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Talvez, algures no caminho, eu tenha deixado cair algo. Numa qualquer manhã de nevoeiro. Neste ano a que chamam o ano do Senhor. E assim, possa ter iniciado um estranho processo de maldição.

Nunca me interessou mostrar o que seja, a  este mundo infecto. Que não seja o meu desapego e a minha raiva. Que se veja na minha desobediência, a insolência dos que já nada toleram. Nem me interessa se o vento me açoita frio. Ou se chove. Que interessa o brilho do sol, para quem permanece debaixo dos rigores da insatisfação? E já é tarde para que mude o meu caminho.

Estou assim: desbaratado de convicções. Com a faca na mão. Para rasgar tudo o que me persegue. Faço-o! De sorriso exausto. E com a língua a percorrer-me os lábios ensanguentados.

Deixarei que se impale o meu coração. Se isso servir para romper estas amarras. Mesmo que morra tentando. Mas nada podem  fazer. Nada podem acrescentar-me. Porque escolhi amaldiçoar-me, a ceder à vossa fome de amar.  Inventando, para isso, os meus instrumentos de morte.

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