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Para mim, os regressos são sempre díficeis. Tantas vezes tento compreender porque regressamos a algo. Porque insistimos em faze-lo. Manter uma recordação. Uma vontade de regressar  a uma emoção. Vontades provocadas por sensações. Pessoas. Locais.

Regressar aquele local específico nunca me deveria trazer vontade. Não deveria querer voltar a pisar aquela terra. Ver aquelas águas. Sentir aquele frio. Acima de tudo porque naquele local me confronto a mim mesmo. Tomo conhecimento das minhas mais recônditas fraquezas. Do facto inapelável de que por mais que me agigante ou tente prosseguir, os obstáculos são cada vez mais extensos.

Ver aquela água quase a tocar nos meus pés, aquele cinzento do céu e o silêncio, apenas perfurado pela ondulação, é como estar num mundo à parte. Aqui vim e venho muitas vezes. Contemplar. Tentar perceber. E de dentro de mim, apenas saí o que nunca quero que escape. Aterrador. Esmagador. Regressar a este local é uma espécie de morte pessoal. E renascimento. É a procura de uma calma. Mas encontrar uma tempestade. Dizes-me, muitas vezes, que sou um caçador de tempesdades. Que nada se tranquiliza, uma vez que lhe ponho os olhos. Regressar a este leito, talvez seja como dizes. Mas a razão e o meu instinto insistem em tentar provar que estás errada. Pelo menos nisto.

Será um acto insufismável de cariz pessoal. Este regressar. A este vazio e a este universo. Tão longe de tudo. Mesmo que se cravem fundo, as memórias de outrora. Pregos na consciência. Todos padecemos. Ainda que seja avassaladora, a constrição que tais recordações causam, no meu caso, é impossivel aqui não regressar. E aqui, poucas vezes raia o sol. É como se a Natureza tivesse criado este local para poder chorar. Longe de tudo.

E se apenas a uns poucos, os verdadeiros escolhidos, fosse permitido aqui pisar? Poderei eu ansiar isso?

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