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Ali estavam eles. Frente a frente. Duas criaturas existênciais. Homem e Mulher. Após dez anos de união. Separados. Olhando-se mutuamente.

E eu, sentindo-me um perfeito idiota, de mãos nos bolsos, cabeça enterrada nos ombros, observava. Porque supostamente, seria amigo de longa data dele. Mas também dela.

Ele, porque me confessara antes, ainda a amava. Não conseguia viver sem ela. Ela? Não o  sei. Não fazia a mínima ideia. Mas a verdade é que o processo estava concluído. Os cães foram lançados. Cada um para seu lado!

Eu guiara o carro. Porque ele não estava em condições. Ou se calhar, porque precisava de companhía. Eu!! Logo eu! E no entanto ....

Discutiram. Duros. Implacáveis. Sedentos de rancor! E eu só pensava - Que raio posso fazer?- sempre às voltas.

Talvez quisessem que tomasse partido. Que condenasse. Raios! Que dissesse algo!! Limitei-me a olhar. Compelido por uma letargia imbecil. Algo que me destroçava. Eu não podia defender nenhum. Isso e esta minha vontade de ficar à parte. De não pertençer a nada disto.

Olhando-a, não a reconheci. Olhos em amargura. Cabelos soltos. Sujos e sem cuidado. E como estremecia. Verdadeira frustração. Fúria.

A ele, reconheci. Derrota. Apático. Apesar de tentar justificar. Nada. Zero. Apenas dor.

Olhando ambos, num fim nunca previsto ou anunciado, mais uma vez agradeci um conselho dado há anos: "Num problema entre duas pessoas, existem sempre dois lados. É bom que oiças os dois lados." Por isso naquele dia, mesmo com o desfavor de ambos, achei que ambos tinham razão.

Um casal lindo, que eram! Diziam os mais chegados. E eu sempre a resmungar, que isso era relativo. E lá estava eu. Sentindo-me inútil. Invisível.

De todos os que lá poderiam  estar, sinistra condição, fui eu quem lá caíu!

E lembro-me, tão cruelmente claro,que  após voltarem as costas um ao outro, e ele puxando-me pelo braço, em direcção ao carro me disse entre dentes - Eu sempre pensei que o que fiz não tinha importância ...

E a miséria na sua voz. A comiseração no seu andar era tão grande, tão viva e pálpavel, que quase pensei que ele não iria sobreviver, naquela noite.

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