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Ou as agruras de Nossa senhora!

 

É mais fácil para uma criatura de hábitos simples e porque não, se em si retiver aquela rústica e quase analfabeta fragrância que sempre parece acompanhar estes peões, trocar os seus caminhos de outrora quando a perdição poderia bascular trilhos mais sinistros,  por um ofegante - eu vi a luz!! Porque não enfrentam dilemas de grandeza sabática ou porque desde logo a sua moral pessoal é tão precária como os seus pensamentos. É fácil e nem sequer requer técnica especial.

 

Fascina-me o mero facto, momento de simplicidade existencial em que existe a transfiguração de uma cretina ambulante, pejada de caricaturas supostamente imaginadas como referências, em algo muito próximo de uma santa que, antes vivendo por acessos de pecado fantasioso se redime e se rende às águas serenas da pacificação pessoal. Sua e dos outros. Creio ser lindo, este processo!

 

Fico sempre acometido de ternura quando pressinto uma alma simples e corrupta tornar-se num bastião de pacificação. Que o Taoismo pode ter muito para dar. Ainda que sejamos servos de uma essência incolor e na nossa pequena mente resida um colossal buraco negro devemos sempre, mas sempre tentar massajar as costas de um qualquer monge budista e assim, entre pequenas gotas de suor e ligeiras doses de pus e pontos negros, tentar obter algo da sua energia vital. Sabedoria e tolerância! É ponto assente.

 

E recomeçamos um novo-velho ciclo de expansão universal. Para isso, necessário se torna escrever com alguma alma e sobre assuntos que outrora apenas se destinavam aos escolhidos. É imperioso deixar para trás as chagas do passado e quando tudo o que era escrito por nosso punho, nem sempre acompanhado pelo buraco negro cerebral, não saía daquela pequena e dúbia zona do retardamento mental ordinário e a pulsar de legitimidade negativa.

 

A propósito de negativo, evitar demónios e afins! Por favor. Mesmo sendo danados por serem filhos da suposta senhora. Estes já não se salvam! Até porque de certeza que a energia universal não chega para todos.

 

Fascina-me. A sério. Como se quem toda uma existência foi falha de conceitos minimamente racionais pudesse alguma vez aspirar a algo melhor!

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Gostaria de dar um Kudos! e porque não um irrequieto Hej! a uma estranha e nova adição a este blog de sombras!

 

Eis que hoje quando abria este meu Necronomicon de escuridão que já muitos me afirmaram estar um "reflexo puro e duro do que sou" - se calhar a culpa é sua Gaffe, mas eu tenho as costas largas, - quando me foi sinalizado que alguém tinha adicionado o meu blog. Já o tinha feito no dia 5  deste mês mas a minha distração e afastamento é já proverbial. Não tinha reparado, lamento. 

 

E quem vejo que se juntou a mim nesta minha demanda para o Inferno? Nada mais nem menos do que o já famigerado e desincubado nome de Pink Poison!!!! 

 

Aye!! Reconheço que inicialmente a minha surpresa me deixou estupefacto. Tremi e titubeai! Mas após escassos segundos, a razão que tanto me assiste agarrou-me pelo queixo  e podem acreditar que a bofetada doeu!

 

Óbviamente, só pode ser uma de duas coisas. Ou finalmente viu a luz! E reconheceu a minha superioridade. Coisa que duvido, visto o que já conheço das minhas observações do veneno rosa em questão. 

Ou alguém pretende brincar com a coisa, que desde logo me parece mais certo e acho que a Pink veneno deveria resolver. Possivelmente alguém pretende ser mais Pink Poison do que a própria. E se for uma provocação, admito que me fez rir e só por isso merece referência.

 

Se for verdade e mesmo que não seja, porque o nome em questão existe aos pontapés de tantas botas como as que eu gosto de calçar, eu, Fleuma, filho da puta consumado, decidi colocar uma singela homenagem pela coragem e até, porque não, petrificante vontade de me agradar. Ponderei uma imagem de mulher nua, coisa que sei ser popular entre as lavagens cerebrais que sustentam aquele cérebro. Mas depois pensei:  assim vão pensar que me estou a vender ou a oferecer. Niet! Isso não! Que eu posso ser filho mas não ser o oferecido.

