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One for the skinflowers... 

 

 

 

O que podem dizer ou pensar as outras pessoas da figura feita. Da sua incapacidade para sentir o despertar de tamanha emoção, envolta em espasmos e demasiadas hesitações. Creio que se revela impossível descrever o êxtase de acreditar que outra pessoa sabe desta imensidão. Transcende e ultrapassa toda e qualquer figura mais parva ou ridícula; não tem cabimento e não se explica por pobres palavras.

 

Sorrir é o mais certo de todos os poucos bens preciosos. Estrela elementar onde se verte um respirar de pensamentos e alfabetos. Até se espanta a alma. Mesmo o invisível se torna pele: basta olhar a expressão de felicidade idiota. Impecável e airosamente feliz.

 

Uns acreditam nisto como um embaraço; como se irá falar e troçar. Não conseguem medir o quanto custa chegar a este estado de dignidade por outra criatura, liquefeito nos seus verbos mais sofisticados; mesmo iluminado não consegue dizer tudo. Nada! Tão pouco.

 

Sinceramente, porque o sei, não gostaria de o ver perturbado por nada disto. Quero que todos permaneçam recolhidos em suas casas, debaixo das suas árvores ou então protegidos da chuva amadurecida pela tempestade. Talvez não exista um espaço para mais cores ou piqueniques. Que esta imensa gente não entenda, afinal, certas naturezas únicas. Como se conseguem revelar constelações e emoções num só rosto.

 

Assusta!

 

Não conhece montanhas e céus; idades e margens e páginas. Mas consegue esculpir precipícios com a verdade de sentir como ninguém. Só quem consegue gravar em si com faca e peito este sulco, pode testemunhar o significado de certas estrelas.

 

 

 

 

 

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" Ordo Ab Chao"

 

 

 Existem três paixões em mim que, com toda a certeza, nunca se irão diluir no tempo. São marcas inexplicáveis e que por razões que são tão pessoais como obscuras, o sentimento de possessão em relação a elas me consome os dias.

 

Reconheço-me como um homem de poucas paixões; mas as poucas que tenho são levadas a extremos muitas vezes apenas compreendidos por uns poucos. Creio que isto não tem trazido muitos amigos solidários e carinhosamente compreensivos a estas bandas, mas receio ser um preço a pagar. Pago e sem dívida.

 

 O mergulho foi a primeira voz de alerta. As possibilidades de liberdade expressas abaixo da superfície; o silêncio - porque o oceano consegue silenciar-se e escutar a nossa voz - de um sacramento que me aproxima do sentimento assustador da escuridão do ventre materno.

 

A música é a minha respiração. Vida. Objectivo onde tenho conseguido exprimir pensamentos e caminhos. Nada de perfeitamente essencial para outros; apenas um destino que abracei e me levará a distâncias que já são a justificação para os sacrifícios e punição.

 

O levantamento de pesos será a amante pragmática e silenciosa na minha devoção. O sentido estético de belo, gracioso, sublime e equilibrado dos sonhadores gregos, nunca se reflectiu em mim. Pela forma como muitas vezes eu sou visto em presença física, diria que a palavra "feio" me está muitas vezes destinada.

 

Nunca foi o sentido de beleza que me guiou a frequentar uma masmorra fria e insensível aos meus limites. No meio do suor e do ferro pesado, tantas vezes olhado com o desdém desalinhado da turba que o considera apenas excessivo e narcisista, a estética nunca foi procurada. Tem sido um resultado, mesmo que desagradando.

 

Nasci fraco e frágil. Uma criatura nascida para se arrastar e apoiar nas fragilidades que outros lamentavam. O que sou hoje, sistematicamente em construção densa e blindada, tem sido um inferno; como acabam por ser todas as paixões, afinal. A necessidade vital de aumentar a massa muscular para combater tecidos fracos e a paixão pelos alimentos que lutam contra a minha falta de peso, sempre a espreitar de maneira sinistra, reconheço-as como tirania para a vida.

