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 *Rex Mundi...*

 

 

Falar sobre algo genuinamente positivo. Tentar descrever gestos que de tão básicos se transformaram em piadas grotescas sobre a empatia. Creio não ser necessário refletir sobre a natureza arcaica com que criaturas como nós encaram o individualismo. Algo intrinsecamente nosso como intransmissível é olhado como negativo e capaz de fomentar a discórdia. Onde deveria coabitar a concórdia e a unidade.

 

Nestes dias engorda-se na opulência aeriforme da festa coletiva. Barram-se os portões aos ventos tormentosos da depressão e do vazio pessoal. Cerram-se os olhos com força! Fecham-se as agruras dos dias nas contas, nas compras da semana e o que fazer para agradar ao outro. Esquecimento por horas. Falso orgulho por vitórias não nossas, individuais, mas dos outros. Que na displicência lorpa julgamos ser também pessoais.

 

Não mora, por estes dias, o positivismo individual na voz de um concurso há muito desvalido no tempo. Bem porque é doce a propagação da ironia balofa dos incapazes que tudo criticam. Ou porque agrada ao simples divagar coletivo que outros obtenham os seus minutos de fama e assim, entre espasmos, vampirizar uma migalha.

 

Ou então que se troquem os únicos momentos de uma semana passada em combustão trabalho-casa e casa-trabalho, onde a pouca intimidade deveria ser preservada como uma chama rara, pelo abstrato festejar de uma vitória num espaço apertado de relva.

 

Estou perfeitamente ciente da minha mais do que perfeita incapacidade de aceitar esta ondulação de massa. Não por falta de compreensão para com esta ontologia de abstração. Não porque não saiba, entre tanta coisa dita e aplausos oferecidos, que todos respiramos ópio de ilusão. Diferentes drogas, mas todos precisamos disso. Apenas me recuso a dar resposta às centenas de vezes que me é perguntado o que acho do cantar vencedor. Muito menos me interessam os olhares de choque e apreensão perante a minha indiferença na vitória de um clube.

 

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1 comentário

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De Salgado a 27.05.2017 às 18:06

Permita-me, antes de mais, boa tarde, perguntar se se permite entender quem o rodeia de uma forma positiva? Sem se anular, tente trilhar as dores dos outros. Vejo que não é preconceituoso e um lutador.
Bem haja

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