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Oiço muitas vezes falar em "amor incondicional". Falam e escrevem poetas e prosadores. Aquele acto de amar sem condições. Onde não exista qualquer mácula. Sem maldade, dizem-me.

Lamento tanto! Quando oiço sobre este "amor incondicional". Verdadeiro e sincero. Porque, simplesmente, ele não existe!

Está no nosso ADN e no das outras espécies. O amar incondicional é uma ilusão que nós inventamos, para mascarar a realidade. E diga-se, somos peritos em mascara-la. A realidade.

Ninguém ama sem querer retorno. Ninguém! Esqueçam as prosas e os poemas. É a nossa marca própria.

Eu amo. Sim. Mas quero algo em retorno. Entrego-me e quero que aquela pessoa se sinta bem. Quero que ela seja respeitada e que me ame. Também. E porquê? Porque também quero retorno. Também quero ser amado. Acima de tudo, sentir-me bem.

Assim, os que dizem que amam incondicionalmente, mesmo que não tenham resposta física (num beijo, numa carícia ...), retiram a satsifação de exprimir o que sentem. O prazer de uma palavra e de um pensamento. Nunca se ama sem condições.

Uma das formas deste suposto amor passa pela caridade. Temos os que se dizem caridosos. Por virtudes religiosas, pelo dinheiro, pelo facto de ser voluntário... a lista não finda. Mas mesmo que nada recebam, pelos menos vísivel, é no final do dia que assumem a verdadeira face deste amor. O da gratificação em si. O elemento interior de auto-satisfação. Eu sou caridoso incondicional ergo sou bom. Sei que os outros me amam. Que precisam de mim. Snto-me útil. Percebem a ligação? Nada se dá sem querer algo. Nem que seja pela auto satisfação.

Mas que não se julgue que tenho algo contra. Claro que não! Porque é a nossa natureza. Somos todos assim.

Por muito que se ame, nunca se julgue que esse gostar é incondicional. E por haver quem o imagine é que se continua a sofrer  por amor. Mais vale assumir, desde logo: Eu amo-te. Adoro-te e quero-te! Mas tens a obrigação de me corresponder. Tens a obrigação de me respeitar. E para isso, tens de estar em  sintonia comigo.

Amar incondicionalmente, se existe, é pura humilhação. É submissão e decadência mental. Mesmo no amor religioso, esse ditoso de caridade para com os outros, essa estranha mania de dar a outra face. Mesmo assim, para sermos amados por um deus, temos de lhe agradar. Mesmo que violente a nossa alma. Mesmo que para isso, tenhamos de sacrficar os nossos filhos. Ou matar quem não aceita este nosso deus. E este nosso amor. Por isso fazemos guerra. Pela fé. Mesmo sem sabermos se somos correspondidos. Tiramos a satisfação da ilusão.

Amamos os nossos filhos. Claro. Mas não incondicionalmente. Estamos aqui para os proteger. Eu daria a minha vida por eles. Mas por que eles são a nossa continuidade. Porque olhamos para os seus rostos, e somos nós quem ali se apresenta. Queremos que cresçam. E que nos deêm um sorriso. Que nos respeitem . Que tenham o que nunca tivemos. Nada disto é de facto incondicional. Nada disto é puro. Ou casto.

Amor casto? Pura ilusão. Puro desiquilibrio pessoal.

Amamos e queremos algo de volta. O contrário não é amor. É mascarar uma realidade.

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