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Em noite de solidão, perguntou-me por luzes. Disse-lhe que algo brilhava ali - mais perto das arestas onde se agitam os cisprestes. Não sossegou e voltou a duvidar - como se poderia saber? Que estranha forma de luz era aquela! E mesmo calado não consegui esconder o brilho dos meus olhos na sua solidão escura.

 

Perguntou-me então que novas cores eram as que cobriam o meu rosto - será para esconder a tormenta atirada ao cais da minha nostalgia? Porque se sente só. Sabendo que esses são mares que afogam sem piedade. Porque há longas noites me considera náufrago e gostaria de fugir a esse destino.

 

Não lhe falo das novas cores. Porque não sei do que fala. Nem porque , em escassos momentos de fraqueza, desviei os olhos da sua expressão de triunfo ante a minha cedência. Preferi esconder o rosto na sombra - como sempre acontece perante a adaga que se aproxima pronta a remexer o que sinto e penso.

 

Não aceita a falta de respostas e vasculha entre pautas de som o que não lhe digo. Pensa que sou maníaco pelo simples facto de não aceitar estender-lhe a mão para caminhar.

 

" talvez penses que o teu caminho é melhor  e mais  seguro do que o dos outros ...", resmunga.

 

" ainda assim e se for isso, és egoísta!"

 

Prefiro não explicar que um cego não é caminho para outro cego. Mesmo com olhos abertos e vendo luz, não consigo caminhar ao seu lado. As vozes que oiço não são as palavras que ele gostaria de escutar.

 

Quando o desespero parece finalmente começar a cravar fundo, desliza na solidão e estende a mão para ligar e ouvir o que tanto gosta: Paganini. 

 

Nunca se esquecendo de dizer, entre as notas de "caprice em Lá menor", que foi a melhor coisa que alguma vez fiz por ele.

 

 

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