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" Observemos nossa sociedade. Que lugar deus ocupa nela? A fachada. Afirmamos que deus existe, mas nossas ações dizem exatamente o contrário. Na prática, vivemos como se deus não existisse. Naturalmente somos forçados a isso, pois deus não existe, mas não é essa a questão. A questão é que a crença em deus não reflete simplesmente uma ignorância de nossa parte, não é meramente um erro. É uma mentira. Uma mentira fria, lenta, calma e deliberada. E nós sabemos disso. Só fingimos que não. Faz parte do script. Isso diz muito sobre quem somos. Somos macacos. Macacos maus, pérfidos e ansiosos. Parvos também."

 

"Mas a religião não é só uma fachada. Ela tem muito poder. Mas poder sobre o quê? Sobre costumes fósseis, sobre superstições ignorantes, sobre irrelevâncias rituais? Se o Papa esperasse dominar o mundo com base nisso, ele só conseguiria arrancar mais algumas gargalhadas da humanidade. Nós o mataríamos se tentasse. Mesmo. A religião está caduca. Pensamos o contrário por inércia, ou talvez só por educação. Olhemos ao nosso redor. Deus está morto. Que assuntos importantes a religião controla? Vacinas? Gramática? Agricultura? Genética? Leis? Medicina? Economia? Transporte? Informática? Nenhum. Ela só controla nossos pretextos. Tudo o que a religião pode fazer é propagandear ladainhas tiradas de livros santos que ninguém lê. Nem mesmo quem acredita neles lê — e esse detalhe deveria nos deixar perplexos. Todos já conhecemos a conclusão: só permitimos que a religião decida sobre questões absolutamente irrelevantes, e nos demais assuntos nós a ignoramos. Ela tinha muito poder. Não tem mais. Constrangedoramente simples. Na prática, nossa sociedade já é ateia; só não atualizamos o discurso."


( André Cancian)

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