 

Esta é uma paixão que não carece da aprovação dos bardos da beleza clássica de outrora. Reconheço a falta dos suspiros suaves e tímidos de quem se ruboriza com a estética angelical da massa polida e trabalhada finamente. No entanto, o meu orgulho pela obra que vou construindo pacientemente é apenas limitado pela minha potência diante da fragilidade.

 

Para mim basta e é claro como a água; sou o meu próprio arquétipo. Nunca deixarei de crer que o meu corpo seja a imagem física da minha mente. Pouco importam os outros. Nem que morra a tentar.

 

 

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 Imagine-se o insuportável de saber tudo. Do conhecimento total e absoluto. Sem que restasse uma pinga de ignorância sadia e por descobrir. Absorver a certeza de nada mais existir para alimentar a gula de conhecer. Imagine-se a certeza absoluta como um fardo e castigo porque os olhos foram abertos e se acabou o espanto das ilusões por descobrir.

 

E a consciência absoluta, fria e resoluta, de que todos são sábios; a certeza sem erros ou hesitações de que quando a outra face se voltou enfadada e já sem paixão, traçou o caminho sem regresso. Pensar por antecipação perfeitamente confirmada nas palavras de amor que serão articuladas em sussurro, adivinhando porque são ditas sabendo que amanhã não farão sentido.

 

Quando a imaginação deixa de florescer entre as águas do descobrimento, imagine-se no leito de morte, o fardo insustentável de conceber tudo como aprendido e provado. Que Deus foi uma mentira nas mãos de todos e nunca um farol de luz entre as estrelas; mitigar a fome da desilusão no consolo de tantas viagens e encontros na mais absoluta escuridão.

 

Antes de fechar os olhos cansados, sabendo que será mais uma noite de sono, conhecer sem nenhum dos rigores que fustigam a dúvida, o dia de amanhã: igual ao de hoje e de ontem; com as mesmas vozes e batidas, entre as acções semelhantes e sempre, inevitavelmente, com a mesma neura mestra em pragmatismo depressivo. Porque seriam os dias sem necessidade de cálculos, já que ninguém cometeria o erro de errar. Não se levantaria uma mão; não se entregariam as palavras ao praguejar e deixariam de ter importância as mãos de conforto com um sorriso na face.

 

E o pensamento já não seria feito de sonhos. Porque já tudo tinha sido sonhado.

 

E mesmo a morte já era enfadonha e prevista no seu mais intimo detalhe.

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A parte mais fácil é registar a queda. Existe quem tente a estratificação desta condição e termine sempre com a mesma soma de valores: justiça poética. Como uma espécie de prerrogativa e consolo para quem se bateu e perdeu em derrota. 

 

No fundo, todos gostamos de imaginar uma justiça para quem foi vergado em submissão e de maneira férrea; nem que seja pela ideia de poesia e como se tal fosse capaz de evitar a  dura realidade de quem foi submetido sem nunca ter tido realmente uma porção, ínfima que fosse, dessa saudosa e generosa arte de guerra que se chama orgulho pessoal. Registe-se uma inefável incapacidade para morder e destruir e apenas sobram as santificações dos dias que acumulam erros e ódios cegos.

 

Não me dá um expressivo prazer registar o cair de quem, mesmo quando cai, ainda assim não provoca um som que seja. Porque sempre foi leve na sua existência e porque por mais que tente nada ficará registado desta sua passagem entre as linhas. A queda era previsível mesmo que banhada pela ilusão de resistência, tudo o que resta é uma fuga para um qualquer poço existencial; sempre tão generosamente confundido com abrigos e virtudes.

 

O que me fascinam são os passos, sistematicamente projectados a distâncias superiores ao seu pobre alcance. São um descer degrau a degrau para uma inevitabilidade que não se aceita, até cair. Fascina-me o processo de rasgar a carne; um golpe nas costas e outro na perna. E por fim o sacramental rasgão no tendão de Aquiles que termina com todas as ilusões. Não me interessa o resultado. Sim o processo. 