 

Decidi por uma bela imagem tirada a mim e a uns amigos meus que de certeza traduz toda a noção que a famigerada tem do Fleuma. É colocada com muito amor e carinho e posso até fazer uma proposta singela de prática entre cavalheiros filhos da puta. Se adivinhar onde me encontro na imagem eu dedicarei um post neste blog só a si ... Pink Poison. Ou quem está a tentar simular o que não se simula. 

 

Pequena ajuda - não sou nenhuma das criaturas sem cabelo! Sei que isto facilita a sua ignorância. Ou de quem acha que é Pink Happy!!

 

Jesus Cristo num acesso de fúria! Hoje já foi dia de riso! Desde logo agradeço.

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Ainda hoje eu anseio por uma explicação racional, mínima que seja, para a ideia de alma gémea. Talvez porque seja espessa a minha dúvida, sempre que vejo retratado este conceito, sem dúvida fruto de uma mente degenerada pela incapacidade de aceitar a sua solidão, só consigo questionar uma e outra vez e nunca me é apresentada uma resposta coerente. Pois então, parece que alma gémea é ideia assente em fé. Religiosa e relíquia de literatura de baixo calibre, assim a rasar o saloio imprestável.

 

O que me intriga nesta coisa de almas gémeas tantas e tantas vezes ditas e escritas em outras línguas que não a de Camões, nem que seja só para parecer sofisticado neste burgo, é de imediato a ideia que transmite. Há algo obsceno na ideia de alma gémea que leva para o domínio de rebanho e grupo que pensa e age da mesma maneira. Coisa que me deixa aterrado! É algo que me suscita desprezo e nojo.

 

Mas Fleuma, então o amor e a partilha de sentimentos entre semelhantes? E o calor de um abraço ou de um roçar de corpo? 

 

Reservo o meu direito a reservas, respondo eu. E indago:

 

Uma alma gémea para que não seja uma qualquer abominação deslavada necessita de igualdade em relação a quem decidiu que queria algo gémeo. Assim! Sem mais nem menos sentindo-se só e desprotegida imagina outro semelhante. Portanto terá de possuir os mesmos atributos em qualidades boas e defeitos. Significa que a pobre alma gémea herdará a sagacidade, a coragem e destemor bem como a grandeza interior de quem a elegeu como sua siamesa. Neste caso até nem será pobre - antes rica em proventos e luz que ilumina o túnel.

 

Mas, sacana de mas estava aqui escondido algures em espera para  pontapear a ideia de esperança, e se quem assim tiver decidido, assim porque sim!, imaginar uma alma gémea nas suas viagens de faz-de-conta pouco mais seja a nível intelectual, moral e até em utilidade, do que uma mera mancha existencial. Assim descrita por confirmação indelével. Contra factos não existirem argumentos.

 

Aqui vacilo e estremeço! 

 

Significa que a pobre alma gémea será um reflexo de tudo o que é cretino e disfuncional em quem a elegeu como tal? Que apenas significa ser um ombro de ajuda para as chagas de uma vida despendida naquela maresia tão própria dos que acham que evoluir é filosofar feliz e ignorante.

 

Mas e se a mesma alma afinal não se sentir gémea e apenas piedosa perante tamanha e incompetente calhorda? E se, não querendo ser contaminado por tanta burrice e nevoeiro mental, a dita alma que não quer ser gémea apenas sinta pena e solidariedade com tanto sofrimento moral? Porque as dores e golpes de quem elegeu uma alma gémea, assim porque sim!, são tão vastas como a sua própria moralidade de bazar em dias de feira. 

 

Não sei. Hesito.

 

Valerá o risco aprisionar uma alma imaginando-a gémea quando se habita um universo de pedante imbecilidade?

 

Isto não serve para responder à questão que me atormenta e ao necessário de uma explicação. Almas gémeas são como desacertos imaginários onde forçamos uma qualquer criatura a reduzir-se à condição de reflexo incapaz e se a nossa natureza for a de um pedaço de ossos ocos, ainda se torna pior.

 

Imagine-se Aleister Crowley, H.P. Lovecraft ou um Sam Harris a imaginar almas gémeas. O mundo deixaria de ter disparidades e passaria a ser um vale de imbecis incapazes e com algumas réstias de imaginação. Apenas isso. Já bem basta o seu grande número a arrastar o cheiro por todo o lado.

