Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Ás vezes, quando atinjo aquele vazio quase absoluto, com o pressentimento que não posso chegar a nenhum lado por mais que tente, é quando acordar se torna angustiante. Despertar do sono e sentir que tudo à minha volta é doloroso. Levanto-me e se penso em limpar a barba do rosto, faço-o sem me olhar ao espelho, de preferência por baixo de uma luz tosca. Difusa.

A minha própria aparência assusta-me, por estes dias e após as noites de insónia. E o pequeno almoço é muitas vezes um café e um cigarro.

Creio que, como diria o sábio, isto seja o limiar do vazio. Onde tudo dói e se torna doloroso. Ironicamente, o que muitas vezes procuro, esvaziar. Caminhar pelas ruas, como tanto gosto, magoa. Olhar para as outras pessoas torna-se dificil, quase penoso.

 

Não sei explicar a não ser como sendo doente. Carente por abandonar tudo. Fico assim, sempre que sei ter chegado ao fim de algo. Quando este vazio é premonição de passar a página. Sei que este vazio quase absoluto é saudade por quem me espera. Que quando sinto as minhas mãos a ceder e tudo se torna doloroso é pela constatação do quanto odeio este lado do mundo!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sweet was her breath, tasted by mine


Words are more effective when concealed


Through the halflight on her body


My fearful hands tremble their way


Take me, anywhere that you like


Hold me, deep within. Do what you like


Take me, anywhere. Warm the night


Take me, take me, take me
With the lights low, and you naked on the warm floor
Me besides you, softly kissing, caressing
Make love to her while she's crying
I could die now, and die happy

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Hoje já se perdeu a noção de viagem. Acabou, para a maioria, o significado de viajante. Da partida para outro lugar e outros horizontes.

Sei que a minha geração, os futuros doutores e governantes, não sabe o que é viver em escuridão abençoada. Sei como se tornam descrentes quando lhe conto o que os meus olhos já viram. As mulheres nórdicas que dançam nuas em festa pela vinda do solstício de inverno e onde uma pele morena como a minha destoa, por entre o branco e o loiro. Não sabem do prazer que é acender uma fogueira ritual enquanto se bebe um néctar de álcool, sentir a liberdade de uma criança. Só quem viaja realmente, quem saí do seu pequeno mundo, almeja por aquele fogo livre. O momento de reparar no que sempre ali esteve.

 

Depois, é ler as palavras dos outros. É observar e conservar na nossa própria boca, como se fosse um rebuçado de fruta ácida. Sentir o sabor lentamente. Porque não há mais.

Ou então, no meio do nevoeiro do entardecer, quando o corpo moído, dorido pela viagem, apenas quer adormecer, mesmo assim prolongar a vígilia como quem disfruta de um suave licor. Deixar que toda a gente siga em frente. Que todos sigam com a sua vida e afazeres. Que todos saibam o que querem e para onde pretendem ir. Eu sei que não sou parte deste local. Desta existência.

Autoria e outros dados (tags, etc)




Arquivo

  1. 2017
  2. JAN
  3. FEV
  4. MAR
  5. ABR
  6. MAI
  7. JUN
  8. JUL
  9. AGO
  10. SET
  11. OUT
  12. NOV
  13. DEZ
  14. 2016
  15. JAN
  16. FEV
  17. MAR
  18. ABR
  19. MAI
  20. JUN
  21. JUL
  22. AGO
  23. SET
  24. OUT
  25. NOV
  26. DEZ
  27. 2015
  28. JAN
  29. FEV
  30. MAR
  31. ABR
  32. MAI
  33. JUN
  34. JUL
  35. AGO
  36. SET
  37. OUT
  38. NOV
  39. DEZ
  40. 2014
  41. JAN
  42. FEV
  43. MAR
  44. ABR
  45. MAI
  46. JUN
  47. JUL
  48. AGO
  49. SET
  50. OUT
  51. NOV
  52. DEZ
  53. 2013
  54. JAN
  55. FEV
  56. MAR
  57. ABR
  58. MAI
  59. JUN
  60. JUL
  61. AGO
  62. SET
  63. OUT
  64. NOV
  65. DEZ
  66. 2012
  67. JAN
  68. FEV
  69. MAR
  70. ABR
  71. MAI
  72. JUN
  73. JUL
  74. AGO
  75. SET
  76. OUT
  77. NOV
  78. DEZ
  79. 2011
  80. JAN
  81. FEV
  82. MAR
  83. ABR
  84. MAI
  85. JUN
  86. JUL
  87. AGO
  88. SET
  89. OUT
  90. NOV
  91. DEZ


topo | Blogs

Layout - Gaffe