 

Acho pateticamente bizarra esta ternurenta opção dos que se sentem culpados na observação da queda de certas criaturas; justiça poética para quem cai porque decidiu errar de maneira metódica e imbecil. Julgando os outros e assumindo a figura de juiz benevolente. Nunca conseguindo compreender e interiorizar a causa e o efeito. 

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" Legião ..."

 

 

De toda a retórica ouvida por estes dias, creio que perdoar seja a palavra mais expressiva; muito mais do que perdoar, aceitar tolerando, é o mais profundamente espezinhado. Toleramos o político deprimente e corrupto com apenas um encolher de ombros, aceitando que seja uma inevitabilidade inatacável. Entre os afagos de muita gente recusamos admitir a nossa fraqueza e impossibilidade de encontrar uma saída.

 

Não existem palavras para explicar o quanto acho errado este lado infantil e sentimental da maioria das pessoas; como tudo isso se converte num veneno que mata com a serenidade dos que gostam da morte paciente. Sempre mas sempre com aquele trémulo arvorar de um mundo que deveria ser plural. E sempre mas sempre preenchendo os dias com as queixas, manifestações e campanhas que nada salvam ou modificam.

 

Sou um cínico não por natureza mas por defeito. Não acredito na bondade da maior parte das pessoas e nas suas palavras. Alguém, de hábitos enraizados, gosta de me chamar individualista cru e no entanto poucos são os que me conseguem justificar o amar perante certas dores e nódoas negras. Não existe ainda, ninguém que me tenha convencido a tolerar diante de factos consumados.

 

Ou porque será mais profícuo ter mais gente em detrimento de apenas uns poucos.

 

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Caro Barrasco,

 

 

Devo, desde logo, dizer que o odeio!

 

Representando as ambivalências da realidade, pormenor que tanto me fascina, ressinto imenso a sua atitude. Creio que o que mais me molesta é a realidade nua e crua e a negação da existência de qualquer elite neste país; sois a própria imagem de uma dura constatação, julgar não é pertencer a qualquer elite.

 

Sinto-me embaraçado com o seu julgamento, não apenas porque esteja implantado em lirismos escrevinhados por pastores do deserto que, como decerto deveria ser por si entendido, estariam sempre sujeitos a certas trapaças solares e respectivos delírios; a minha vergonha agride-me de forma particularmente cruel, quando constato a metastização da sua cultura, obstrução mental e lógica visceralmente inferior ao mais rijo dos muros do seu tribunal.

 

Envergonha-me, a sua arrogância de magnânima parolice cega em plena idade das trevas. Perfeitamente ciente do manual de queima da sua santa inquisição. Porque sabe, tenho um imenso orgulho da minha condição de homem. Coisa minha, claro. Mas o seu julgamento coloca todos os outros homens na mesma condição, algo que me irrita solenemente! Fui ensinado por uma Senhora a não aceitar de bom grado a merda de ninguém; lido com a minha merda e tento desesperadamente não espargir os outros. Por isso me custa, caro barrasco, que pela merda de uns paguem os outros. Egoísmo meu.

 

Odeio-o, realmente e sem sequer o conhecer. Mas também não conheço a peste Bubónica ou o que terá comido para ter tamanha ignorância e nem por isso deixo de odiar. Mas principalmente, no topo de qualquer outra razão, odeio-o porque sou forçado a dar razão a quem olha de soslaio os homens. Aqui, meu caro, custa-me horrores! Dar razão e sem conseguir contestar uma merda que seja!

 

Porque estão cobertos de razão e eu sou forçado a aceitar e calar.

 

Feche os olhos e tente não acordar.

 

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"Hippárchia"

 

...

 

 

 

Entre todas as palavras que troquei com ela, algumas decidi reter. Foi como se falasse comigo próprio e em frente a um espelho. Como pode ser descrito o inexplicável? A sensação que percorre o centro das costas nuas e como uma amante caprichosa, aperta a nuca rígida.

