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É obliterante a expressão desajeitada de quem tenta disfarçar o desconforto de mais um dia entre os ecos de uma casa vazia. Esfumado que foi o cogitar do voar sobranceiro e singular em absoluta liberdade. Resistência vencida pelo passo surdo do quarto para a sala enquanto a água corre abundante ( agora sim, já não existe demasiado consumo e o pagamento é menor...) na banheira e o cheiro intenso  a mel aguarda o corpo.

 

A nova estrela não é rutilante no corredor colorido para o espaço  de alimento. Tão espectral como a máquina nova de café que emite a sonolência do som: hoje a cápsula será verde em chávena cheia. Sem açúcar para que a morte não se aproxime em passos de lã.

 

Nas míseras ocasiões em que o peito se rompe partilhando palavras alpestres de nostalgia, é no vaguear solitário das estrelas sem som em plena sala de artefactos confortáveis, que mais açoita a solidão. No dormitar incapaz. No atrito congeminar de que o sol por mais agreste que seja consiga alguma vez preencher a ausência da voz e do riso. Em cada estalar de madeira e entre a mais ínfima partícula de pó está o dedo que pelos dias catalogava a casa com calor e o som cristalino das notas de piano, sempre terminadas com um bater de palmas sério.

 

"Inter sidera ..."

 

 

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