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Há dois anos, em plena  Buenos Aires, deixei que aquela artesã das cores traçasse no meu corpo a palavra Metanoia. E sempre que esta palavra consegue ser destingida no meio de outros traços sou normalmente brindado com olhares de ignorância tolerante ou questionado pelos poucos que lhe conhecem os significados.

 

A questão é que esta é uma palavra que poderia perfeitamente designar tudo e nada. Porque simplesmente abrange tudo. Pode significar o conhecimento pela alteração do pensamento. Das ideias que criam o caminho para uma maneira nova de viver. Gosto da ideia de expansão da consciência sem ter de me sacrificar pelos outros. Mas também quero aceitar  ( e muito!) a perceção de que alguém sente amor  ou amizade por mim. Metanoia torna-se fundamental para me avisar da necessidade de aceitar que alguém, algures, sente saudades minhas. Que consigo cravar um sorriso  no rosto de outra pessoa.

 

A artesã riu-se timidamente quando lhe solicitei a arte para a palavra. Que os traços fossem seus mas o significado ficasse marcado em mim. Mesmo que tenha estranhado porque razão Metanoia se não se tratava de uma aceitação de fé. Creio que a fé não é deus. É tomar a consciência do que mora nas franjas da minha vida e estar disposto a viver com isto. Que egoísmo é querer tudo para todos mesmo sabendo intimamente que alguém irá sempre ficar para trás. Prefiro deixar-me estar e atrasar o passo para poder acompanhar estes.

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Existe uma estranha alquimia, desconhecida para uma grande maioria, naqueles que permanecem juntos durante anos a fio e sem que se possam vislumbrar falhas na armadura. Algo único parece sustentar estas criaturas que por alguma rara combinação de agentes não cede ao tempo nem sequer à aproximação do fim.

 

Conheço um casal que permanece num estado de união longo. Longo de quarenta anos. E não consigo perceber um pingo de morte sentimental entre ambos. Cúmplices em potência, sempre que os vejo vão desfigurando as minhas reticências e o meu cinismo mais agreste. Nunca vi um gesto de agressão entre ambos. Um levantar de voz mais crispado. Uma falta de gentileza que possa danificar a minha visão deles. Quase diria que sobrevivem os dias num êxtase bizarro que não os deixa atravessar a barreira da luz.

 

E por vezes sou brindado com relances de absoluta irrealidade. Se calhar porque me conhecem e me sabem observador, gostam de me retalhar os sentidos em tiras finas. Deixo que me mistifiquem a alma e quase, quase consigo sentir a fragrância de deuses antigos proibidos nos dias de hoje. 

 

Entrava  em casa após mais uma noite de trabalho. Era cedo, mas o sol brilhava intenso e entrava a jorro pelas janelas envidraçadas das paredes da escadaria que conduz à porta de saída do prédio. Sei que tal como eu não vão de elevador. Apesar da idade avançada não o fazem. E naquela manhã parecia propositado, mas durante longos segundos a realidade esfumou-se como se estivesse comandada ao prazer daqueles dois. Nunca tivera a possibilidade de os ver a descer as escadas. Estavam no último lance mesmo em frente a mim e antes de se cruzarem comigo e desciam ambos em sintonia. Mas o que me deixou translúcido foi que dois dos seus braços estavam unidos um no outro. E o braço livre do homem apoiava-se na parede junto à escada enquanto a mão livre da mulher agarrava o corrimão de metal da escadaria. 

 

Pareciam algo semelhante a uma muralha ocupando a largura da escadaria. E no preciso momento em que observava esta manobra o braço grosso da luz solar parecia cobrir aqueles corpos. O dela, que sempre se veste a fazer lembrar a estética dos anos 40 e o dele, sempre de fato à medida. Sempre de camisa imaculadamente branca e sem gravata. 

 

Devo ter parecido um perfeito idiota. Assim especado e em delírio mental pela rajada impiedosa daquela atmosfera. Mas o que me fez estremecer da cabeça aos pés como se estivesse em frente a um comboio a alta velocidade e em minha direção foi a frase do senhor quando passou por mim, desta vez apenas de mão dada com a senhora ( coisa que sempre lamentei não ver mais vezes entre duas pessoas que se amam ...), numa voz ligeira e suave.

 

- " Bom dia ... "

 

- " Está um bom dia para estar vivo. Não acha, senhor? ... "

 

Não respondi porque não se deve responder à recompensa de testemunhar algo precioso. 

