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Não se trata de pessimismo. Na verdade nem sequer se deve falar de negativismo. Uma noção que não surge de repente, nem sequer se aproxima de tal. É uma semente que foi plantada antes, numa outra outrora fortuita mesmo perante os olhares atentos e os sobrolhos carregados. Movimentando-se como um célere violador de campas entre sombras e sem ruído. As mãos de dedos longos são plantadas na cabeça e o ardor dos pensamentos torna-se insuportável.

 

Depois a visão turva-se. Tudo assume aquele calor seráfico das noções rasgadas sistematicamente. Todos os dias! Em qualquer lugar e em plena existência. 

 

Acreditei nele. Mesmo rasgando a minha pele acreditei. E mesmo quando me abandonou não fui capaz de me desiludir com ele. Afinal, apenas me confirmou que as estrelas morrem. Que quando chove devo aceitar a recordação dos momentos sombreados pela panaceia urdida na cumplicidade da fuga. 

 

Não fui capaz de lhe conceder perdão. Creio que me desprezaria se o fizesse. Gente assim não procura as míseras migalhas do assentimento. Nem sequer sou capaz de me perdoar a mim mesmo não lhe chorar as ações. Prefiro o frio. Conviver com a ausência.

 

Mas ficou o espaço vazio. Não o pessimismo ou o negativismo. Nos pensamentos esperados? Zero absoluto!

 

Temo, nestes dias, o domínio de um espaço que deveria apenas ser meu. Não permeável a invasões estranhas. E no entanto cada vez mais me deixo afogar cansado de resistir ao impossível. Humilhado por quem se anunciou e deleitou no destroçar dos muros. Temo porque imaginei vazios nunca preenchidos, lentamente submersos em cumplicidades que desconhecia. É aterradora esta fragilidade pessoal de armadura fundida com carne senciente.

 

 

A impossibilidade de retorno é um prego na carne. Doloroso para mim e para quem se atreveu a, placidamente, dominar de novo os meus dias. E desta vez não sobreviverei.

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