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Photo Lee Jeffries

 

 

Estranho, como toda a gente se preocupa com o mundo. Como as pessoas se parecem mais umas com as outras. Preocupadas com a salvação do planeta. Com a natureza que agoniza e como o clima aquece. Estranho.

 

E no entanto, não existe a noção de que a  preocupação maior deveria ser por nós próprios e nessa ténue( quase serena ) incapacidade de assumirmos mudanças internas. Creio que tem a ver com a dificuldade em olhar frente a frente aquele monstro que germina e habita cá dentro. Placidamente, como mendigos de esmola escassa, aceitamos como facto consumado que é mais fácil tentar alterar o exterior. Porque sabemos, desde sempre, como são excruciantes as dores da transformação pessoal.

 

Não é muito aceitável que, no lugar de sermos verdes e ecológicos em defesa de uma mãe natureza que afinal não existe e se existisse estaria de costas voltadas para nós, antes observemos o negro pessoal. Porque dói e reduz a estilhas o que realmente somos. Teríamos de aceder à viagem no fio da navalha, à obscuridade e tristeza quase cega e surda que acompanha quem aceita o monstro e convive com ele. Assim é tão fácil, tão mais fácil que em primeiro lugar sejamos verdes. Que olhemos para o lado, em esforço contínuo e cego para salvação do planeta.

 

Planeta que já cá estava antes de nós. E que assim continuará a ser depois de nós. Que, contrariamente a criaturas como nós, se adapta e transforma. Absorve e subsiste. Antes subsistiu sem a raça humana. Porque razão havemos de pensar que precisa do nosso legado ou preocupação?

 

 

 

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