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Não conseguia entender essa estranha noção. É cegueira absoluta e ainda assim, julgava ver. Nem sequer conseguia distinguir. Sei disso agora. E já se  fez  tarde.

 

A minha presença, entre outros. Rodeado e irremediavelmente subjugado pelo som colossal. Barulho que soa a batimentos de estrela negra. O coração suspira pesaroso naquele ritmo indescritível e senti o esmagar das artérias. Enquanto, de visão em visão, compreendi o comungar  de certas almas.

 

Cada vez que deixava soar a minha voz, entre os finos fios de notas mensageiras dos dias mais assombrados de maravilhas negras, deixava de sentir o frio da noite. Terminava a claustrofobia que tantas almas a respirar, cantar e celebrar  me aterrorizara.

 

Assustei-me, naqueles momentos. O espaço confinado. Enclausurado entre gente e incapaz de parar. De me forçar a parar. 

 

Alguém me sussurrou depois ao ouvido que algo se tornara diferente em mim. Aceitei e deixei por explicar que me assustei perante as emoções que me forcei a experimentar - a batalha que travei para voltar, regressar, daquela escuridão pintalgada aqui e ali por  focos de luminosidade. Luz pequena. Luzes frágeis entre nós e os outros. Inúteis tentações de salvação entre tanta fúria.

 

É ainda estranha essa noção. Comunhão. O que é isso? Revelou-se que o som, naqueles momentos, tem uma estranha alma. Pesa e oprime. Abençoa. Que a minha voz tem o feio e grotesco partilhado com todos. O que está para além dos diminutos focos de luz cada vez me assusta menos. E cada vez reclama mais o meu atraso.

 

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3 comentários

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De Bruno a 08.03.2017 às 14:28

Oh meu querido, como gostava de experimentar essa sensação de uma estranha calma, entre a multidão. Mas não consigo combater aquela necessidade de afastar-me para o canto mais livre, mais distante de simples olhares...
Espero-te bem.
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De Fleuma a 08.03.2017 às 15:23

Foi bem mais do que isso. Foi estar no centro do furacão. De frente para imensa gente.

Não existe calma. É impossível. Creio que estou a acordar lentamente de um sonho.

Saúde.
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De Bruno a 09.03.2017 às 04:31

Bem,essa de estar de frente para imensa gente... Tirando a parte em que esteja a servi-los no café, é algo que me deixa temeroso. Posso dar o simples exemplo de un karaoke entre amigos, em que não canto, só tremo. Ou uma viagem escolar, em que tive que ser o porta voz da nossa turma, falar em frente a outros e... tremores e mais tremores. Fico feliz de imaginar que possa ter corrido bem melhor para ti!
E se o fizeste, não é um sonho, pelo que não irás despertar dele. E, acreditando que tenhas sido bem sucedido, acredito que possa vir a suceder mais vezes!
Muito, muito sucesso!
Grande abraço

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