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Comentário no post Quantos anos tens, Fleuma? Seu desgraçado!

Ainda bem que essa gora com cara de sapo não sou eu. *Porque não respondi a ninguém com 45 anos e com filhos e tal... Quanto à pessoas que tu julgas que te vais rir muito, pergunta a um tal de Ricardo Grassa se não foi amante dela? É que seu fui rameira, eu tenho quem afirme que tudo o que é mais novo, não lhe escapa e isto não sou eu que afirmo, dou a informação que leio. Deves ser mesmo uma pessoa seca, podre, azeda e mal comida. Xiii pá! Tanto ódio... Mas eu não tenho vindo ao teu blog, não és o único a ter amigos e eu não fui casada com um dos top five em programação neste país e fiquei amiga dos chefes dele para nada :))))Quanto ao rejeitada... então, todos sabemos que sou uma menina do papá... Vá adeuzinho. E juro-te pela saúde do meu pai, nunca mais ponho aqui os olhos, para mim, és um demónios, prefiro ser tudo o que chamas e ser FELIZ PÁ

Pink Poison (IP: 178.166.35.159) a 4 de Dezembro 2016, 02:19

 

 

omentário no post Quantos anos tens, Fleuma? Seu desgraçado!

Darling, serei eu colega de profissão da sua mãe. A pessoa que defende admitiu ter estado envolvida com a pessoa que falo, a senhora que é dona de um blog no sapo, providenciou uma série de informações qque eu apenas as li e digo que li, não as posso confiar.Não me apanhas a trair o meu marido, não em lixas a vida e podes perguntar às filhas da senhora (!) em questão se esse indivíduo não tentou assediar uma delas? Queres o print onde ela afirma que se envolveu? Queres, ainda melhor, a conversa gravada, entre mim e ele onde ele conta uma série de coisas(moralmente tem o valor que eu entendo, judicialmente nenhum)? Pá, ele entrou em guerra comigo a mando dela, pediu desculpa e desbroncou-se e ela dizia "o meu bom amigo ", agora, o "bom amigo" és tu... Lutar uma guerra que não é tua.FODE-TE

Pink Poison (IP: 178.166.35.159) a 4 de Dezembro 2016, 11:57

 

 

Bem! Bem! Dois comentários com tantas palavras| Aposto um escarro meu em como a cabeça deve ter ficado em água. Mas contrariamente a outras ocasiões, vou apenas atirar-lhe umas migalhas para comer, com um pedido de maior clarividência na forma como escreve porque está confuso e pejado de omissões sempre aborrecidas para alguém tão superior como eu. 

 

A) parece confirmar-se algo que eu já suspeitava: parece estar a sofrer do síndroma Fleuma.  Jurou pela saúde do velho que não voltaria e voltou. Portanto o seu velho vale nada! Ou então foi uma outra sua personalidade.Pelo que tenho ouvido sois um verme que exclama que eu não passo sem si. Creio que é exatamente o contrário. Tal como a velha cretina, admita, você adora-me! Claro. Não sou como os seus clientes habituais. Um demónio é sempre imprevisível e sabe que aqui não manda nada! Só se for em submissão. E entenda que não deve resistir. Só piora.

B) está sempre à espera que eu escreva algo para vir ler e absorver magia. Só assim se justifica que mesmo sabendo perfeitamente que o que escrevi não lhe diz respeito, que nada tem a ver com as suas merdices com outros, você se tenha apressado a emitir opiniões imbecis. Porque não foi para si que escrevi!

C) NÃO FOI PARA SI QUE ESCREVI O POST!!!!!! Bem sei que desejava e deseja a minha atenção, mas sabe que quando lhe dirijo alguma palavra estará implícito que é para si. E depois, por vezes apetece-me gracejar um laivo com a sua estupidez mas depressa me abstenho porque tenho tido a noção de que pelo menos duas pessoas pura simplesmente dizimam a sua existência ao ponto de se tornar embaraçoso. Seria apenas espancar a morta.

D) não percebeu nada do que escrevi, tonta. Tem a ver com outras alturas e outras coisas. Como já deveria ter entendido, não me interessam os seus assuntos com outros. A mulher de quem falo diziam ser minha amante e o nome que cita é a primeira vez que vejo. Reveja o que diz porque não me diz respeito e acima de tudo NÃO ME INTERESSA A SUA GUERRA!!!!! Eu só me lembro de si quando me visita e com demasiada frequência. 

