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Verter tamanha vontade de esperar por alguém, aguentar a façanha de manter acesa uma chama que por natureza se deveria extinguir, é um dos grandes mistérios da raça humana. Fascina-me. Essa brutal noção de esperar por outra pessoa. Que nos voltou as costas. Partiu. Esfumou-se. E alguém fica. Permanece. Escuta. Em espera. Quando testemunho isso, também porque já senti o mesmo e sei desse calvário, tudo o que sinto é profunda admiração. Admiro poucas pessoas, diga-se. Por que são fúteis. Porque gostam de beijar e desejar força. Onde ela muitas vezes se esvaíu. Porque assistem de pé. A esta espera. A esta entrega. Não eu. A minha admiração vai para essa capacidade de esperar. E desejar que tudo seja como antes. Contra o facto natural. Contra a racionalidade feroz da perda. Indo de encontro ao conceito de Verdade pura. Essas criaturas que esperam em vão, muitas vezes, são resistentes. As que genuínamente se tornam de aço com as perdas. Por isso deveriam  ser preservadas. Porque estão àparte. A sofrer uma colossal perda. E eu nunca desejo que melhorem. Nunca espero mandar beijos e flores. Nunca profiro palavras de incentivo. Porque não sei. Porque ser humano e imperfeito é isto. Não choro. Mas o que sinto é opressão. Se calhar verdadeira solidariedade humana. É um baixar de braços de quem escuta. Nesta minha acção também existe conhecimento. Sei porque o faço. E nesse conhecimento existe a certeza absoluta de que quem espera, mesmo vergado pelo desgosto e desilusão, se conseguir prosseguir, tornar-se-a mais forte. Mais virtuoso.

Quem se rende permanece em ignorância e fraqueza. Ignorância de reconhecer a inutilidade de se manter em espera.

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