velhice e sempre afirmei ser muito mais velho do que realmente sou. E sempre preferi os verdadeiramente velhos aos próximos da minha idade. Um fruto duro e velho numa casca serenamente fresca, pensamentos de veterano num corpo que não acompanha.

O cigarro aceso não ajuda nada. E a promessa de uma garrafa de Jack Daniels não serve de conforto perante a falta de riso. Por isso agarro-te pela mão e saio para a rua, vestido do mais negro que possa e usando as botas mais escuras e pesadas que tenha.

Acontece, quando me sinto quase demente, deixar que o vento da estrada me acorde desta velhice prematura. E não raras as vezes, acompanho-te naquele estalar de dedos e suave murmurar musical. Sempre com um cigarro aceso nos lábios e a soltar fumo branco.

 

Nos dias em que sinto que algo me escapou, onde pressinto que não deveria pertencer a estes tempos e a mente se transforma numa velha relíquia, gosto de termirar a minha caminhada naquele bar. Ficar sentado em frente a ti e escutar o piano e a voz rouca do pianista de serviço - um velho e cansado grisalho que entoa o velho Frank Sinatra. Talvez um dia, seja possivel pedir desculpa ao meu corpo pela velhice da mente ...

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Tenho aprendido, da maneira mais árdua e estupidamente complicada, que por pior que as coisas me pareçam hoje, por mais que os acontecimentos se sucedam, a vida contínua. E tento sempre pensar que amanhã tudo poderá ser melhor. Aprendi como é possivel conhecer outras pessoas pela forma como lidam com os dias chuvosos, como arrumam as suas bagagens existênciais e como plácidamente transformam os natais em festas de falso companheirismo. Aprendi que por muito que possa ser doloroso, muitas pessoas confiam e voltam a apaixonar-se e a definhar pela mais intensa saudade.

Por muito estranho que pareça, aprendi a distinguir os que acham ter uma segunda oportunidade na vida e que acham que tudo lhes sorri, esquençendo-se que também devem devolver algo. Aprendi que na maior parte das vezes, decidir de coração aberto é um erro trágico e de consequências amargas. Mas apesar das dores e da raiva, nunca perdi o hábito de estender as mãos e tentar alcançar outros. Nunca me interessou o abraço fraterno ou a palmada nas costas. Antes o vislumbre do sorriso de  quem me aceita como sou.

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