Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A iluminação pessoal é tantas vezes o resultado do esforço e vontade de progredir mais um pouco. Bastas vezes, é nas palavras e ideias dos outros que essa inspiração surge. Por fugaz que seja. E eu bem sei que há criaturas que pensam no que escrevo. E se calhar, atrevo-me a supor que isso até lhes permite fugir do mundano e opaco que é a sua existência.

 

Mas nada me deixa mais admirado, quase na senda daqueles gurus de comportamento, do que a constatação que as minhas ideias transcritas em palavras se tornam objeto de pensamento reflexivo para uma rameira. Por um lado sinto o dever cumprido e que a sua mente baça por anos de abandono se arraste e tente o pensamento racional. Mesmo que passe pelo copiar de definições que, tragicamente, nada se aproximam do que penso. Mas pelo menos, rejubilo! Tentou algo mais do que pensar onde receber o próximo depósito monetário. 

 

Por um outro longo caminho vai a tímida tentativa desta fazer pseudo-ciência. Algo que se transforma numa comédia grotesca de imenso mau gosto. Sem dúvida, um cientista é também uma rameira bem ao seu modo. Afinal, para que a ciência funcione são muitas as ideias, teses e noções que deve deixar entrar na sua mente. Coisa que nem sempre é bem paga, mas que o obriga a ser amplamente liberal para com todos os pormenores. 

 

A rameira não é uma cientista. Longe disso. Se efetivamente dispõe de algo, esse algo não é ciência. É mais a habilidade aprendida pelos anos de submissão e abuso a si e aos outros. Ler o que outros mais cultos e superiores escrevem é um hábito saudável. Até porque permite esforçar um pouco mais a mente. Alem do parcimonioso agora tu por cima depois eu. Paga e sai. Mas qualquer outra ilusão de grandeza deixa a rameira num vácuo extenso e doloroso. Porque não lhe é permitido caminhar até ao paraíso da ciência. Pequenos passos levam-na até ao próximo cliente. Nada mais. 

 

E porque não deixar o pensamento genuíno e produtivo para as almas grandes e dotadas para tal? Que se cale a racionalidade perante a mais velha e preguiçosa profissão e se assumam os devidos lugares. Para quê lutar contra o imbatível e imutável: a rameira não idealiza ou cria. Serve, obedece e padece de atrofia para além deste facto.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)







topo | Blogs

Layout - Gaffe