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Preciso de saber. Alguém me pode dizer, onde é que deixei o meu sangue? Será que foi onde, pela última vez rolei, feliz, pela erva abundante do Outono, o terei perdido?  Não sei. Alguém me responde?

Ou então, se calhar perdi-me de mim. Se não terá sido isso. Distração causada por olhar o sol. Por admirar aquela luz, que nunca me aquece. Apenas me retalha o corpo.

Também o procurei pelas margens do teu rio. Vazias dele. Nos teus braços, mesmo dormindo, não consigo encontrar o meu  sangue. Que se mantém quente. Que pulsa de vida. Num estranho respirar. Que não te será estranho.

Não posso chamá-lo. Não se chama. Nem sequer tem nome. Ou talvez tenha. O meu. Sim. Será o meu. Pois sempre esteve em mim. Nas noites de fúria. Em chamas por me alimentar. Por mim eclodiu, em mais um rasgo no braço. Pela exaustão do meu corpo viajou, quando me parecia o fim.

Mesmo rouco, estou à sua procura. Como poderei regressar a ti, sem pinga de sangue? Talvez me encontrasse. Se tivesse um nome.

Posso encontrá-lo. Sei-o. Se deixar que os teus gritos entrem nas minhas veias. Se mergulhar no teu oceano. E entregar as minhas lágrimas à correnteza. Sei.

Caminho nas chuvas frias de Outubro. Procuro. Cheiro. Sangue. Memórias e sabor. Sonho em ti. Por ti.

Saber onde fica o que antecipo. Quero voltar a respirar.

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