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Nada se torna pior, aos olhos, do que tentar vislumbrar um traço de razão em alguém que nunca sonhou ser livre. Decididamente, vive-se numa estranha letargia. Numa sórdida depêndencia do alheio. Para nos ditar como agir, como ser humano. Deixar fluir o fogo de sermos apenas nós mesmos, será, porventura, das maiores preciosidades que se possui. E nem todos são capazes de a ver.

Este sentimento, estranha comoção, será impossivel de suportar. Se não formos capazes de ler sinais. Se em tudo o que vejamos ou escutemos, possamos apenas descernir traços. Tão vagos, que se perde a ocasião. De sermos nós mesmos. Donos de nós.

Para uns, ser livre, reside em terminar com a vida. Tamanha façanha, acto pessoal de extrema liberdade, requer acima de qualquer outra coisa, de um fogo tão alto e tão purgante, que a mera "visão" desse arder, ensandece e destrói! Já ouviram falar de estrelas que implodem no seu próprio brilho? Não? Eu já. E há quem se torne estrela. E desgraçadamente, por não conseguir sustentar tamanho brilho, ponha fim ao seu tormento.

Para outros, ser realmente livre, vai para além do próprio brilho pessoal. Vai muito mais longe do que a mais versada solidão. É capaz de olhar para "dentro" de si. Aceitar que nunca poderá ser igual a ninguém. Também arde num  estranho fogo. Olha-lo nos olhos é sentir desconforto. Sensação de pequenez. Como move as mãos, modela a sua visão dos outros. Para ele liberdade, essa utópica prostituta, que assenta arrais voluptosamente na cabeça de todas as criaturas, é apenas um meio para atingir um fim: chegar ao fim da sua existência, do seu desmesurado brilho, na verdadeira condição de poder sentir que amou algo. E que realmente,  se amou a si próprio.

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