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Esquadrinhe-se as horas resistindo aos maus sentimentos que sempre nos querem afogar no ácido da descrença. Em purga, finalmente indolentes, aceite-se a canonização como afirmação de santidade imortal. E porque creio que tudo é violento e ainda assim tudo brilha, deus também vagueia no espaço sideral. Eu quero que lhe seja atribuída a qualidade de astronauta: deus é um astronauta!

 

Existe um castigo para os que não são beatos. Para os que olham de soslaio rancoroso a ecclesia Fátima e os seus segredos não revelados. Assistir ao que se recusa a morrer em paz. Ao chamar desesperado das hostes em queda perante um estado que já não é novo.

 

O pai Francisco parece cansado e cambado nesta chalaça apostólica. E entre a bruma dos dias, possivelmente questiona e consome-se no seu aspergir.

 

" A que sabe Deus? Será possível alguma vez, entre os éons da existência, que alguma criatura num rasgo de prepotência tenha saboreado Deus? Que desde tempos arcaicos nunca se soube o sabor divino."

 

Talvez a imortalidade canónica seja então apenas um tempero onde não existe sabor. Que as fragrâncias de santo existem e é possível trautear a bênção aos perdidos com elas. São a mortificação penitente que lentamente cozinha as outras criaturas. 

 

 

 

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