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Agradam-me os dias escuros e as noites de insónia e espera. São um estranho cobertor que me aquece enquanto atravesso as horas que se seguem até chegar ao fim. Se calhar, porque não tenho a mesma alma da maioria. Se calhar, é minha porque a roubei a outro. Não sei. Com mil cuidados, de forma quase tímida, sonho e antecipo. Receio estragar tudo, claro. E por isso, como um ladrão de sepulturas em noite de nevoeiro, caminho sem barulho. Temo deixar de escutar a voz e o respirar, nesta maldita casa de solidão. Porque sei da raridade que é poder abrigar-me na escuridão das ideias. Sei o que pode ser caminhar em linha reta e nada poder fazer, apenas destroçar pelo desperdício. Não importa. Nada disto importa. Tenho em mim a capacidade de absorver todos os pingos de lucidez que um suspiro pode conceder. Seja qual for a temperatura do meu coração. Seja qual for a cor da água que jorra desta espera.

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As pessoas têm receio de si próprias. Um medo terrível da sua própria realidade e marcadamente, são muitas as pessoas que receiam os seus próprios sentimentos. Fala-se tanto no amor e como este é um sentimento maravilhoso e bem no fundo, tudo isto não passa de uma mentira. O amor e as suas paixões magoam e acabamos sempre por descobrir que os sentimentos são uma faca de dois gumes. Perturbam tudo o que se assemelhe a algo estável e sereno. Sempre me foi ensinado que a dor representa algo maligno e do qual me deveria afastar, em último caso, abster. Estranho. Se assim é, como é que eu poderei lidar com um sentimento tão passional se tiver receio de sentir e por isso, sofrer dolorosamente? Então, talvez o sofrimento sirva em último caso, para um despertar. Será necessário que não me tente esconder dela, amordaçando-a numa cave. Devo afeiçoar-me a ela e compartilhar todos os momentos. A dor de sentir algo, por mais insano que pareça, mede toda a minha força. No fundo, trata-se apenas da maneira como a carrego dentro de mim: importa que seja uma parte exclusiva de mim próprio. São, afinal sentimentos meus, a minha única e verdadeira noção de realidade. E não tenho nenhuma intenção de me esconder dela.

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Sempre me fascinou a crença numa suposta alma-gémea. Talvez por minha própria fraqueza, algumas vezes no passado eu pensei que talvez -  repito, talvez- pudesse haver uma ligação realmente forte entre duas pessoas. E de tal forma que quase se tornassem num só começo e eventualmente, num único fim. Sim, era consolador imaginar esta virtude em nós.

À medida que avanço nos anos, tudo o que me rodeia me demonstra exactamente o contrário. Não somos almas gémeas de nada e de ninguém. Não me desilude, esta percepção das coisas. Não. Nada do que me rodeia se assemelha a pensamentos partilhados. Não temos a mesma noção da realidade, a escuridão que habita cada criatura é tão diferente e creio que apenas existem aproximações neste conceito. Há os que se afastam do que não tem luz por medo e há os que habitam nela, é apenas uma questão de saber sofrer. Ou não. E as palavras sussurradas ao ouvido podem ser chicotadas ou um bálsamo que irá curar. Ainda assim, nunca serão ditas exactamente da forma que as queria escutar. Mas eu cheguei a um ponto de não retorno. De facto, eu não quero uma alma-gémea. Onde estaria a racionalidade de me reflectir a um espelho que me daria tudo o que seria ideal? Onde poderia espremer a felicidade até há última gota senão perante alguém que perante um esgar ou um rosnado meu me atirasse um sorriso e um encolher de ombros absolutamente impossíveis? Eu vivo de contradições, diga-se. Gosto de observar quando outros passam sem a miníma atenção. Gosto de comer ás escuras, como um gato vadio. Gosto de caminhar sem fazer barulho e de sentir o sabor de um Gin após uma magra refeição. Gosto de me levantar a meio da noite e sair de casa, sem destino definido. Olho para um rosto e procuro olhos escuros, enquanto vou serenamente vampirizando  o que acho plenamente belo. Sei que muitos não acham normal, mas os poucos que acham mesmo não sendo gémeos de nada, abrem as portas para que eu entre. Isso vai chegando ...  Tem de chegar.

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