 

Mas retive algo desconfortavelmente sereno como quem observa um qualquer padrão e sabe, pressentindo, o que vai acontecer. Onde cada pensamento foi antecipado. Sempre com a benevolência e sorriso matreiro de quem conhece; já percorreu este caminho.

 

A falta de crença em deuses acaba por respirar, ainda assim, uma outra religiosidade; desvenda-se todos os dias: mesmo quem se acha no meio de nada, ateu, sem nunca o ter exigido, tem fé. Ou então, algo semelhante a uma crença, mesmo que em princípios diferentes.

 

E foi espantosa a sua capacidade, ao conseguir retirar peso a palavras e acções. De frente a ideias políticas, sombras ideológicas, ocasiões e as medidas, não existe muito mais valor do que aquele som dos pneus de uma bicicleta a esmagarem as folhas secas que escutei horas antes.

 

Nada retive de filosoficamente épico; se calhar revelador da pedra filosofal e alquimia suprema.

 

Retive a palavra e expressão de quem está inundado.

 

Como justificar a raiva e a impotência perante alguém que revela uma total ausência de vazio?

 

Maldição!

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" A gate to be forced by the somber nobility"

 

...

 

 

Existe um preço a pagar quando o caminho seguido não é o que foi planeado na nossa infância. Quando as tardes eram amenas e era possível ambicionar um destino para a criança em crescimento. É como desejar que todo o caminho seja percorrido debaixo de um sol suave e de destinos seguros. Onde não corram ventos agrestes e que nos fustiguem o espírito. 

 

Em vez disto, talvez tivesse mais senso, desta paz em antecipação a um horizonte cristalino, a escolha caiu no meio da Tundra e dos seus silêncios sepulcrais que nos lembram o dormir dos Invernos mais brancos. Em vez de tudo o resto, o caminho tem sido escolhido pela partilha da distância e quando se reúnem as pessoas partilham-se fogos e calores; deixamos que cresçam barbas longas para que a face permaneça quente e os pelos tornam-se pálidos porque o gelo queima.

 

Partilhamos a música que tantas vezes é um espelho taciturno das noites que habitam estes locais por meses e entendemos a escuridão; que se torna a nossa mãe e nos transforma em algo diferente, tão oposto ao que foi imaginado nos dias e noites amenas da nossa infância.

 

Lamento genuinamente a desilusão nas faces incrédulas. Do sangue que já não verte dos meus braços porque encontrei refúgio nos nevões e nas rajadas de vento que assobiam a sua balada entre os picos gelados e as árvores inchadas pela neve.

 

Lamento.

 

Porque há tanto para ver e sentir. Tanto para saborear nos dias curtos, em noites de olhos brilhantes e cabelos longos. Imenso no companheirismo dos que conseguem ver o que eu sinto e vejo. Quando a exaustão se refaz com um brinde e o desejo que se repita.

 

Lamento. 

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Jamais deixará de me espantar como reagem as pessoas perante a rejeição. Como reagem perante a indiferença e como se esforçam para serem notadas. Mesmo que eu despreze nunca sou esquecido. E sei que estou bem aconchegado em certos corações de reputada virtude. Porque existem venenos que não se dispensam; por mais mal que causem.

 

*  Pequeno laivo, parafuso essencial na rasteira e rudimentar estrutura mental alheia, sempre necessário ao evoluir sereno:

 

- Embora, no campo estritamente biológico, o conceito de "raças" se esteja a tornar obsoleto e disto já eu sabia, o uso do respectivo conceito acima é plenamente justificado como realidade SOCIAL E POLÍTICA, usando assim o termo "raças" como elemento de construção sociológica e categoria social  que em tantas e tantas vezes desta ingrata vida, permite empregar denominações a todas as criaturas e pior, justificar exclusões ( racismo, xenofobia, homofobia ... etc!); precisamente o que o Fleuma pretendia afirmar.

 

Erro meu assumido, pois deveria ter sido mais especifico e não esquecer as  limitações alheias.

 

Canso-me.

 

 

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