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Numa qualquer galáxia distante, uma qualquer criatura desumana pode ter decidido observar este planeta a que chamam Terra. Talvez entre o fumo dos incensos malditos assim tenha decidido - observar e procurar uma rara estirpe entre as existências que caminham e respiram no planeta.

 

A desumana criatura, vinda de longe, por onde caminha o silêncio do vácuo e a persistência do frio escuro, teria um único fito, onde nada mais importa: ansiava observar uma raridade entre os humanos - os gigantes.

 

E ficaria pasmada! 

 

Porque afinal, ainda é possível testemunhar a raridade preciosa que é ver gigantes! Criaturas que respiram e caminham entre outros tantos seres de muito mais crassa estatura. Gigantes cujo peso colossal esmaga e oprime pela desajeitada incapacidade de todos os outros conseguirem ser muito mais do que pequenos pontos de carne ante os seus passos.

 

Senhores das suas próprias preces. Conglomerados existenciais e mesmo assim, crianças loucas que não conseguem pertencer a este mundo. São de outros universos que não este, o nosso.

 

A estes gigantes, observaria a desumana criatura vinda de outro mundo, tantas vezes se dedicam velas acesas e cicatrizes pessoais. Orações entoadas entre rosários dissimulados aos deuses imaginários. Seres monolíticos porque na sua incoerência nos são antagónicos - não são governados. Governam. Não fingem. Crescem!

 

E são gigantes enormes que se cobrem com véus de persistente paciência, enquanto se deslocam com a ligeireza do jaguar nas montanhas. Apenas em raras ocasiões e entre ténues vislumbres, permitem que seja sentido o seu peso cósmico  em formas físicas impossíveis que se cravam no corpo para sempre.

 

Sim. 

 

A desumana criatura regressaria ao seu distante mundo muda.

 

Em silenciosa comoção. 

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