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Escutei tantas e tantas vezes, dos teus lábios,  esta frase, porventura premonitiva - "Amanhã poderá ser o dia. Um belo dia para morrer."

Nunca acreditaste na vida eterna. Deus e os seus arcanjos, pouco consolo te deram. Talvez porque assim te fizeste. Assim te forjaste. Num negativismo implacável. E talvez, porque acabou por ser a tua escolha. Impossívelmente cruel.

Essa manhã de sol, calor e suor, foi o teu dia mais belo. Um amanhã belo. Para morrer. Pôr fim ao que já nada te fazia viver. Vida? Lembro-me do teu sorriso. Vida? E diz o filosófo, que quanto mais se olha para o abismo, mais o abismo nos devora. Mesmo que se seja brilhante. Mesmo vertendo loucura genial em enxurrada, onde, por meus desígnios eu me afogava, escapar, nunca foi a tua decisão.

Por isso, muito por isso, passei a odiar as manhãs de sol. O calor. A luz que cega. Porque, idiota que era, achava que ninguém deveria morrer de manhã! Muito menos com luz solar! Nunca te pedi perdão, por pensar assim. Deveria sabe-lo. Poderia evitar tais pensamentos. Tu sempre foste senhor. De ti. Mestre do teu destino. Que jamais aceitou a sua condição. E quando se torna um fardo insustentável, tal condição,  deixa de ser aceitável.

Então, a suposta eternidade, seria o teu inferno. Não poder escolher o dia da morte. Em absoluta e tranquila solidão.

Faz hoje anos. Cinco anos. Que achaste a manhã bela. Para morrer. Em paz.

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