 

E) "Mas eu não tenho vindo ao teu blog, não és o único a ter amigos e eu não fui casada com um dos top five em programação neste país e fiquei amiga dos chefes dele para nada" , isto revela a confusão que vai nesse crâneo. Não tem de se justificar por se sentir fascinada pelo Fleuma. Eu não escrevi para si e estes pormenores são desnecessários porque não me dizem respeito, estúpida!

F) por fim, porque me aborreço: não me interessa quem gravou o quê! Se a gorda deu informações demonstra apenas que é bufa e confirma a sua imbatível estupidez. De resto, nada mais. Ninguém me chamou bom amigo e muito menos para uma guerra. Você simplória, é que persiste em aproximar-se do demónio e tal como a velha ver coisas onde não existem coisas! Não estou a lutar uma guerra minha ou dos outros porque isto é apenas divertimento para seres superiores se entreterem com escória. Não preciso de ser convocado para nada, morte lenta. 

G) gosto que me fodam. Não gosto de me foder, a não ser quando imagino o que seria ter de lidar com um depósito de fluídos com a inteligência e racionalidade de um verme.

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Ela entra e caminha ao seu lado a escuridão. Senta-se em frente a mim. Uma mesa a separar-nos. E mesmo assim estamos frente a frente. Nunca me separei da primeira impressão que me inundou no primeiro dia em que a vi. Quando levantou os olhos enormes e intensamente escuros para me fitar. Foi como se dois lobos se encontrassem e em respeito mútuo apenas escutassem o que havia a dizer. 

 

Gosta de pintar os lábios de cores vivas e nem por isso se desfaz a estranha aura de desconhecida noite que lhe percorre os pensamentos e divagações. Os ombros sempre erguidos e tensos, a expressão que não se altera. Dura como rocha. O cabelo negro mas já manchado, aqui e ali, de um branco claro e enigmático. Mesmo que a idade ainda não seja reveladora de tais manchas. Sei que são certas as mazelas de certos eclipses da alma. O corpo parece mais jovem mas a mente envelhece mil anos.

 

Gosta de conversar comigo e eu escuto a sua voz de uma absurda clareza e força. As palavras, por vezes dispersas em glicerinas afundadas na realidade que lamenta, outras vezes espalhadas por dias em que a solidão se mistura com gente que lhe rouba a paz, são proferidas de maneira exemplar. É quase humilhante escutar as palavras que voam entre nós sem um filtro. Puras e muito, demasiadas vezes, duras. Quase sempre para si própria, como se falasse em frente a um espelho que por vezes parece devolver-lhe a conversa.

 

Bebe o sumo de maçã gelado em golpes longos. Agita-se, por vezes, de forma leve como se a gravidade a reclamasse para si. O mais semelhante que tem de um riso encolhe-se em pequenas dobras nos cantos da boca de lábios grossos.  Por vezes divaga enquanto fixa o olhar perfurante nos desenhos dos meus braços e murmura entre os dentes longos, " tem bom gosto ... gosto...". E quando a olho mais demoradamente, endurece e desvia o olhar enquanto ergue os muros de afastamento murmurando ainda " ... é da pele. Só pode ser!". Ainda por estes dias tento perceber o que quer dizer.

 

Não desperdiça palavras em frases que a façam perder o equilíbrio. É perfeita a dicção, sem um erro ou banalidade, mas revela o inverno que lhe fustiga os dias. E eu sinto uma intensa necessidade de deixar que as suas canções me embalem e levem para onde deseja. Estremeço na vontade de colocar as botas em cima da mesa que nos separa, deitar a cabeça para trás e expandir-me em voo.

 

 

 

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Seria como é óbvio  de esperar mais. Um pouco mais de resistência, noção que afinal sempre pareceu ser a sua vontade de teste. Testar as fronteiras de tolerância e paciência de outros escolhidos. Mas provavelmente a sua natureza é mais próxima dos que querem comer mais do que realmente conseguem. Um esbugalhar de olhos perante um repasto que eventualmente termina cedo e sem sabor.

