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Endémico, tento remendar a minha realidade. Não sofrer muito com a desfiguração das minhas desilusões. Cravejar no meu corpo, o grotesco da ironia alheia. E a beleza da segurança que daí nasce.

Não me olho ao espelho. Porque me sei de aspecto opaco. Inadaptado. Apenas sinto o seu reflexo em dias que são como cacos cravados na minha carne. Nas noites de frémita anticipação. Escutando a acústica invernal. Apenas aí, olho o meu espelho.

Já morei na incerteza de não querer a morte. Abri o meu cardápio de simples significados. E tornei-me indiferente. Troçando da minha indiferença, rindo do que não é para rir, criei este catálogo. Folhas brancas, onde deposito raiva. Onde reside a minha paixão. Por muito tirana que seja,  é esta a minha paixão. Incapaz de dançar aos pares. No sol radioso.

Que sentimentos posso despertar em quem se aproxima? Frios. Cinzas de indiferença. Transfigurado que está o meu voo. Pardal sonolento. Perdido no centro da tempestade. Por mim procurada.

Uma alma exausta. Num corpo rochoso. Como amantes tenebrosos. Prisioneiros.

 

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