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Não existe qualquer premeditação nisto. Acho que nunca existiu nada que eu possa considerar como planeado, nesta fase. A solidão ensinou-me algumas coisas, porque sempre quis estar só. Mas não me preparou para isto. E sempre pensei que fosse mais fácil lidar com certas emoções porque apenas pensava em mim próprio, como se o meu mundo fosse suficientemente grande para nele encontrar refúgio do exterior. Mas como lidar com tamanha torrente de ansiedades e incertezas? Como é que tal se apossou de mim, obrigando-me a ter de lidar com outra criatura que pura e simplesmente destroçou toda a minha existência?

 

Talvez seja objectivamente por isto que a respiração não se acalma. Talvez seja este o motivo pelo que  os meus olhos apenas brilhem na sua presença.  Quando os seus braços apagam o mundo à minha volta.

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Já por muitas vezes eu prometi a mim mesmo, numa espécie de desejo de ano novo apressado, que iria tentar ser normal. Possuir uma normalidade que me permitisse levantar todos os dias ás mesmas horas, comer exactamente no mesmo canto da mesa e pensar no dia que iria passar: trabalhar e estudar. De noite seria precisamente igual à noite dos dias anteriores. Tudo o que seria necessário era desejar essa vida normal. Mas, existe um entendimento e compreensão íntima, que me afirma o contrário. Sei que não passaria de uma mentira. Porque existe em mim uma estranho ódio aos estudos e ao mesmo tempo uma urgência vampírica de conhecimento escrito e provado. Um imenso gozo por poder decidir se fico ou vou. Coisa que sei não ser privilegio de muita gente. E depois, sei que consigo aceitar as consequências da minha existência. Nem sempre fui capaz desta força, mas faz parte do território conquistado. De tal forma, que por estes dias nem sequer me aborrece o que pensa a minha mãe de mim. Creio que até convivo com isso de forma quase ( direi...) poética.

Sei o que é a inveja, bem como a ganância e a raiva surda. São defeitos meus que floresceram de outros males severos e por isso certas dores permanecem. Tudo se torna mais fácil com uma certa aceitação de que aconteceu e nada pode ser feito. Porém, onde deixo a normalidade é na incapacidade de paralizar e penar por algo que me escapou por entre os dedos. É como pedir desculpas por algo: ninguém merece desculpas, realmente. Talvez as desculpas sejam maravilhosas e amorosas no momento em que acontecem. Sinceramente, nada mudam. Não corrigem algo que já foi feito ou dito. São apenas mais um acto de normalidade e não passam de uma gentileza para certos ouvidos. Nada mais.

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Eu não acredito na possibilidade de viajar apenas por pensamento. Como é possível e aceitável, sequer, imaginar viajar em pensamento? Talvez seja importante para alguns, esticar as pernas num sofá e de olhos fechados "viajar". Se calhar em frente ao ecrã de um computador, imaginar e ver imagens? Longe! Tão desgraçadamente longe da verdade e da sensação. Eu preciso desesperadamente de me deslocar fisicamente, caminhar sem um objectivo determinado que não seja seguir instintivamente os meus olhos, os meus ouvidos e o meu cheiro. Este mundo está a tornar-se intolerante para criaturas como eu. Não tolera a viagem sem um destino definido, não pugna por nada mais do que fazer milhas para apanhar sol em praias cheias de gente. Ou então, ver a neve junto ás outras pessoas, guiados nos mesmos destinos e endereços. Eu não consigo. Eu comecei cedo na companhia de mais velhos vagabundos e não deixei de continuar. Quantas vezes o caminho não se faz apenas de mochila com algumas barras de proteína, água e uma máquina fotográfica, ás costas? Andar a pé até que nos toquem com o cotovelo e nos informem que já caminhamos há  horas sem parar! Entre as ruas apertadas da Irlanda, a escutar as vozes femininas que fazem lembrar as feiticeiras da montanha,  o frio nórdico e os mercados do norte de África, onde os meus olhos verdes, a minha pele clara e as tatuagens que já cobrem grande parte do meu corpo, são olhados com desconfiança e cobiça, subsiste a fome e a vontade de não olhar para trás. Esta é a minha definição de sentir. Isto é para mim o que o filósofo recitou como o nada que se preenche. O vazio que se habita.

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Tornou-se um velho hábito meu, cerrar os olhos e deixar adormecer o corpo. Enquanto a mente viaja e se afasta. Nem sempre chega a sítios calmos. Nem sempre. Não falo sobre certos locais e nem admito que existam em mim. Mas chego ao local onde odeio e onde estou verdadeiramente só. Sozinho eu e o mundo. Só, no coração e na mente. Sozinho entre amigos e família. Em todo o lado. Só quando me levanto da cama e durante tudo o que resta dos dias e noites.

Odeio estar só e odeio a companhia dos outros. Estranho. Odeio ter de falar e conversar, acompanhar os outros por caminhos que não são os meus. Odeio ter de chamar as pessoas pelo nome que nada me diz. Ainda me espanta como respiro entre quem diz estar esperançado do que seja. Tento que a minha cabeça não se torne preguiçosa. Mas, mesmo assim, deposito toda a minha fé numa certeza de que dor é sentir. Sofrer é um dogma da dor, intransponível. Desejava poder viver sem dor e assim sem sofrimento. Mas estes não são dias assim.

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O distanciamento tem destas coisas; uma necessidade em que o tempo nos ofereça paciência e outra sensação que não apenas a frustração da dôr de emoções maltratadas. É complicado, mas tudo se torna explicitamente mais claro, as cicatrizes não são tão pronunciadas quando se observa de longe. E creio piamente, que ainda estou em processo de cura de algo maligno que a mim mesmo apliquei. Algo que para a maioria das pessoas  revela frieza sentimental, não passa de um processo de cura e cicatrização que necessita de tempo e paciência. Porque sempre me custou lidar com certas emoções, bem mais do que sentimentos de fúria e ódio. Na distância, compreendo melhor: não devo exigir os minutos ou os dias dos que não me pertencem. Apenas aceitar os poucos que realmente e por uma estranha finalidade existencial me amam. Talvez devesse finalmente capitular e aceitar tamanhas sensações designando-os como amor. Porém, não. O amor não define esta lucidez sentimental. Eu próprio não consigo definir-me. E por bizarro que pareça, perante tanta batalha interna, tanta espera e saudade, eu pergunto-me sempre se quero realmente definir o que quer que seja.

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