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Este é o buraco. O maldito antro  onde me sinto pecador. Por este buraco, esvoçam as tristezas de antes. Entre fios agrestes de serena noite, encontro o meu refúgio. E sangro! Não de joelhos. Não por minha ira. Não... Apenas por que sei o que sou. Ladrão da madrugada. Sangro, porque assim o desejo. Porque nada tenho. Nada.

Será isto viver? Ou apenas uma fugaz visão de um inferno gentil? Neste grotesco buraco, o meu sangue é a minha dádiva. Para sentir que estou vivo.

Aqui rastejo. Não querendo perdão. Olhando a penumbra das ilusões, que planto. Cultivando os destroços. Onde não encontro paz. Sendo um miserável pedinte. Lamentando o pão que recuso. Porque olhei para a tua alma. Pedi o teu sangue. E, aterrado, só vi o meu vácuo. Estas são lágrimas que anseio. Neste asilo negro. Sangrar, tornou-se na minha única consolação.

Toda a santidade banida, pouco importando. Gotas de solidão, varridas por meus obscenos beijos. Não posso olhar o sol. Porque me sinto morto. Mesmo sangrando. Morto.

Desta imunda brecha, poiso da minha insólita loucura, olhando-te, através da névoa da minha alma, deixei de crer. Acreditar que alguma vez, tive razões, para crer que me salvaria.

 

 

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