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Desde já, não acredito na solidão absoluta, infelizmente. Nascemos para ser sociais. A teoria de cinema do homem-lobo solitário, é pura utopia. Precisamos de alguém que nos ajude a suportar esta miserável existência. Eu sei. Sou testemunha disso. Completamente só, já me teria extinguido. Alguém me acudiu. Ajudou a erguer. Instigou o meu orgulho e, acima de tudo, devolveu-me o amor próprio. Jamais lhe poderei agradecer. Apenas venerar.  No entanto, é apenas um pequeno número. Uma vez mais, infelizmente.

Mas, não é disto que quero escrever. É algo mais viral. Maligno, aos meus olhos. Falo dos que se vestem com a pele prateada do lobo e por baixo são ovelhas. Rebanho.

Dizem-se solitários, apenas para impressionar. Pavoneiam virtudes e  sabedoria. Julgam os outros, balindo leviandades. E quando são mordidos, fogem! Para junto de outros e outras, da mesma espécie. Ovelhas, diga-se. Cheias de glória, pois sabem que o número elevado dá protecção. Assim, arrebanhados, bem juntos, poderão evitar ser todos massacrados.

Se algum dos seus membros, que são em elevado e crescente número, é ferido por uma outra criatura, de diferente pensar e olhar, logo ocorrem em massa! Bastando para isso, que este se lamente e se contorça, balindo penosamente. Chovem os afagos e as certezas de que tudo irá ficar bem. Lambendo os cortes à piedosa ovelha,  demonstram vassalagem. E a autoproclamada vítima, falsamente triste, sente inflar o ego. Resulta sempre! Vitimização, dá direito a elogio. Elogio, garante aplausos e cândidas palavras. O ego é inchado, tornando-se numa bola de ar. Tão só isso: ar.

Depois, podem voltar a saltitar. Ir um pouco mais longe do rebanho. Mas não muito! Não vá a confrontação com outras criaturas, mais ferozes e grotescas, obrigar ao regresso forçado ao rebanho, gemendo de angústia por incapacidade de lidar com a situação. Acontece sempre, diga-se. Sem excepção.

 

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