 

O que mais se torna patético reside nas sucessivas retiradas que se assemelham a algo estratégico e não são mais do que admissões de culpa e pior, covardia, é que não existe outra maneira de olhar o assunto do que pender para uma vista de algo pequeno e agora ermo. Devastado por algo superior e que tristemente pensava conseguir combater absorvendo. É irónico que se pretenda outra coisa que não a de gastar tempo num divertimento que sabemos curto. Possivelmente, seria mais sábio destroçar em pequenas doses para que a duração fosse mais longa.

 

Mas posso esperar sempre mais. Que seja uma serpente e que estas fugas em frente sejam um retiro para uma taciturna mudança de pele. Porque esse desfazer de casca velha leva dias que podem ser usados a congeminar e a remoer. E depois, se a serpente envelheceu, porque é lei das coisas, a mudança de casca é ainda mais lenta. Por isso, fica entre restos no buraco fechado.

 

E calha até que eu só veja e atente no que é mais escuro e em relação aos que se acham feras insondáveis, intragáveis e enfezadas, forças de natureza fantasiosa, poderia eventualmente ser mais brando e aceitar que é bem possível que estejam já dançando no espírito de natal. Sim. Pode bem ser isso. Uma retirada após mais uma punição que assim sempre se pode pensar em mais doces e prendas para os queridos. Uma coisa pode bem levar a outra porque sei que gostam de comer doces e é um facto consumado: o excesso de doces não engorda apenas, administra belas doses de letargia mental e física. E aqui não é apenas questão de mudar a casca velha. É também acção de digestão.

 

Mas eu esperava melhor e muito mais. Eis que me sinto desapontado. Talvez seja também hora de fechar este blog.

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  Refraction ,

 

Existe em mim um explícito prazer. Nada me satisfaz mais do que a sensação de ir contra a corrente. Nada consegue superar este pensamento. Fazer de maneira diferente. Encher as minhas sombras com as tintas que escolhi. Vale cada segundo poder observar a expressão de quem acha conhecer-me profundamente e assim prever o que farei. E quando mostro o que decidi e irei fazer, as expressões mudam. É quase possível cheirar o seu desapontamento. Existe uma chama que se apaga. Ficam as cinzas do desapontamento.

 

Não tenho preconceito em relação ao ódio. Meu e dos outros. Quem julga comandar raramente me aceita. E é vital que eu demonstre isso mesmo. Não sou ingénuo ao ponto de não o saber. O ódio é uma emoção de força e que em muitas ocasiões me ajudou. Irá ajudar. Por isto não me interessam os ódios e as chispas dos outros. Confunda-se da maneira que se queira. Ódio, desprezo ou egoísmo. Eu não peço perdão a nenhuma alma! Porque deveria pedir? Se nem a mim próprio peço.

 

A minha felicidade, por escassa que seja, é preciosa. É demasiado rara. E está fechada a sete chaves. Apenas quem eu quero consegue abrir certas portas. Isso é uma verdade inegável.

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 Still glowing ashes ...

 

Gosto do caminho feito no gelo branco. O peso das botas que se afunda na neve macia. Gosto do arfar fatigado e do vapor gelado que se liberta do corpo em andamento. Porque sempre persiste a ideia de calor. Ou então, a vontade que assim aconteça. Tantas vezes, o vazio do inverno é preenchido pelas visões de refúgio. Onde existe o fogo e a bebida que embebeda. Tantas vezes ... O calor do afago e reencontro. O contacto do corpo ... É difícil explicar ... 

 

Como posso eu explicar a importância de um beijo ou carícia recebida? Como? Se eu próprio não consigo explicar os meus beijos ou carinhos. Se tantas são as vezes que me silencio, incapaz de de proferir o que seja em defesa do que recebo e dou ... Não se nasce a aceitar o silêncio como resposta. Poucas são as pessoas que percebem, que nascem, capazes de compreender o peso do silêncio. Sei que sim. Porque também sei que este sossego nasceu comigo. Silêncio. Por isso é fácil perceber  como pesa. 

 

Veja-se que não o lamento. Mas aos meus ouvidos quando me é segredado "amo-te", soa-me tão estridente! Sentir-me parte de outra pessoa? Alguém que eu possa trazer para a minha sombra?  E depois? ... O abraço amado e o resguardo que me assegura que tudo irá ficar bem. Terminar em paz. 

 

Eu ainda persisto na ideia. Ainda. Não consigo sentir algo tão intensamente debilitante por mais ninguém. A razão é cristalina. Morreria seco. 

 

 

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