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Ás vezes, quando atinjo aquele vazio quase absoluto, com o pressentimento que não posso chegar a nenhum lado por mais que tente, é quando acordar se torna angustiante. Despertar do sono e sentir que tudo à minha volta é doloroso. Levanto-me e se penso em limpar a barba do rosto, faço-o sem me olhar ao espelho, de preferência por baixo de uma luz tosca. Difusa.

A minha própria aparência assusta-me, por estes dias e após as noites de insónia. E o pequeno almoço é muitas vezes um café e um cigarro.

Creio que, como diria o sábio, isto seja o limiar do vazio. Onde tudo dói e se torna doloroso. Ironicamente, o que muitas vezes procuro, esvaziar. Caminhar pelas ruas, como tanto gosto, magoa. Olhar para as outras pessoas torna-se dificil, quase penoso.

 

Não sei explicar a não ser como sendo doente. Carente por abandonar tudo. Fico assim, sempre que sei ter chegado ao fim de algo. Quando este vazio é premonição de passar a página. Sei que este vazio quase absoluto é saudade por quem me espera. Que quando sinto as minhas mãos a ceder e tudo se torna doloroso é pela constatação do quanto odeio este lado do mundo!

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Sweet was her breath, tasted by mine


Words are more effective when concealed


Through the halflight on her body


My fearful hands tremble their way


Take me, anywhere that you like


Hold me, deep within. Do what you like


Take me, anywhere. Warm the night


Take me, take me, take me
With the lights low, and you naked on the warm floor
Me besides you, softly kissing, caressing
Make love to her while she's crying
I could die now, and die happy

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Hoje já se perdeu a noção de viagem. Acabou, para a maioria, o significado de viajante. Da partida para outro lugar e outros horizontes.

Sei que a minha geração, os futuros doutores e governantes, não sabe o que é viver em escuridão abençoada. Sei como se tornam descrentes quando lhe conto o que os meus olhos já viram. As mulheres nórdicas que dançam nuas em festa pela vinda do solstício de inverno e onde uma pele morena como a minha destoa, por entre o branco e o loiro. Não sabem do prazer que é acender uma fogueira ritual enquanto se bebe um néctar de álcool, sentir a liberdade de uma criança. Só quem viaja realmente, quem saí do seu pequeno mundo, almeja por aquele fogo livre. O momento de reparar no que sempre ali esteve.

 

Depois, é ler as palavras dos outros. É observar e conservar na nossa própria boca, como se fosse um rebuçado de fruta ácida. Sentir o sabor lentamente. Porque não há mais.

Ou então, no meio do nevoeiro do entardecer, quando o corpo moído, dorido pela viagem, apenas quer adormecer, mesmo assim prolongar a vígilia como quem disfruta de um suave licor. Deixar que toda a gente siga em frente. Que todos sigam com a sua vida e afazeres. Que todos saibam o que querem e para onde pretendem ir. Eu sei que não sou parte deste local. Desta existência.

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