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Pinturas com sangue - Maxime Taccardi

 

 

Ensina-me o desespero. O que procuro realmente é o Inferno. Acabo de solicitar o meu sangue para as artes de guerra e caminhos da escuridão - porque estou farto de malícia sem prazer. Prefiro desvanecer-me nesta certeza. Nada é realmente o que parece e apenas tu consegues acender a luz onde germinam os meus dias de espera. E creio eu, já deves ter olhado a minha vontade por demasiadas vezes. Já estou farto de esperar.

 

Os pequenos pedaços de conversa, em diálogos que conduzem sempre ao mesmo porto. O abrigo das certezas que tu e apenas tu conheces. Infelizmente, pareces conhecer-me melhor do que eu próprio. Coisa estranha e apesar de tudo, reconfortante.

 

E dizes-me sempre que consigo desestabilizar os outros de uma maneira sistemática. Que visto as camisolas ao contrário, dirás, por hábito. Mas irritam-me as pessoas que abanam a cabeça e condescendem algo como apropriado. Que se torna um outro desespero saber qual será a reação de quem se recusa a aceitar o evidente: não existe amor sem o desespero de sentir a saudade. Porque afirmam que se pode esperar e até é saudável para a alma! Idiotas...

 

Será fruto do meu instinto? Conseguir escalar o cansaço que vou digerindo quando deixo de falar sobre o que sinto e atento aos outros. E logo me canso e pergunto pela vida que preferem não contar?

 

Prefiro então, as tuas chicotadas de realidade. Dispostas onde mais magoam. Prefiro o teu Inferno. E talvez porque a saída deste sangue me tenha dado uma lucidez onde tal não deveria acontecer, se tenha tornado óbvio que algo sempre conspirou para um fim rápido e sem que seja de joelhos! Porque nada me custa mais do que absorver dobrado e em cobarde submissão.

 

 

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2 comentários

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De Anónimo a 20.01.2017 às 14:57

"Infelizmente, pareces conhecer-me melhor do que eu próprio. Coisa estranha e apesar de tudo, reconfortante."
É das boas sensações da vida, sabermos que existe alguém que nos sabe, e melhor ainda, que nos sabe melhor do que nós mesmos.

Invejo a sua capacidade de fazer exercícios com palavras, com a mesma facilidade com que eu ainda canto a tabuada.
:)
Conviver com a acutilância que imprime custa de inicio a quem lê, depois encaixa-se, e a seguir custa sempre!
:P
Mas não é a dor que nos inibe de ficar presos ao que escreve, e descreve.
:)
Goste-se ou não se goste de sangue e sombras, a verdade é que você é um belíssimo arquiteto da escrita.


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De Rii* a 02.02.2017 às 20:17

obrigada pelo teu comentário, sei que não escrevo muitas vezes talvez por desleixo ou talvez porque a vontade não é tanta ou porque os devaneios da minha vida não deixam

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